Senna e a McLaren branca

30/05/2013


McLaren branca
Você sabia que em 1994, ano da morte de Senna, o piloto brasileiro poderia não ter trocado a McLaren pela Williams? Pois é, isso esteve próximo de acontecer.
A data era 20 de setembro de 1993. Depois de ter sido tricampeão em 1988, 90 e 91, Senna estava descontente por não ter mais um carro capaz de lutar pelo título mundial (principalmente com a Williams, que havia vencido em 92 com Nigel Mansell e estava prestes a levar o campeonato com Alain Prost - o que aconteceu).
A McLaren também reconhecia a falta de bons resultados e foi atrás de mudanças. O motor Ford, usado em 1993, era um dos fatores que não agradava, por isso a escuderia buscou um novo fornecedor para a temporada seguinte.
Em meio a propostas, encontrou uma parceira que poderia mudar a história da Fórmula 1 e de Ayrton Senna: a Lamborghini. O motor Lamborghini ’93 era o mais leve e pequeno V12 já construído e estava sendo utilizado pela equipe Larrousse naquele ano. Para provar que o motor era realmente de alto nível, a gigante Crysler (detentora da marca Lamborghini, até então), resolveu fornecer algumas unidades para que a McLaren fizesse os testes.
Senna e a " McLambo" em 20 de setembro de 1993
Senna e a ” McLambo” em 20 de setembro de 1993


Então, na data já citada acima, Ayrton Senna foi à pista no circuito de Estoril (Portugal)com a McLaren adaptada para os motores V12 e, à bordo de um carro totalmente branco, sem nenhum tipo de propaganda, notou que a parceria poderia dar bons frutos, mas seria preciso algumas mudanças.
“É muito bom, mas precisa de mais potência porque não é tão sofisticado, mas estou certo que será um ótimo motor para a próxima temporada.”, concluiu o piloto.
Dias depois, o segundo piloto da equipe, o finlandês Mika Hakkinen, andou no circuito deSilverstone, na Inglaterra. Conseguiu ser 1,4s mais rápido com o motor V12 do que a equipe foi com o Ford V8 naquele mesmo ano.
Mika Hakkinen testa em Silverstone
Mika Hakkinen testa em Silverstone
O anúncio:
Porém, quando 1993 estava chegando ao fim, veio a notícia que surpreendeu a todos. A McLaren anunciou a parceira de motores para 1994: a Peugeot (que entrou na Fórmula 1 para combater a rival Renault, principal motor na época) e suas unidades V10.
Mecânicos recolhem a McLaren-Lamborghini de Senna, que poderia ter mudado a história da Fórmula 1.
Mecânicos recolhem a McLaren-Lamborghini de Senna, que poderia ter mudado a história da Fórmula 1.
O diretor-chefe da Chrysler, Tom Kowaleski, se mostrou decepcionado com o anúncio e a rejeição.
- “Estamos desapontadíssimos. Nós trabalhos duro nos últimos meses, incluindo um intenso programa de testes com a TAG Eletronics e a McLaren. Nós tínhamos um acordo forte para continuarmos juntos no futuro. A decisão nos mostra como é de fato a F1.”
O resultado:
Em 1994 a McLaren teve um de seus piores anos na Fórmula 1 (somou apenas 42 pontos e nenhuma vitória) e, de quebra, perdeu Ayrton Senna para a Williams, onde ele acreditava que poderia novamente lutar pelo título mundial.
Depois disso, a Lamborghini foi vendida para um grupo de investidores da Indonésia e nunca mais apareceu na Fórmula 1. Já a Peugeot saiu da McLaren no ano seguinte (trocada pela Mercedes-Benz) e permaneceu na categoria por mais cinco temporadas, primeiro na equipe Jordan e depois na Prost, mas sem resultados expressivos.
Senna e Hill na apresentação da Williams para a temporada de 1994
Senna e Hill na apresentação da Williams para a temporada de 1994
O motivo pelo qual Ron Dennis e a McLaren resolveram não assinar com a Lamborghini nunca foi realmente esclarecido, muito se especulou durante os anos que se passaram, mas a única certeza que temos é que Senna não conseguiu uma nova oportunidade de lutar pelo título mundial…infelizmente.

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1 comentários :

Anônimo disse...

O maior do mundo! uma pena ir tão cedo.