Grande Prêmio de San Marino de 1989

23/04/2014

A F1 voltava à Europa um mês após a inesperada vitória de Nigel Mansell no Grande Prêmio do Brasil, debaixo de muito calor em Jacarepaguá. Todos se perguntavam no paddock se o domínio avassalador que a McLaren mostrou em 1988 tinha simplesmente desaparecido, tendo agora a Ferrari com câmbio semi-automático como principal rival. A resposta veio rápida e seca.

Senna e Prost dominaram os treinos de Classificação com a mesma facilidade de 1988, com o brasileiro superando seu companheiro de equipe em pouco mais de dois décimos, enquanto o piloto mais próximo deles, a Ferrari de Nigel Mansell, estava quase 1.5s atrás. Ainda no início da temporada, um bloco compacto de Ferraris e Williams pareciam ser as únicas a desafiar, mesmo que a distância, a McLaren. Benetton e Lotus vinham logo atrás, mas o surpreendente Johnny Herbert, que havia conquistado um ótimo quarto lugar no Brasil em sua estréia na F1 e pela Benetton, teve que amargar uma 23º posição no grid em Ímola. Anteriormente pilotos de ponta, os antigos companheiros de equipe na Ferrari Michele Alboreto e René Arnoux não conseguiram ser rápidos o bastante para largar e ficaram de fora da corrida no domingo.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:26.010
2) Prost (McLaren) - 1:26.235
3) Mansell (Ferrari) - 1:27.652
4) Patrese (Williams) - 1:27.920
5) Berger (Ferrari) - 1:28.089
6) Boutsen (Williams) - 1:28.308
7) Nannini (Benetton) - 1:28.854
8) Piquet (Lotus) -1:29.057
9) Caffi (Dallara) - 1:29.069
10) Grouillard (Ligier) - 1:29.104

O dia 23 de abril de 1989 amanheceu com tempo bom e a expectativa para uma corrida tão boa como havia sido em Jacarepaguá. A largada ocorreu de forma normal, com Senna largando melhor do que Prost e o francês chegando a ser atacado por Patrese, que havia feito uma ótima largada, mas acabaria sendo ultrapassado por Mansell no decorrer da primeira volta. A corrida seguia seu curso normal, quando o grande susto do final de semana ocorreu. Gerhard Berger vinha na quinta colocação quando sua Ferrari perdeu a asa dianteira de forma repentina bem no momento em que o austríaco fazia o aproche da perigosa curva Tamburello. Berger foi reto e bateu de frente no muro de concreto a 260 km/h. A Ferrari se arrastou pelo muro até explodir em chamas. Os bombeiros demoraram menos de 10s para chegar ao local do acidente e poucos segundos depois o fogo estava apagado, mas Berger estava imóvel dentro do carro. Todos pensaram o pior e nenhum torcedor italiano queria ver um piloto Ferrari morrendo dentro de casa, mas demonstrando a boa construção dos carros de F1 na época, Berger teve apenas um costela quebrada e queimaduras nas mãos. O piloto da Ferrati voltaria à F1 duas corridas depois e os comissários seriam elogiados pela eficiência de como entraram rapidamente em ação e salvaram Berger. Bem diferente de cinco anos depois...

Após o susto, a polêmica. Com o acidente de Berger, a corrida foi interrompida e os 22 carros restantes fariam a relargada minutos depois. Senna e Prost conviviam muito bem dentro da McLaren, apesar do francês sempre deixar nas entrelinhas que o companheiro de equipe era beneficiado com a boa relação que tinha com a Honda. Desde 1988, os pilotos da McLaren, que normalmente largavam na primeira fila, tinham feito um acordo verbal em que eles não se atacariam até a primeira curva, com a parada sendo decidida para quem largasse melhor e para evitar acidentes, a disputa continuaria quando a corrida estivesse mais assentada. Em Ímola, Senna havia largado melhor na primeira tentativa, mas na segunda, Prost saí muito melhor e liderava o pelotão na curva Tamburello. Na prática, a Tamburello não era uma primeira curva propriamente dita, mas se fazia ela de pé embaixo. A "primeira curva", após passarem com pé na tábua pela Villeneuve, era a forte freada para a Tosa, a curva de número três do circuito. Senna pegou o vácuo de Prost após a Tamburello e colocou por dentro da Tosa, efetuando a ultrapassagem e iniciando um dos períodos mais tensos da história da F1.

Enquanto as McLarens disparavam na frente, a briga pelo terceiro lugar era entre a Williams de Patrese e a Ferrari de Mansell, mas o inglês segurava Patrese sem grandes sobressaltos, para a alegria dos tifosi, felizes com o desempenho da Ferrari, mesmo que um italiano ficasse para trás. A batalha durou até a volta 21, quando Patrese abandonou com o motor quebrado, mas a torcida italiana ficou decepcionada quando Mansell encostou sua Ferrari quatro voltas depois com problemas no delicado câmbio semi-automático do seu carro. Nannini assumia a terceira posição, seguido por Boutsen, se aproveitando do abandono de Nelson Piquet na metade da prova. Prost era muito mais lento do que Senna e ainda teve uma rodada, em que o francês cortou caminho para voltar à pista e receber a bandeirada em segundo lugar. Senna vencia pela primeira vez após se sagrar Campeão do Mundo e demonstrava que o incidente no Brasil foi passageiro, mas o clima no pódio era péssimo. Prost parecia extremamente irritado e Senna parecia um pouco sem ânimo para comemorar.

Após a prova, Prost desancou a criticar Senna, dizendo que o brasileiro havia quebrado o acordo que eles mantinham desde o ano anterior, duvidando até mesmo da questão moral do companheiro de equipe. "Eu me senti... nem sei dizer o nome...", falaria um inconformado Prost duas semanas depois. Senna falava que o acordo tinha sido cumprido na primeira largada e que na relargada, eles poderiam dar tudo e assim o brasileiro fez. Apesar do ritmo bem mais lento, Prost disse que venceria aquela corrida e que foi surpreendido com a ultrapassagem de Senna. O relacionamento deles nunca mais foi o mesmo e a McLaren viveu uma verdadeira guerra civil até o final do ano.

Chegada:
1) Senna
2) Prost
3) Nannini
4) Boutsen
5) Warwick
6) Palmer

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