Williams chega ao 600º GP em seu pior momento na Fórmula 1

28/06/2013

A Williams completa 600 GPs durante este final de semana, em casa, em Silverstone. A tradicional equipe britânica é a terceira com mais participações na história da Fórmula 1, atrás apenas de Ferrari (858 GPs) e McLaren (730 GPs). No entanto, a comemoração nos boxes da equipe é celebrada com um sorriso amarelo. Nos últimos anos, a decadência do time é evidente. As glorias das décadas de 1980 e 1990 ficaram para trás, seguidas por desempenhos medianos nos anos 2000 e grandes fracassos a partir de 2011.
Fundada oficialmente em 1977 por Frank Williams e Patrick Head, a equipe tem no currículo 297 pódios, 114 vitórias e 16 títulos, sendo 9 de construtores e 7 de pilotos. Para o GP deste final de semana, o time vai apresentar uma pintura especial com o número 600 em alusão à marca histórica, além de exibir o nome de todos os 691 funcionários do Grupo Williams.

Equipe também prepara uma "Parede dos campeões" para homenagear os títulos mundiais

Para um equipe independente como a nossa, chegar aos 600 GPs no topo do automobilismo é um feito memorável. 78 equipes sumiram ou trocaram de donos desde que a nossa foi fundada. A nossa longevidade é uma marca para as milhares de pessoas que se sacrificaram tanto para nos manter aqui. Parece justo atingir esta marca na casa do automobilismo inglês junto aos nossos fãs”, disse Frank Williams.

Anos 1970: a parceria Patrick Head e Frank Williams

Com apenas um carro no ano de estreia, em 1978, Alan Jones levou o time ao primeiro feito notável: um pódio no GP de Watkins Glen. Em 1979, com a injeção de dinheiro de uma companhia aérea saudita, e já com o segundo carro, pilotado por Clay Regazzoni, viria a primeira façanha definitiva. O novo piloto venceu o GP da Inglaterra com 24 segundos de vantagem para o segundo colocado. Jones abandonou com problemas mecânicos.

“Patrick apareceu no túnel de vento com uma melhoria simples para o GP britânico. Isto lançou o carro não só para a primeira posição, mas para bem além de todos os outros. De repente, éramos quem definia o ritmo. A primeira vitória foi, sem dúvida, um grande momento na minha vida. Me lembro de dirigir para casa à noite pensando no fato de que nós éramos uma equipe de Fórmula 1 moderna”, disse Frank.

Fly Saudia: o patrocinador árabe proibiu a comemoração com champanhe no pódio. Os pilotos da Williams passaram a comemorar com água. Na foto, o modelo FW07 (1979)

Anos 1980: lendas ao volante e primeiros títulos

Em 1980, a primeira glória absoluta. O time venceu o Mundial de Construtores e o de Pilotos, com Alan Jones. Williams terminou o ano com 120 pontos, contra míseros 66 da Ligier. No ano seguinte, Reutemann perdeu o título para Nelson Piquet, por apenas 1 ponto na última corrida. Mesmo assim, a Williams garantiu a taça entre as equipes.

Na temporada seguinte, uma das mais estranhas da Fórmula 1, Keke Rosberg conquistou o Mundial com apenas uma vitória, com 44 pontos. Onze pilotos subiram ao lugar mais alto do pódio nas 16 corridas de 1982. A classificação ficou embolada e premiou a regularidade de Keke.

O ano de 1986 foi um dos mais marcantes para a equipe. Frank Williams escapou da morte após um acidente. Ele havia deixado o circuito de Paul Ricard em direção a Marselha, na França, quando perdeu o controle do seu veículo e capotou. Sua cabeça foi comprimida e sua coluna vertebral severamente ferida. Sobreviver foi praticamente um milagre, mas Frank ficou paralisado dos ombros para baixo. Enquanto isso, o escudeiro Patrick Head assumiu provisoriamente a liderança da equipe e levou a Williams ao título nos Construtores.

Os motores turbo da Honda empurraram o modelo FW11 para o título nos construtores

Em seu último ano com o motor Honda, a Williams foi outra vez imbatível. Nelson Piquet conquistou o seu tricampeonato com 73 pontos, contra 61 do companheiro de equipe Nigel Mansell. Nos construtores, a lavada foi de 137 a 76 na McLaren.

Anos 1990: os carros imbatíveis de Newey

Em 1990, Adrian Newey, o “mago da F1″ chegou ao time. Do casamento com Patrick Head nasceram os modelos mais fantásticos que a Fórmula 1 já viu, apenas comparáveis em dominância aos da Ferrari no início dos anos 2000. O modelo FW14B venceu as 5 primeiras provas de 1992 com Nigel Mansell, e no GP da Hungria, a 5 provas do fim do campeonato, conquistou o título. Ao fim do GP da Austrália, último do ano, Mansell somava 108 pontos, contra 56 do companheiro Ricardo Patrese e 53 de Schumacher. O troféu de Construtores veio com naturalidade, com 164 pontos, contra 99 da McLaren.

“Aquele era um carro dos sonhos. Um triunfo de engenharia de Patrick Head e Adrian Newey. O carro era rápido em todos os sentidos, não tinha fraquezas. Nós convencemos Mansell a não se aposentar e ele guiou o carro brilhantemente”, disse Frank.

O domínio se repetiu nos anos seguintes. Em 1993, com Alain Prost no posto de piloto número 1, após Mansell pedir uma alta quantia para renovar contrato e ser dispensado pela equipe, rumando para os EUA para se aventurar na Indy. O tetra de Prost veio acompanhado do título fácil nos Construtores, que se repetiria no ano seguinte, mesmo com a trágica morte do recém contratado Ayrton Senna.

Os últimos anos de glória da equipe vieram com os títulos de 1996, de Damon Hill, e 1997, com Jacques Villeneuve. No primeiro deles, a dupla venceu 12 dos 16 GPs da temporada. “Estatisticamente esta é o melhor carro que já tivemos. Tinha um design brilhante e Damon me disse que era a melhor Williams que ele já correu. Eu me lembro de Jacques me dizendo que estava surpreso com a velocidade de Damon, me no fim Damon venceu ele pelo título”, disse Frank.

Título de 1997 de Jacques Villeneuve foi o último grande momento de glória da tradicional equipe

Anos 2000 até hoje: de coadjuvante a time pequeno

No novo milênio, o único suspiro da Williams ocorreu em 2003, ano em que quase interrompeu a sequência brutal da Ferrari, com Juan Pablo Montoya. Após um fraco início de temporada, o carro respondeu bem aos novos pacotes e terminou o campeonato de construtores na segunda posição, com 144 pontos, apenas 14 atrás da Ferrari.

“Era um carro rápido, mas não era páreo para as Ferrari em ritmo de corrida. Nossos pilotos mostraram bom desempenho ao vencer corridas. Mas a era BWM foi desapontante para nós, pois nos prometeram muito, mas falharam em nos entregar o que deveriam para brigarmos pelo título. Houve muitos bons momentos, como a vitória de Montoya em Mônaco, mas eu sinto frustração quando lembro daquele período”, disse Frank.

Se a palavra para aqueles anos era frustração, hoje em dia é desespero. A Williams vai para a 8ª corrida do campeonato, em casa, sem marcar ponto. O time está na última colocação, empatado com os carros coadjuvantes da Marussia e Caterham. Nem o 3º lugar de Bottas no grid de largada no GP do Canadá foi capaz em se traduzir em bom resultado: apenas um 14º lugar ao final da prova.

Resta a Frank Williams usar o peso da marca para atrair um bom conjunto para 2014, ano em que o motor V6 turbo será usado no lugar dos atuais V8. As mudanças podem dar uma “mexida” no grid e catapultar quem está atrás para frente. A má fase e possível falência da escuderia seria um duro golpe para a Fórmula 1, que perderia uma das equipes mais tradicionais e uma das poucas a sobreviver por décadas.

fonte: terra.com.br

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