Grande Prêmio de San Marino de 1984

07/05/2014

Uma semana após o triunfo de Michele Alboreto em Zolder, os tifosi se animaram com o sucesso do italiano da Ferrari e partiram como se fossem a uma romaria para Ímola verem o Grande Prêmio de San Marino. Vítima constante de quebras de motores naquele início de 1984, a BMW resolve testar um novo tipo de gasolina na Brabham de Nelson Piquet e os resultados não foram o esperado, fazendo com que o atual campeão Piquet fosse à Ímola, zerado em pontos, sem nenhuma novidade para tentar mudar a sua situação. A grande polêmica do final de semana era a briga entre a equipe Toleman e a fornecedora italiana Pirelli. Acusada de ceder pneus de má qualidade para a pequena esquadra inglesa, a Pirelli se recusou a entregar seus pneus para a Toleman na sexta-feira, que já tinha feito um acerto com a Michelin. Um acordo mediado por Bernie Ecclestone fez com que a Toleman participasse normalmente do final de semana em Ímola, mas a partir da próxima prova, em Dijon, a Toleman já estaria calçada com a Michelin.

A sexta-feira foi debaixo de muita chuva e os tempos de sábado definiram o grid para domingo. Como havia acontecido há algum tempo, a briga pela pole ficou entre Nelson Piquet e Alain Prost, com o brasileiro conseguindo a vantagem sobre o francês com apenas um décimo de vantagem. Por sinal, era a décima pole de Piquet na F1. O novo herói dos tifosi Alboreto teve vários problemas mecânicos no sábado e conseguiu apenas o 13º tempo, o mesmo acontecendo com Tambay e os dois carros da Lotus. Para a Toleman, os problemas continuaram com Ayrton Senna tendo sérios problemas em seu carro e quando estava pronto, já no final da classificação, uma chuva molhou a pista e Senna não se classificou para a corrida, algo que nunca mais voltaria a se repetir.

Grid:
1) Piquet (Brabham) - 1:28.517
2) Prost (McLaren) - 1:28.628
3) Rosberg (Williams) - 1:29.418
4) Warwick (Renault) - 1:29.682
5) Lauda (McLaren) - 1:30.325
6) Arnoux (Ferrari) - 1:30.411
7) Winkelhock (ATS) - 1:30.723
8) Cheever (Alfa Romeo) - 1:30.843
9) Fabi (Brabham) - 1:30.950
10) Patrese (Alfa Romeo) - 1:31.163

O dia 6 de maio de 1984 estava muito nublado e mesmo com o tempo chuvoso nos dias anteriores, a previsão era de pista seca em todas as 60 voltas da corrida. Durante o warm-up (lembram dele?) Prost tem problemas em seu carro e por isso larga com o carro reserva, algo no qual ele não se arrependeria. Os dois protagonistas da primeira fila largam bem, ao contrário de Rosberg (que abandona ainda na segunda volta) e Lauda, que ficam praticamente parados no grid e perdem várias posições. Na corrida até a Tamburello, Prost consegue efetuar a ultrapassagem sobre Piquet, enquanto que na freada para a Tosa, Eddie Cheever, que havia largado mal, acerta a traseira de Tambay, quebrando a suspensão do francês da Renault e fazendo-o abandonar. 

Imediatamente Prost imprime um ritmo forte e abre de Piquet, que era seguido de perto por Derek Warwick. Após cair para décimo na largada, Lauda força vindo de trás e marca a volta mais rápida da prova. Em oito voltas o austríaco já havia ganho quatro posições e estava na zona de pontuação, enquanto Prost abria 1s por volta sobre Piquet. Alboreto, que havia feito uma largada espetacular, comboiava o companheiro de equipe Arnoux na quinta posição, mas logo teria a companhia de Lauda, que voava na pista. Na 12º volta Lauda tenta ultrapassar Alboreto por fora na Villeneuve, mas o austríaco só completa a manobra na Piratella. Com Lauda muito mais rápido, Arnoux não coloca muita oposição ao austríaco e na volta seguinte Lauda já estava em quarto e se aproximando de Warwick, que nesse momento estava mais de 4s atrás de um tranquilo Piquet.

Quando Lauda já ameaça ultrapassar Warwick, um pouco de fumaça escapa da traseira da McLaren de Niki: o motor Porsche havia quebrado. Porém, esse não seria o único problema da McLaren. Prestes a colocar uma volta em Thierry Boutsen na Rivazza, Prost roda sozinho, mas continua na prova. "Tive muita sorte em não ter deixado o motor morrer", diria Alain depois da prova. Um problema eletrônico fazia com que Prost tivesse dificuldades nas freadas, fazendo com que o francês tivesse que adaptar sua pilotagem a partir dali, mas aparentemente o ritmo de Prost não é afetado, tanto que sua diferença para Piquet aumentava, enquanto Warwick novamente pressionava o brasileiro, efetuando a ultrapassagem na volta 22, mas Piquet não desiste e continua próximo ao inglês da Renault. René Arnoux faz sua parada na volta 22 e volta em sexto, mas duas voltas mais tarde, a parada de Alboreto se arrasta, com o italiano conversando com Mauro Forghieri sobre problemas na Ferrari que fariam o italiano abandonar, para tristeza dos tifosi que lotaram o Autodromo Enzo e Dino Ferrari. Enquanto Arnoux e Fabi brigavam pela quarta posição, Piquet retomava o segundo posto de Warwick, mas sua desvantagem para Prost era de 31s na volta 30, fazendo com que Prost fizesse sua parada tranquilamente e retornar ainda na primeira posição, com 10s de vantagem sobre Piquet.

Com pneus novos e após se livrar de Fabi, René Arnoux dá um pouco de alegria para os tifosi e parte para cima de Warwick, assumindo o terceiro lugar na 40º volta, numa audaciosa manobra na Tamburello. Warwick tem que tirar o pé, pois o computador de bordo de seu Renault mostrava que o consumo de combustível estava muito alto e ele perdeu contato com Arnoux, que agora pressionava Piquet pelo segundo posto. Resistindo aos ataques de Arnoux, Piquet faz a volta mais rápida da corrida, mas na volta seguinte o brasileiro entra nos boxes com muita fumaça saindo do motor BMW. Era o quarto abandono de Piquet em quatro corridas e para aumentar a frustração da Brabham, Teo Fabi, que nessa altura se aproximava de Warwick, entrou nos boxes momentos depois com o mesmo problema. "Eles tem que consertar isso", esbravejou Piquet após mais essa frustração. Enquanto isso na pista, os pilotos viviam problemas de consumo de combustível, um drama usual em Ímola. Andando o mais devagar possível, Warwick é facilmente ultrapassado pelos italianos Andrea de Cesaris e Elio de Angelis. Tentando dar o primeiro pódio a Ligier depois de dois anos, De Cesaris tenta resistir aos ataques de Elio e isso se mostraria fatal, pois Andrea acabaria sem combustível quando faltavam duas voltas. Para não ter que dar outra volta, Warwick permite que Prost lhe coloque uma volta e os dois pilotos cruzam assim a linha de chegada. Arnoux tentava dar um pequeno consolo aos torcedores italianos ficando em segundo lugar. Para maior frustração de Andrea de Cesaris, Elio de Angelis fica sem combustível na última volta, mas garante um lugar no pódio. Foi uma demonstração soberba de Prost, que mostrou que a McLaren tinha o melhor carro de 1984, enquanto sua segunda vitória lhe garantia a liderança do campeonato.

Chegada:
1) Prost
2) Arnoux
3) De Angelis
4) Warwick
5) Boutsen
6) De Cesaris

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