Suécia-1975: Um cometa chamado Tony Brise

04/04/2013


 Tony Brise conquistou o sexto lugar em Anderstorp: primeiro ponto da Hill 
Tony Brise conquistou o sexto lugar em Anderstorp: primeiro ponto da Hill

Em 8 de junho de 1975, Anthony William Brise deu a primeira mostra de seu potencial. O sexto lugar obtido a bordo de um Hill no GP da Suécia era mais do que suficiente para tornar Tony um candidato a suceder Graham Hill no coração dos apaixonados britânicos. Dos boxes, o velho bicampeão de 1962 e 1968 e chefe de equipe viu seu comandado de 23 anos obter o primeiro ponto da história de sua escuderia. Era também o primeiro top 6 do jovem inglês. A conquista veio em meio a disputas com gigantes como Emerson Fittipaldi (McLaren) e Ronnie Peterson (Lotus). Isso depois de largar da 17ª posição.

Foi um resultado encorajador. Tony Brise fazia em Anderstorp sua terceira corrida na carreira. A estreia do britânico aconteceu na Espanha. Convidado por Frank Williams para substituir o francês Jacques Laffite no cockpit da Williams, obteve um sétimo lugar em Montjuich. Nesta prova, o alemão Rolf Stommelen, da Hill, sofreu um grave acidente que interrompeu o GP na volta 27. O carro de Stommelen voou sobre os guard-rails e atingiu espectadores da prova. O alemão ficou severamente ferido. Quatro pessoas morreram.

 Graham Hill escolheu Tony Brise para seu time após falhar classificação em Mônaco
 Graham Hill escolheu Tony Brise para seu time após falhar classificação em Mônaco

Sem piloto para substituir Stommelen, Graham Hill decidiu correr no GP de Mônaco. No palco onde venceu cinco vezes e se tornou conhecido como Mister Mônaco, o bicampeão sentiu o peso dos 47 anos e sequer se classificou. Graham colocou ponto final em sua carreira como piloto, e contratou Brise para defender a Hill. A estreia de Tony na escuderia aconteceu na Bélgica. Em Zolder, fez um treino espetacular, alinhando seu carro em sétimo. Na prova, porém, o motor quebrou na volta 17.

Na Suécia, o Hill-Ford não mostrou um bom desempenho. Tony sofreu com o carro. O máximo que conseguiu foi o 17º lugar. E foi saindo do fundo que Brise apresentou seu cartão de visita para o mundo da Fórmula 1. No início, mostrou constância e acompanhou o ritmo de Jochen Mass, da McLaren. Na volta 33, o carro do alemão apresentou um vazamento d´água, e o inglês da Hill assumiu o 11º posto. A partir daí, Tony partiu para cima dos rivais.

Brise persegue Peterson (Lotus) e Donohue (Penske) no GP da Suécia 
 Brise persegue Peterson (Lotus) e Donohue (Penske) no GP da Suécia

A primeira vítima de Brise foi o norte-americano Mark Donohue (Penske), na volta 44. Duas voltas depois, superou Peterson, o piloto da casa. A ascensão de Tony prosseguiu na volta 55, quando passou por John Watson (Surtees). Naquele instante, já era o sexto lugar. O próximo da lista era o bicampeão Fittipaldi. O jovem inglês pouco se importou com a bagagem do brasileiro, encarou o piloto da McLaren e, na volta 59, assumiu o quinto posto. Era o máximo para Brise. Depois, a cautela passou a falar mais alto, afinal, a Hill caminhava para a conquista de seus primeiros pontos. Donohue tiraria o quinto lugar de Tony na volta 72. A partir daí, foi administrar a vantagem sobre Fittipaldi e assegurar a sexta posição.

Festa nos boxes. Graham Hill celebrava pelo primeiro ponto de sua escuderia e pelo talento de Brise. Uma parceria que tinha tudo para prosperar. Contudo, o destino não permitiu isso. Em 29 de novembro de 1975, uma tragédia acabou com a trajetória de todos. O avião que transportava Graham, Tony e outros quatro membros da Hill caiu em um campo de golfe em Londres. A aeronave conduzida pelo bicampeão vinha de Paul Ricard (França), onde a escuderia fazia testes com o modelo GH2, visando a temporada de 1976. Todos morreram no acidente.

 Um acidente de avião em Londres deu ponto final ao sonho de Graham e Brise
Um acidente de avião em Londres deu ponto final ao sonho de Graham e Brise

Tony cumpriu a temporada de 1975 pela Hill, obtendo apenas o ponto de Anderstorp em nove participações pelo time. Foram somente 10 GPs disputados na carreira. Mas o cometa chamado Brise deixou sua marca na Suécia.

Matéria cedida gentilmente por Douglas Williams proprietário do Contos da F1

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