GP do Brasil de 1972

05/11/2014


Uma das características mais curiosas do primeiro GP de Fórmula 1 realizado no Brasil, em 1972, foi o dia em que foi realizado - uma quinta-feira!

Na realidade, a corrida não tinha sido originalmente marcada para o dia 30 de março. Tinha sido marcada para uma sexta-feira, dia 31!


Não fiquem agitados. O dia 31 era sexta-feira Santa naquele ano, portanto, os dirigentes do nosso automobilismo não estavam loucos.

A corrida foi mudada para o dia 30 por que no dia 2 seria realizada uma prova de Fórmula 2 do Campeonato Europeu, em Thruxton na Inglaterra, e muitos pilotos inscritos na nossa corrida também estavam inscritos na prova de F-2, coisa levada a sério na época. Inclusive alguns brasileiros estavam inscritos na corrida de F-2, Pace e Wilsinho.

Não houve jeito, senão remarcar a prova para uma quinta-feira. Acho que foi o único GP de F1 realizado numa quinta-feira, até hoje.

Muitos pilotos que supostamente estavam "confirmados" acabaram não vindo para a corrida. Algumas reportagens davam como certa a vinda da Ferrari, com Ickx e Regazzoni, da Tecno, com Bell e Galli (diga-se de passagem, dois Tecnos nunca correram numa única corrida), Rolf Stommelen com o Eifelland, Howden Ganley, com BRM e Niki Lauda com March, sem contar sugestões de que Lian Duarte participaria da corrida. Os boatos sobre Lian, desde 1970, eram muito insistentes na época. Entretanto, salvo pela sua má fadada temporada europeia com as Pygmee e sua participação no Temporada de F2 com a Surtees, nunca se concretizaram. Além destes, estariam inscritos como reservas Sam Posey e Alan Rollinson, o último sem dúvida uma escolha esquisita, pois nunca tinha corrido no Mundial de F-1 antes. O próprio Posey não era habituée das corridas de F1.

Na hora "h", estavam presentes quatro BRMs, que passaram vergonha, dois Brabham, dois Lotus, os dois carros de Frank Williams, e duas Marches de fábrica, uma delas com Luiz Pereira Bueno. Alguns dizem, incorretamente, que o carro foi inscrito pela Equipe Hollywood, mas era um carro da fábrica, com decalques e patrocínio da Hollywood, só isso.

Os mais jovens não devem cair no erro de supor que a realização do GP do Brasil de 1972 tinha a ver com o estupendo sucesso obtido por Emerson Fittipaldi no circuito de F1 daquele ano. Ledo engano. De fato, Antonio Carlos Scavone já vinha negociando a realização da prova desde 1971 (e os planos já existiam desde pelo menos a realização do Torneio BUA de F-Ford, de 1970, quem sabe antes). Teria sido interessante se Scavone tivesse tido tempo para escrever suas memórias, mas infelizmente o apto empresário morreu num acidente da Varig em Paris em 1973 e o automobilismo brasileiro perdeu um grande homem.

O GP do Brasil de 1972, na realidade, ocorreu antes que Emerson começasse a ganhar provas do Mundial de Pilotos de 1972. Naquele ano, Emerson só havia ainda ganho a Prova dos Campeões, sua segunda vitória na F1.

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