Grande Prêmio do Brasil de 1979

04/02/2014



Como acontecia nos anos 70, a F1 tinha o início do seu certame pela América do Sul, fechando em São Paulo. Em 1979 a novidade era a volta de Interlagos após um ano no novo (e hoje extinto) autódromo de Jacarepaguá. Após o mico de 1977, quando o asfalto ruim provocou vários acidentes numa única curva no circuito paulistano, a cidade de São Paulo promoveu uma reforma no velho circuito, mas quando os pilotos aportaram em Interlagos, a principal recvlamação deles estava exatamente no asfalto, muito ondulado. Ou seja, os pilotos e a F1 de trinta anos atrás podiam ser diferentes, mas a reclamação era a mesma!

Assim como era a mesma, a dominação surpreendente da Ligier nos treinos em Interlagos. Novamente Jacques Laffite e Patrick Depailler dominavam a primeira fila, trazendo as duplas de Lotus e Ferraris nas filas subseqüentes. Mostrando que o motor turbo funcionava maravilhosamente bem em circuitos com boas retas e mostrando evolução Jean Pierre Jabouille colocou seu Renault em sétimo, enquanto Fittipaldi fazia as honras da casa com um lugar entre os dez primeiros. Ainda com o pé machucado em Buenos Aires, Nelson Piquet quase não correu em São Paulo, mas com a motivação de correr em casa pela primeira vez na F1, o piloto da Brabham, mesmo sem condições físicas, estaria na penúltima fila. Mas marcaria presença!

Grid:
1) Laffite (Ligier) - 2:23.07
2) Jabouille (Ligier) - 2:23.99
3) Reutemann (Lotus) - 2:24.15
4) Andretti (Lotus) - 2:24.28
5) Villeneuve (Ferrari) - 2:24.34
6) Scheckter (Ferrari) - 2:24.48
7) Jabouille (Renault) - 2:24.85
8) Pironi (Tyrrell) - 2:25.16
9) Fittipaldi (Copersucar) - 2:26.35
10) Hunt (Wolf) - 2:26.37

O dia 4 de fevereiro de 1979 tinha sol entre nuvens em São Paulo, mas estava tudo preparado para uma boa corrida de F1. Ao menos em teoria. O domínio demonstrado até agora pela Ligier não prometia uma corrida com muita briga pela liderança, com a ponta devendo ser decidida entre os dois pilotos franceses da equipe. Laffite não repete o vacilo na Argentina e dispara na frente, enquanto Depailler imita Laffite na corrida anterior e perde uma posição para Reutemann, notório pelas suas boas largadas. No entanto, a Ligier mostrou sua forma rapidamente, com Laffite aumentando sua vantagem na ponta ainda na primeira volta, enquanto Depailler deixava Reutemann para trás. Mostrando que ainda tinha a aura de campeão, Mario Andretti partiu para cima do seu companheiro de equipe e ultrapassou Reutemann para ser terceiro.

Porém, a alegria do americano durou pouco e ainda na segunda volta, Andretti levou seu Lotus ao box. Reutemann sempre andava bem em Interlagos e havia vencido a última corrida em São Paulo, mas em 1979 o seu Lotus não estava rendendo muito bem e era pressionado por um excepcional Emerson Fittipaldi, que tinha feito uma ótima largada com seu Copersucar e levantava a torcida enquanto brigava pelo terceiro lugar. Atrás do brasileiro, outra briga se desenvolvia entre a Ferrari de Scheckter e o Tyrrell de Pironi, ambos observados de perto por Gilles Villeneuve.

Lá atrás, uma bonita história se desenvolvia para a alegria da torcida brasileira. O pé de Nelson Piquet estava bastante dolorido e o brasileiro sabia que não agüentaria a prova inteira. De forma corajosa, Piquet resolveu correr, mas sabendo de suas limitações, partiu para cima dos seus adversários de uma forma impressionante. Suas ultrapassagens, que ocorriam de forma quase contínua, levantaram o público, que vibrava quando Nelson aparecia cada vez mais à frente. Na quarta volta ele já aparecia em décimo terceiro, nove posições acima de onde largou, à frente de Niki Lauda e a ponto de ultrapassar a Williams de Clay Regazzoni. O suíço era conhecido pela agressividade em segurar uma posição e a torcida, prevendo o que poderia ocorrer, se preparou para a batalha entre a velha raposa e o novato atrevido. Como era de se esperar, Clay não aliviou e sem muita cerimônia colocou Piquet para fora da pista. Absolvido pela torcida, Nelson ainda voltou à pista e abandonou na volta seguinte. Mas sua missão estava cumprida!

Lá na frente, Laffite e Depailler andavam juntos e eram muito mais rápidos do que os demais, enquanto Reutemann segurava sem grandes sobressaltos Emerson Fittipaldi. Scheckter e Pironi faziam uma briga animada pelo quinto posto e após muita disputa, o francês deixou a Ferrari para trás e despachou Scheckter. Enquanto isso, a bela corrida de Fittipaldi acabou na volta 22 quando a roda traseira quebrou e saiu sozinha, fazendo com que o brasileiro fosse tristemente aos pits, para uma tristeza maior ainda da torcida. As Ferraris tem problemas com seus pneus Michelin e tem que fazer uma parada não programada. Com borracha nova, a dupla ferrarista partiu para cima dos seus adversários e logo estavam nas mesmas posições que estavam antes de parar, mas como Villeneuve parou primeiro, estava à frente de Scheckter no final. Lá na frente, nada mudou, com Laffite e Depailler conseguindo a primeira dobradinha da história da Ligier e Jacques se destacando como líder inconteste do campeonato, com o insistente Carlos Reutemann, terceiro na prova, atrás do francês, que àquela altura, parecia invencível. Parecia...

Chegada:
1) Laffite
2) Depailler
3) Reutemann
4) Pironi
5) Villeneuve
6) Scheckter

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