Quando a notícia de que Michael Schumacher havia sofrido um trauma na cabeça após uma queda de esqui neste domingo nos Alpes Franceses se espalhou, muitos fãs do alemão se questionaram pelas redes sociais sobre o alto risco da modalidade. Alguns deles não aceitavam que o ex-piloto continuasse se expondo ao perigo após ter se aposentado da Fórmula 1 para aproveitar mais seu tempo com a família. A história, porém, mostra que a adrenalina está no sangue dos campeões, e que o contato com o perigo não se restringe às pistas. No ar, na água e na neve, feras como Emerson Fittipaldi, Ayrton Senna e Kimi Raikkonen já levaram grandes sustos. Em outros casos, como os de Colin McRae, Didier Pironi e Graham Hill, o destino foi mais cruel, e estes pilotos perderam a vida.

Ayrton Senna moto aquática jet ski Angra dos Reis (Foto: Reprodução)


Dois campeões morreram ao comando de aeronaves


Devido à grande capacidade de concentração, raciocínio e intimidade com múltiplos comandos, não é raro que os pilotos de carros também fiquem tentados a testar suas habilidades no ar, tirando brevês para comandar aviões e helicópteros. Contudo, nem sempre estas experiências terminam bem.

Graham Hill Fórmula 1 1976 (Foto: Getty Images)


Em novembro de 1975, poucos meses depois de seu último GP como piloto, o bicampeão mundial de Fórmula 1 Graham Hill pilotava seu bimotor particular nos arredores de Londres, mas se deparou com várias pistas fechadas para pouso devido à intensa neblina. Voltando da França após testes com o carro de sua equipe em Paul Ricard, Graham (à época com 46 anos) não conseguiu identificar a pista improvisada em um campo de golfe e bateu em algumas árvores. A queda do avião vitimou também o engenheiro, três mecânicos e o piloto Tony Brise, que competia pelo time do inglês.

Outro britânico que perdeu a vida pilotando uma aeronave foi Colin McRae. Campeão mundial de rali em 1995, o escocês fazia um voo com seu helicóptero em setembro de 2007, na companhia de um amigo e de duas crianças, uma delas seu filho Johnny, de cinco anos. O grupo tinha como destino a residência do piloto escocês, na cidade de Lanark. A queda ocorreu em um local chamado “Mouse Valley”, e as investigações concluíram que Colin sobrevoava aquele trecho em uma altitude abaixo da recomendada. 


Colin McRae Mundial de Rali (Foto: Getty Images)


Fittipaldi viveu drama em acidente com ultraleve


Quem sobreviveu a um acidente enquanto pilotava uma aeronave foi o brasileiro Emerson Fittipaldi. Em 1997, um ano depois de se aposentar das pistas em função de uma forte batida em um circuito oval da Fórmula Indy, o bicampeão mundial de Fórmula 1 não seguiu o conselho de seu médico – que havia sugerido parar também com atividades mais radicais, como esquiar e brincar com sua moto aquática – e levou um novo susto: no comando de seu ultraleve no interior de São Paulo, ele perdeu o controle do equipamento e caiu de uma altura de 100 metros em sua fazenda, em Araraquara. Apesar das costelas quebradas e de um grande corte na cabeça, Emerson aguardou algumas horas pelo resgate se mantendo sempre consciente, principalmente por estar com seu filho Luca (então com seis anos), que sofreu algumas escoriações.

Emerson Fittipaldi Fórmula Indy 1996 (Foto: Getty Images)


Brincadeira na água deu susto em Senna


Outro brasileiro campeão na Fórmula 1 também levou um susto enquanto curtia uma rara folga de meio de ano no Brasil, em junho de 1991. Brincando com um amigo em alta velocidade com motos aquáticas em Angra dos Reis, onde tinha uma casa, Ayrton Senna perdeu o equilíbrio e caiu na água. Sem tempo de desviar com a outra moto aquática, o amigo acabou passando por cima da cabeça do então bicampeão, que sofreu um corte na parte de trás da cabeça e levou alguns pontos. O ferimento foi revelado quando Ayrton capotou sua McLaren alguns dias depois, nos treinos para o GP do México daquele ano.

Acidente de Ayrton Senna com moto aauática jet ski em destaque no jornal O Globo (Foto: Reprodução)



Acidente de motonáutica tirou a vida de francês


Anos antes de Senna bater a cabeça em um jet ski, um francês que passou perto de ser campeão da F-1 morreu acelerando sobre a água. Didier Pironi havia encerrado a carreira precocemente após um grave acidente com sua Ferrari quando liderava com folga o Mundial de 1982 (acabou vice por cinco pontos, mesmo sem disputar as cinco provas finais), e foi convidado para guiar as supervelozes "powerboats" do Mundial de Offshore. Em 1986, em uma das provas em mar aberto no entorno da Ilha de Whrigt, na Inglaterra, a lancha levantou voo e matou seus três ocupantes ao se chocar com a água: Pironi, de 35 anos, e seus companheiros de equipe Bernard Giroux e Jean-Claude Guenard.

Didier Pironi Fórmula 1 motonáutica powerboat Mundial de Offshore (Foto: Reprodução)

Outra estripulia que quase custou caro a um campeão mundial ocorreu em novembro de 2011 com Kimi Raikkonen. De contrato assinado para retornar à Fórmula 1 pela Lotus, após duas temporadas fora da categoria, o finlandês participou de uma brincadeira na neve a bordo de um snowmobile – um veículo que é uma espécie de trenó motorizado com a aparência de uma motocicleta. Em uma das curvas, Kimi deixou o equipamento escorregar e caiu de lado, fraturando a mão. Além dele, outros pilotos com passagem pela F-1, como Nick Heidfeld, Nico Hulkenberg, Sakon Yamamoto e Christian Klien também disputavam a prova, realizada na Áustria. Felizmente, o campeão de 2007 se recuperou a tempo de participar de todos os GPs do ano seguinte.

Pilotos de ponta se ausentaram por lesões extrapista

Entre pilotos que já brigaram pelo título mundial de Fórmula 1, algumas aventuras fora das pistas também provocaram o afastamento temporário destes competidores. No começo de 2009, Mark Webber sofreu um acidente de bicicleta durante uma corrida de aventura beneficente organizada por ele próprio na Nova Zelândia. Com a perna quebrada, o australiano perdeu os testes de pré-temporada da RBR justamente no momento que o alemão Sebastian Vettel se juntava à equipe. Já o colombiano Juan Pablo Montoya se ausentou do GP de San Marino de 2005 ao quebrar o braço em um tombo de moto. Acidente que foi notificado oficialmente como “uma queda em uma quadra de tênis”, para que o piloto tivesse direito ao seguro enquanto estivesse em recuperação. Seu substituto na McLaren, o austríaco Alexander Wurz, chegou em terceiro naquela prova com o carro da McLaren.

Juan Pablo Montoya McLaren Fórmula 1 (Foto: Getty Images)

fonte: globo.com

Posts Relacionados

0 comentários :