Grande Prêmio do Brasil de 1974

27/01/2014


Quinze dias após a passagem por Buenos Aires, a F1 completava seu tour pela América do Sul em Interlagos para o segundo Grande Prêmio do Brasil da história. Como não havia tempo, muito menos disponibilidade para se fazer grandes mudanças nas equipes e pilotos, os mesmo protagonistas na Argentina se faziam presente em São Paulo. Contudo, a Shadow teria que trazer um novo chassi para Peter Revson e houve problemas quando o carro chegou ao aeroporto e as autoridades brasileiras não quiseram liberar o carro para que o mesmo corresse, mas o incidente foi contornado e Revson correu normalmente.

Emerson Fittipaldi era a grande estrela em Interlagos, mas os brasileiros ainda tinham um pé atrás com relação a troca da Lotus pela McLaren. Querendo dissipar a desconfiança, o campeão de 1972 marcou a pole no circuito que era praticamente a sua segunda casa. Ao seu lado, Carlos Reutemann colocava seu Brabham na primeira fila e nos boxes da equipe, um jovem tinha vindo de Brasília para ser uma espécie de faz-tudo dentro da equipe. O nome desse rapaz era Nelson Piquet. Apesar do susto de quase não correr, Revson colocava seu carro num respeitável sexto lugar. O que ninguém sabia naquele momento, era que aquela Classificação seria a última do americano.

Grid:
1) Fittipaldi (McLaren) - 2:32.97
2) Reutemann (Brabham) - 2:33.21
3) Lauda (Ferrari) - 2:33.77
4) Peterson (Lotus) - 2:33.82
5) Ickx (Lotus) - 2:34.64
6) Revson (Shadow) - 2:34.66
7) Hailwood (McLaren) - 2:34.95
8) Regazzoni (Ferrari) - 2:35.05
9) Merzario (Iso) - 2:35.15
10) Mass (Surtees) - 2:35.43

O dia 27 de janeiro de 1974 amanheceu com muito sol no típico verão paulistano. Contudo, normalmente o sol forte de São Paulo trás chuva no final da tarde. Mas como o céu estava limpo, os torcedores lotaram Interlagos para ver Emerson Fittipaldi repetir o que tinha feito no ano anterior e conseguir uma vitória consagradora pela sua nova equipe. No entanto, tantas gente assim pode trazer muitas pessoas mal educadas a um recinto. Demonstrando total falta de bom senso, alguns baderneiros jogaram algumas garrafas de vidro nos "inimigos" de Emerson e isso acabou atrasando a largada. O próprio Fittipaldi admitia que não era um exímio largador e isso ficou provado no GP do Brasil, quando foi ultrapassado facilmente por Reutemann e, como sempre, pelo espetacular Ronnie Peterson, pulando de quarto para segundo.


Ainda na primeira volta, o grupo que liderava a corrida logo se destacou com Reutemann à frente de Peterson e Fittipaldi andando colados. Mais atrás vinha uma Ferrari, mas não era do terceiro colocado do grid Lauda. O austríaco teve problemas no motor e fez uma largada terrível, caindo para o meio do pelotão, bem ao inverso de Regazzoni, que pulou para quarto e liderava, com certa folga, o segundo pelotão que tinha Ickx, Revson e dois Surtees de Mass e José Carlos Pace, outro piloto que foi criado correndo em Interlagos. Reutemann tinha escolhido pneus macios e o forte calor de São Paulo não demorou a punir a escolha arriscada do argentino. Logo na quarta volta, o piloto da Brabham foi ultrapassado por Peterson e Fittipaldi. Reutemann só faria a cair daí em diante.

Sozinhos na ponta, Ronnie e Emerson protagonizaram uma luta histórica pela liderança da prova, com Fittipaldi querendo mostrar aos seus torcedores e, até mesmo, para a Colin Chapman, que tinha feito a escolha correta em deixar a Lotus e ir para a McLaren. Contudo, Peterson nunca tinha sido um piloto fácil de ser ultrapassado e o sueco vendia caro a ultrapassagem. Foi uma batalha de titãs, mas Peterson comecou a perder rendimento e foi ultrapassado pelo rival na volta 16, indo para os boxes três voltas depois. Um furo lento em seu pneu tirou todas as esperanças de uma vitória e Emerson liderava com enorme vantagem sobre Regazzoni.

Contudo, quando Emerson assumiu a liderança da corrida, o céu de São Paulo já não estava tão azul e nuvens pesadas se aproximavam de Interlagos. Enquanto Peterson dava um show lá de trás e já aparecia um sexto, a chuva começou a cair. Regazzoni vê uma oportunidade e diminui a diferença para Emerson, enquanto o Rei da Chuva de então, Jacky Ickx, era um distante terceiro colocado, à frente do surpreendente Surtees de José Carlos Pace. Quando alguns pilotos já pensavam em trocar de pneus, a bandeira vermelha foi mostrada na volta 32 e Emerson foi declarado o vencedor do Grande Prêmio do Brasil, repetindo a dose de 1973. Regazzoni ainda esboçou uma reclamação, dizendo que os organizadores locais tinham favorecido Fittipaldi, mas logo a chuva aumentou e o piloto da Ferrari estava bastante contente no pódio. Emerson mostrava que podia ser campeão em qualquer carro e largaria rumo ao bicampeonato.

Chegada:
1) Fittipaldi
2) Regazzoni
3) Ickx
4) Pace
5) Hailwood
6) Peterson

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