Calendário do Verde: Österreichring (1977)

04/06/2013

O autódromo de Österreichring foi construído no ano de 1969 em uma região montanhosa da cidade de Spielberg, uma pequena vila da região da Estíria com 5 mil habitantes. Erroneamente, muitos acham que Österreichring é localizado na cidade de Zeltweg, por esta ser mais conhecida e ter impresssionantes 3 mil habitantes a mais. O circuito surgiu em um período no qual a Fórmula 1 fazia sucesso na Áustria devido a Jochen Rindt e a categoria estava disposta a voltar para lá em 1970. Antes de Österreichring, a categoria já havia feito uma corrida no malsucedido circuito do aeródromo de Zeltweg em 1964. Dessa vez, a Áustria voltaria em grande estilo ao calendário da categoria máxima de monopostos.


Österreichring impressionou a todos pelas suas curvas de altíssima velocidade e pelo belíssimo background. Porém, o principal atrativo para a construção do circuito desapareceu poucos dias depois do primeiro GP da Áustria: Jochen Rindt morreu em um acidente nos treinos para o GP da Itália. Com o tempo, as pessoas passaram a olhar o circuito austríaco com maus olhos devido à sua precária segurança. Os trechos de altíssima velocidade tinham poucas, ou até mesmo nenhuma, áreas de escape. Em 1975, durante os treinos, o americano Mark Donohue sofreu um acidente na primeira curva e acabou falecendo um dia depois. Após esse acontecimento, em 1977, a primeira curva se transformou em uma chicane, a Hella-Licht. E é dessa versão do circuito que eu vou tratar.

Apesar disso, muitos gostavam do circuito. Alain Prost chegou a dizer, na época, que todas as pistas poderiam sofrer modificações no seu traçado, com exceção de Österreichring, e que só faltavam algumas áreas de escape para ele ser perfeito. Porém, muitos sabiam que o circuito não duraria muito em uma Fórmula 1 que fazia exigências cada vez maiores dos circuitos. Em meados dos anos 80, o circuito já estava defasado e acidentes como o de Stefan Johansson em 1987 mostravam a precariedade com relação à segurança. Além disso, a Hungria ofereceu bastante dinheiro para ocupar o lugar da Áustria no calendário. Por dois anos, os dois países conviveram juntos até que Österreichring foi eliminado do calendário da Fórmula 1 a partir de 1988.

Nove anos se passaram e a Áustria voltou ao calendário da Fórmula 1 em 1997. A má notícia é que o circuito de Österreichring foi retalhado e se transformou no A1-Ring, uma versão reduzida, moderna e segura do velho circuito. Apesar dele não ser exatamente um mau circuito, é evidente que a insatisfação com o trabalho de Hermann Tilke foi enorme. O circuito durou pouco tempo no calendário: 2003 foi sua última corrida. Desde então, o circuito passou por várias mãos e boa parte dele está simplesmente destruído. Sempre se fala em uma revitalização do circuito, mas nada acontece. Diz a lenda que Dietrich Mateschitz, o dono da Red Bull e atual dono do autódromo, está fazendo reformas visando trazer o DTM para a pista em 2011. A conferir.

TRAÇADO E ETC.


Eu não tenho palavras para Österreichring. Com 18 curvas e 5,941m km, era um circuito simplesmente fantástico, do início ao fim. No período em que esteve no calendário da Fórmula 1, era sempre um dos circuitos mais velozes calendário, senão o mais veloz. Para se ter uma idéia, Nelson Piquet bateu o recorde do circuito em 1987 com uma volta a 256km/h. E isso já na versão com a chicane Hella-Licht! Para efeito de comparação, o mesmo Piquet fez uma volta em Monza a 250km/h naquele mesmo ano.

Em um circuito majoritariamente composto por curvões de alta, o carro tinham de ter pouquíssimo downforce. Ao mesmo tempo, porém, a proximidade dos guard-rails à pista obrigavam os pilotos a terem muito cuidado como se estivessem em uma pista de rua. Não há muito o que descrever, o negócio é comentar as curvas mais famosas e ver um vídeo sobre esse belíssimo Österreichring.

RETA DOS BOXES: Não tem nome, mas tudo bem. É um retão bastante estreito que começa em leve declive, passa pela linha de chegada em relevo plano e segue com um aclive bastante acentuado. Por ser bastante estreito, já rendeu acidentes bizarros como em 1987.

HELLA-LICHT: É a chicane construída após o retão dos boxes em 1977 para melhorar a segurança e conter um pouco a velocidade. Por incrível que pareça, é o ponto mais lento do circuito. É composta por uma perna à direita, outra à esquerda e mais uma à direita, todas feitas em velocidade média. Era comum ver gente passando reto.

SEBRING-AUSPUFFKURVE: Um belíssimo curvão de altíssima velocidade localizado em frente às arquibancadas. O curvão não é inclinado, mas tem um raio grande o suficiente para fazer o piloto completá-lo sem tirar o pé. O guard-rail está sempre ali.

BOSCH-KURVE: Uma curva de 180º de raio grande que começa em descida e termina em subida. Mais uma vez, o guard-rail está logo ali. Há quem ache esse trecho o melhor do circuito, mas não é o meu caso, o que não quer dizer que não seja outro trecho belíssimo.

TEXACO-SCHIKANE: “Schikane” é modo de falar. É um trecho composto por duas curvas de alta velocidade feitas à esquerda. É também o trecho com a maior área de escape, se é que dá para falar assim, pois se trata de um gramado que culmina em um barranco. O piloto deve tomar cuidado para não pisar na grama. Foi lá que ocorreu a famosa série de capotagens de Andrea de Cesaris na corrida de 1985.

JOCHEN-RINDT-KURVE: ESTE é o meu trecho preferido. Outro curvão de 180º feito totalmente em descida, com os guard-rails pintados de vermelho e branco logo ali. Os carros com melhor comportamento nessa curva aproveitarão para colar na traseira do adversário logo à frente para tentar a ultrapassagem na reta ou na Hella-Licht.


fonte: http://bandeiraverde.com.br

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