TOP CINQ: Cinco aposentadorias tardias demais

24/06/2013

A carreira de um piloto de corridas tem início, meio e fim. Por mais óbvio que isso pareça, nem todo mundo entende essa frase corretamente. Muitos pilotos têm dificuldade em aceitar que, um dia, o seu auge acabará. Será um momento em que os reflexos não estarão tão apurados, a forma física não se permitirá estar tão impecável, outros pilotos mais jovens aparecerão e até mesmo os compromissos familiares, como a mulher e os filhos, clamarão por sua atenção. Dessa maneira, carreiras consideradas até então impecáveis acabam sendo manchadas com aquele final que só existiu por teimosia do piloto.

Se estou pensando em Michael Schumacher? Sim, mas não iremos falar dele pois, todos nóis sabemos como foi o seu retorno depois da breve aposentadoria.

Mas ele não foi o único. Cinco pilotos campeões insistiram em prolongar suas carreiras além do recomendável.Veja só quem:

5- JACK BRABHAM

Jack Brabham em Hermanos Rodriguez, 1970

Dos cinco dessa lista, podemos dizer que Old Jack foi o que terminou, de longe, da melhor maneira. O que também não significou muito.

Jack estreou aos 29 anos na Fórmula 1, no GP da Inglaterra de 1955. Apesar de parecer uma idade bastante avançada para os nossos padrões, ela era bastante aceitável para um estreante nos anos 50, até porque a carreira de um piloto de Fórmula 1 não duraria muito mesmo se ele terminasse vivo. O que ninguém esperava era que Jack corresse até os 44 anos, em 1970.

Depois de ganhar o tricampeonato de maneira inconteste em 1966, Brabham perdeu o título de 1967 por apenas 5 pontos para Denny Hulme. O australiano, já com 41 anos, poderia ter parado aí, mas preferiu continuar correndo para desenvolver o carro de sua própria equipe. E aí começou a fase ruim.

Em 1968, com a chegada dos motores Cosworth, os Repco ficaram para trás, e a Brabham e sua dupla de pilotos sofreu um enorme baque com isso. Jack Brabham terminou apenas uma corrida e marcou míseros dois pontos. Para 1969, ele quis continuar desenvolvendo seu carro, que dessa vez tinha os bons Cosworth. Jack até conseguiu dois pódios, mas quebrou o pé em um acidente em testes no circuito de Silverstone. Após isso, prometeu se aposentar no fim de 1969.

Porém, no último instante, sem encontrar um substituto à altura, preferiu seguir por mais um ano. Aos 44 anos, ainda conseguiu vencer em Kyalami e liderar as corridas de Mônaco e Brands Hatch. Teve, porém, performances muito infelizes em algumas outras corridas e terminou o ano em quinto. Nada muito ruim, mas nada digno de um tricampeão. Dessa vez, ele cumpriu a promessa e se aposentou das corridas. De quebra, vendeu a Brabham para Ron Tauranac.

4- JACQUES VILLENEUVE
Villeneuve e sua última batida. Hockenheim/2006

Pobre Jacques. De estreante mais bem-sucedido da história da categoria a um discreto piloto narcisista do meio do pelotão.

Depois de ser campeão em 1997, Jacques Villeneuve nunca mais sentou em um carro de ponta. Mesmo assim, fez ótimas temporadas em 1998 e 2000, extraindo o máximo de seus limitados carros. A partir de 2001, porém, a insatisfação de não ter um carro competitivo começou a incomodá-lo de verdade. Villeneuve sempre esperava aquele convite de uma Ferrari, McLaren ou Williams, mas ele nunca aparecia. E o ânimo de guiar um BAR se esvaía. Com o tempo, ficou claro que Jacques só aceitava aquela situação por dinheiro e por uma esperança que nunca se concretizava.

Após a BAR, Villeneuve ficou quase que toda a temporada 2004 inteira de fora, fazendo apenas três corridas ruins pela Renault. Em 2005, foi resgatado pela Sauber e até andou próximo de Felipe Massa em alguns momentos, mas acabou fazendo outra temporada ruim. 2006 foi seu último ano na Fórmula 1, fazendo uma parte da temporada pela BMW Sauber quase que contra a vontade da montadora germânica, que tinha de cumprir o contrato para não tomar uma enorme multa de rescisão.

Sua última corrida, em Hockenheim, foi deprimente, com o canadense escapando na última curva do circuito e batendo forte nos pneus. Depois disso, a assessoria de imprensa da BMW Sauber anunciou que Villeneuve não estava se sentindo bem e ficaria de fora da corrida da Hungria. É claro que, na verdade, era um pleonasmo para dizer que ele estava fora.

Mesmo assim, o canadense insistiu que queria seguir na Fórmula 1. Até o início desse ano, ele tinha conversas sérias com a natimorta Stefan para ser companheiro do Kazuki Nakajima. Como a equipe acabou não conseguindo entrar, Villeneuve não conseguiu fazer seu retorno. Aos 39 anos, porém, ainda não há indicação que ele desistiu de vez.

3- ALAN JONES

Alan Jones e sua despedida em casa

Sem ser espetacular, a carreira de Alan Jones foi bastante digna e sua passagem pela Williams, com um título e dois terceiros lugares, foi uma das melhores de um piloto da equipe. Jones fazia perfeitamente bem o arquétipo do australiano rude tanto dentro como fora da pista. No fim de 1981, aos 35 anos, o australiano abandonou a Fórmula 1. Estava por cima da carne seca e todo mundo respeitou sua decisão.

Mas sua participação não estava encerrada. Em 1983, enquanto estava na Austrália, Jones decidiu ir fazer uma corrida pela Arrows em Long Beach. Já estava gordo e com 37 anos, não tinha o porquê de arriscar o pescoço em um carro meia-boca como o da equipe de Jackie Oliver. Alan largou em 12º, mas abandonou por não ter fôlego para fazer a corrida inteira. Não tinha mais o que fazer na Fórmula 1.

Só que Jones, como uma prostituta, aceitou uma excelente proposta financeira da Lola Haas para fazer seu retorno à categoria em 1985. Mais gordo e mais velho ainda, lá foi Alan Jones andar naquele horrendo carro. Fez três corridas e abandonou em todas. A equipe era uma bomba, mas mesmo assim Jones quis seguir em 1986.

Pra quê? O carro era apenas um pouco melhor, mas quebrava um bocado e Jones terminou apenas cinco corridas, duas delas nos pontos. Chegava a ser ridículo ver aquele barrigudo decadente no mesmo grid que jovens como Senna e Berger. Sua última corrida foi em casa e Jones teve problemas com o motor. E, ao que parece, Alan só deixou a categoria devido à saída da Haas. Ah, Alan, você deveria ter parado em 1981…

2- NIGEL MANSELL

Nigel andando de F1 pela última vez. Ou não

A primeira vez em que Nigel Mansell falou sobre aposentadoria foi em 1990. Insatisfeito com o tratamento recebido na Ferrari e com o fato de nunca ter ganho um título na Fórmula 1 mesmo tendo passado tão perto em algumas ocasiões, Nigel disse chega. Mas voltou atrás, no fim do ano, e assinou com a Williams por dois anos. Até aí, tudo bem, Mansell foi campeão em 1992 e realizou seu sonho. Já tinha 39 anos e poderia ter parado aí.

Na verdade, ele queria seguir em 1993, e com aumento salarial. Frank Williams, porém, esnobou o inglês e foi atrás de Alain Prost. Restou a Mansell seguir para a Indy, onde fez um campeonato sensacional em 1993, ganhando o título, e um bem meia-boca em 1994. Nesse mesmo ano, fez quatro corridas pela Williams, venceu uma e foi discreto nas outras. Sua carreira poderia ter encerrado aí, certo?

Errado. Mansell quis fazer uma temporada completa em 1995 pela McLaren, uma equipe que simplesmente não dava o menor valor pelo Leão. O carro era ruim e Nigel mal cabia lá dentro. Foram apenas duas corridas, Imola e Barcelona. Nessa última, Mansell ainda desceu do carro berrando que “era a maior merda que eu já guiei na vida”. Pegou muito mal e a McLaren não tardou em demiti-lo. Seu retorno já havia sido um papelão, e ele podia ter sossegado aí, certo?

Errado. Mansell ainda queria fazer alguma coisa na F1. No fim de 1996 (!), aos 43 anos, Mansell aceitou testar um Jordan-Peugeot querendo ver se ainda tinha condições para seguir sua carreira. Fez dois dias de teste em Barcelona e acabou sendo o último colocado em ambos. Pior ainda: seu companheiro, o novato Ralf Schumacher, foi muito mais rápido que ele. Dessa vez, chega.

Er… não. Em 2001, a mídia inglesa lançou um boato que Mansell, 48, poderia aceitar a correr pela Minardi (!!) ao lado do novato Fernando Alonso. Não deu em nada, mas no “Thunder in the Park Day”, evento realizado anualmente pela equipe, lá estava Mansell participando da corrida de carros de dois lugares. Tá bom, chega, vai…

Hmmmm…não. Recentemente, Mansell falou que, se tivesse uma boa oportunidade, gostaria de fazer uma corrida na categoria. Aos 56 anos! Larga o osso, Mansell!

1- GRAHAM HILL
O Mister Mônaco não largando em Mônaco

Graham Hill era um caso engraçado nos anos 60. Todo mundo o via com a mesma desconfiança sofrida por seu filho ou por Jenson Button. Era um cara esforçado, mas meio limitado. É estranho pensar assim de um cara que venceu várias corridas em Mônaco e também contabiliza dois títulos na F1, vitórias em Indianápolis e Le Mans. Mas o povo pensava e um dos motivos era o fato de Hill Senior ter feito várias temporadas ruins após seu auge.

Com 18 anos, Graham é um dos recordistas de anos de participações na F1, entre 1958 e 1975. O ideal era ter parado após seu segundo título, em 1968. Depois desse ano, só decadência. Em 1969, ele ainda venceu em Mônaco pela última vez, mas não fez mais nada e terminou em 7º. Ainda sofreu um violentíssimo acidente em Watkins Glen que quebrou suas duas pernas. Os resultados, a partir do ano seguinte, foram muito piores.

Foram apenas 7 pontos em 1970, 2 em 1971, 4 em 1972, nenhum em 1973 e 1 em 1974, primeiro ano de sua própria equipe, a Embassy-Hill. Graham Hill não precisava disso, definitivamente. Mesmo assim, ele quis fazer mais uma temporada por sua própria equipe em 1975.

Com 46 anos, endividado e completamente desanimado, Hill não tinha muito mais o que fazer em um carro precário. Largou nas duas corridas sul-americanas, mas não conseguiu classificação nas duas provas seguintes. Uma delas era Mônaco. Ver o “Mister Monaco” não conseguindo sequer colocar seu carro no grid de sua pista preferida era algo baixo demais. Hill viu que chegou ao fundo do poço e abandonou a categoria logo após isso. Morreu em um acidente aéreo meses depois.

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