O último ato do rei - Mônaco 1993

24/05/2013

Senna chegou a Mônaco no ano de 1993 pretencioso. Ali era seu quintal, mantinha uma residência, vencera cinco das últimas seis corridas, só perdendo em 1988 por um erro seu, pois queria humilhar o francês Alain Prost, que vinha em segundo, lhe impondo uma vergonhosa volta de vantagem, o que o iria transformar no verdadeiro bobo da corte, que como um bobo venceu, mesmo sabendo ele e todos, que o melhor piloto nas ruas do principado não estava no pódio. Quase um minuto a frente, Senna bateu na entrada do túnel, e a partir dali tratou de corrigir erros, se tornando um piloto mais cauteloso, ao mesmo tempo que se tornou mais agressivo. Mistura incomum? Sim, apenas para os mitos.



Cinco anos mais tarde ele estava ali no grid, para domar mais uma vez o francês, que disputava o campeonato em uma das mais fantásticas máquinas já construídas para competir na Fórmula 1, a Williams FW 15, equipada com o motor Renault. Senna venceu pela sexta e última vez no principado, pois em 1994, apenas a saudade chegaria em primeiro.

Ayrton se tornou rei em uma terra de príncipes, a bandeira do país subdesenvolvido desfilava deslumbrante pelas ruas apertadas e habitadas por arrogantes milionários, que juntamente de nobres franceses, ingleses, holandeses ou seja lá de onde eram, aplaudiram ao desfile daquele paulistano, com a bandeira brasileira nas mãos.

O inglês Damon Hill, filho do bicampeão mundial da categoria Graham Hill, o Mister Mônaco, até então recordista com cinco vitórias no traçado, tratou de saldar Ayrton, e lhe dar os parabéns por ter quebrado o recorde do pai. Só para lembrar, Hill pilotava a outra Williams naquele ano.

Como falar apenas da sexta vitória sem mencionar 1984, onde o brasileiro partiu do meio do pelotão com a fraca Toleman-Hart para, debaixo de um dilúvio, ir subindo de posições até roubar o segundo lugar do austríaco Niki Lauda, em uma ultrapassagem maravilhosa próxima a linha de chegada. A vitória não veio, os cartolas interromperam a corrida antes da metade, com a conquista que seria de Ayrton ficando para Alain Prost, e o segundo lugar para o brasileiro, que cruzou a linha de chegada antes do francês no momento da interrupção, e chegou a comemorar a vitória.

Em 1987 Ayrton conquistou a primeira vitória no principado, e após a prova, deu um banho de champanhe na família real, deixando príncipes e princesas com caras de plebeus em dia de carnaval, encharcados pelo champanhe do brasileiro vencedor. E quantos banhos seriam nos anos seguintes, para alvoroço dos seguranças reais...

E lá vieram 1989, 1990 e 1991, onde se seguiram verdadeiros desfiles do brasileiro, controlando a concorrência, se esgueirando entre muros e ao final das provas levantando o troféu.



O ano de 1992 foi único, com Ayrton vencendo a prova após um problema com um pneu da Williams de outro planeta do inglês Nigel Mansell que liderava. Foram cinco voltas de tirar o fôlego, com o inglês, com um carro muito superior, tentando de tudo para ultrapassar o brasileiro, que defendeu de forma limpa a primeira posição, e como só ele poderia suportar, segurou o ímpeto de Mansell. Senna venceu e colocou mais uma vez a sua marca na história. Mas em Mônaco é impossível de ultrapassar dirão 99% dos fãs de automobilismo, ou talvez alegrão que lá só se passa caso o piloto da frente deixar. Interessante que em 1984 Ayrton mostrou que tais retóricas, no seu caso, não tinham nada de verdadeiras... Coisas de gênio...

Neste final de semana Mônaco desperta para a Fórmula 1 mais uma vez, com vários candidatos ao trono, com prováveis príncipes temporários, uma vez que o rei, se foi há muito tempo.


Daniel Gimenes
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