McLaren: 50 anos de sucesso

09/09/2013


Tudo começou modestamente. Logo depois de conquistar o tricampeonato da Stock Car, em 1999, 2000 e 2001, o piloto Chico Serra fez um comentário durante conversa com o Estado: "Em 1979 fui campeão britânico de Fórmula 3 e na temporada seguinte disputei a Fórmula 2, pensando em chegar na Fórmula 1".

O pai de Daniel Serra, atual vice-líder da Stock Car, lembrou de uma experiência na Fórmula 2. Competia pela mesma equipe que fora campeão na Fórmula 3, a Project Four, de propriedade e dirigida por um inglês muito ambicioso, ex-mecânico-chefe do australiano Jack Brabham, em 1969, na escuderia do piloto, Ronald Dennis.

"O ano era 1980. Nos reuníamos na Project Four e nos fundos das instalações da sede, em Woking, Inglaterra, um pequeno grupo de técnicos trabalhava no projeto que a equipe dizia que seria utilizado na Fórmula 1, quando eles estreassem. "O líder desse grupo era um inglês que entraria para a historia com as novidades técnicas que criaria. Seu nome: John Barnard.

Naquele ano Dennis tornou-se sócio do norte-americano Teddy Mayer, a escuderia passou a se chamar McLaren International e o primeiro carro da nova organização preservou a identificação de Dennis, MP4/1. M de McLaren e P4 de Project 4, o time criado pelo ex-mecânico.

O carro chamou a atenção desde o primeiro treino. Seu monocoque, a estrutura central, onde se encontra o cockpit, era negro e não na cor natural do alumínio, como todos os demais. Barnard inovou ao introduzir na Fórmula 1 um material desenvolvido pela tecnologia aeroespacial, a fibra de carbono. Reunia duas propriedades que todo projetista aprecia muito: elevada resistência e baixo peso.

A McLaren International, competindo com motor Ford Cosworth e patrocínio da Philip Morris, com a marca Marlboro, terminou o Campeonato de Construtores na sexta colocação, com os pilotos John Watson e Andrea de Cesaris.

Na temporada seguinte Dennis adquiriu a porcentagem de Mayer na McLaren e impôs seu estilo de gestão, desde o principio muito eficiente. "Era um homem obsessivo, tudo tinha de ser perfeito, os boxes um modelo de limpeza e organização" recordou Serra na conversa.

No segundo ano como dono da McLaren, Dennis de novo surpreendeu: contratou Niki Lauda, campeão do mundo em 1975 e 1977, mas que deixara as pistas no fim de 1979. Lauda e Watson levaram a McLaren a ser vice entre os construtores.

O saudita Mansour Ojjeh foi muito bem-vindo por Dennis. Tornou-se seu sócio. Tendo ligações com a família real, Ojjeh dispunha de grande fortuna. O inglês o convenceu a investir no financiamento de um motor turbo, uma necessidade imperiosa e urgente.

Através da sua empresa Techniques d'Avant Garde (TAG) pagou a Porsche para projetar e construir um motor V-6 turbo que junto com o avanço do trabalho de Barnard na área de chassi viria a dominar a Fórmula 1: a McLaren-TAG seria campeã entre os construtores em 1984 e 1985 e vice nos dois anos seguintes. Lauda conquistou o titulo de 1984 e Alain Prost em 1985 e 1986.

A visão, a liderança e os métodos de Dennis tiveram grande responsabilidade no período de sucesso ainda maior que se seguiu, quando a McLaren se associou a Honda e contratou um piloto de nome Ayrton Senna. Entre os construtores a organização de Dennis venceu os campeonatos de 1988, 1989, 1990 e 1991. Senna ganhou as edições de 1988, 1990 e 1991 do Mundial, enquanto Prost, o de 1989.

Da associação com a Mercedes, iniciada em 1995, a McLaren foi primeira em 1998, mas seus pilotos foram campeões três vezes no período: Mika Hakkinen, em 1998 e 1999, e Lewis Hamilton, em 2008. A partir de 2015 McLaren e Honda vão estar juntas de novo na Fórmula 1.

A "obsessão" de Dennis por o que há de mais avançado, por introduzir novos conceitos, vencer os concorrentes de maneira insofismável o levou a criar o Grupo McLaren, proprietário de várias empresas, todas reunidas numa área de 500 mil metros quadrados, no coração de onde tudo começou modestamente, em 1980, em Woking, ao sul de Londres, cidade em que Dennis nasceu e foi criado.

Algumas empresas do grupo: McLaren Eletronic Systems, fornecedora das centrais eletrônicas adotadas pela Fórmula 1, Formula Indy e a Nascar. McLaren Applied Technologies, destinada a pesquisas ultra-avançadas encomendadas nas mais diversas áreas, como saúde, energia, design. McLaren Automotive, responsável pela produção de carros de serie de elevada performance.

Em 2014, a mudança estrutural do regulamento representa uma oportunidade para equipes como a McLaren, dotada de imensos recursos tecnológicos, voltar a se impor na Fórmula 1. Como já aconteceu.
Antes de Ronald Dennis assumir a McLaren, em 1980, e vir a ser Ron Dennis, a escuderia já tinha rica história. Fundada pelo neozelandês Bruce McLaren, em 1966, foi campeã do mundo pela primeira vez em 1974, com Emerson Fittipaldi, e depois em 1976, com James Hunt.

Bruce não chegou a celebrar os títulos. Morreu durante um teste particular com seu carro da serie Can-Am, no circuito de Goodwood, em 1970, aos 32 anos. Era um homem brilhante. Tão jovem, tão empreendedor e tão capaz. Mas seu legado está ainda muito presente. 



fonte Estadao

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