Grande Prêmio do México de 1989

29/05/2014

Um mês após seu terrível acidente em Ímola, Gerhard Berger retornava ao cockpit da sua Ferrari de forma miraculosa, mas o austríaco era claramente ajudado pelo novo câmbio semi-automático da Ferrari, que fazia com que o piloto não usasse a palma da mão direita para passar a marcha, algo que seria impossível para Berger fazer devido as queimaduras nas suas mãos resultantes do acidente na Tamburello. Essa basicamente era a única novidade para o início da temporada norte-americana da F1 no México, mas a guerra fria dentro da McLaren seguia cada vez mais quente.

Ayrton Senna conseguia sua 33º pole na F1, o que o igualou a Jim Clark como o maior poleman da história da F1, além de igualar ao recorde de Niki Lauda de seis poles consecutivas em 1974. Prost fica quase 1s atrás de Senna, em segundo na classificação, o que não era algo tão raro assim de acontecer durante a convivência com Ayrton na McLaren, mas devido à guerra civil dentro da equipe naquela altura, Alain acusou a Honda de dar melhores motores a Senna, deixando os japoneses irritados e causando mais um mal estar dentro do reino de Ron Dennis. Ivan Capelli surpreende ao conseguir um quarto lugar no grid e Berger retornava com uma sexta posição. Já a Lotus continuava sofrendo e o tricampeão Nelson Piquet teve que amargar a última posição do grid.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:17.876
2) Prost (McLaren) - 1:18.773
3) Mansell (Ferrari) - 1:19.173
4) Capelli (March) - 1:19.377
5) Patrese (Williams) - 1:19.656
6) Berger (Ferrari) - 1:19.835
7) Alboreto (Tyrrell) - 1:20.066
8) Boutsen (Williams) - 1:20.234
9) Modena (Brabham) - 1:20.505
10) Warwick (Arrows) - 1:20.601

O dia 28 de maio de 1989 estava quente e ensolarado, como nas outras corridas realizadas no Circuito Hermanos Rodríguez desde que a prova mexicana voltou ao calendário da F1 em 1986. O que também permanecia no circuito era os famosos bumps, que tanto incomodavam os pilotos. Na largada, as Ferraris pulam na frente, enquanto Andrea de Cesaris batia em Nakajima e fazia o japonês sair da pista. No final da primeira volta, a suspensão de Stefano Modena quebra justamente na curva mais rápida e famosa da pista, a Peraltada, e o italiano bate forte, mas sem consequências ao piloto da Brabham. Com esses dois incidentes, a bandeira vermelha é mostrada no final da primeira volta e a corrida começaria do zero. Menos para o pobre Ivan Capelli, que tem problemas no seu March e tem que abandonar ainda antes da segunda largada e para completar o calvário da March, Maurício Gugelmin também tem problemas e larga dos boxes. Desta vez sem incidentes, Senna e Prost se defendem bem dos ataques da Ferrari na largada e ficam na ponta da prova, seguidos por Berger e Mansell.

Enquanto as duas McLaren desapareciam no horizonte, como já era costume desde 1988, Prost não conseguia usufruir dos pneus macios que calçava no começo de prova, com Senna mantendo uma distância segura na frente e sabendo que seus pneus duros não se desgastariam tanto quanto os de Prost. As duas Ferraris ainda tentavam manter contato, com Mansell assumindo o 3º lugar na volta 7, mas já nessa altura se sabia que a corrida pertencia à McLaren. Senna estabelece uma vantagem de 3s sobre Prost, enquanto Boutsen (problema elétrico) e Berger (transmissão) abandonavam ainda antes da vigésima volta. Vendo que seus pneus estavam acabando, Prost faz sua primeira parada ainda na 20º volta, antes de um terço de prova, retornando em sexto.

Com seu maior rival distante da briga, Senna passa a controlar sua vantagem para Mansell, que tinha problemas em superar os retardatários e tinha o terceiro colocado Patrese próximo a ele. Para surpresa geral, Prost retorna aos boxes quinze voltas depois de sua primeira parada por desgaste excessivo dos pneus macios e para completar, a McLaren demora 15s para efetuar a troca por problemas na roda dianteira direita, derrubando Prost para oitavo, mas desta vez o francês sai dos boxes com pneus duros e com a expectativa de ir até o final. Para desespero de Prost, ele retorna à pista logo à frente de Senna, que não perde a oportunidade de humilhar ainda mais seu rival e coloca uma volta no seu companheiro de equipe e arquirrival. Nigel Mansell faz a volta mais rápida da corrida, mas três voltas depois o inglês encosta sua Ferrari na grama com o câmbio quebrado, elevando Patrese ao segundo lugar e, de forma impressionante, Michele Alboreto no terceiro posto.

Com 30s de vantagem sobre Patrese, Ayrton Senna tira o pé nas voltas finais e permite a Prost recuperar a volta, mas o francês teve que se conformar com uma pálida quinta posição. Patrese chega em segundo lugar, garantindo o primeiro pódio da parceria Williams-Renault, mas era Alboreto que mais vibrava, pois o italiano foi capaz de acompanhar a Williams do seu compatriota e ficar menos de 5s atrás de Patrese. Seis meses depois de sair da Ferrari e quase ficar sem lugar na F1, Alboreto mostrava que ainda tinha condições de conseguir bons resultados na F1. Com esses resultados de uma corrida sem graça, Senna assumia a ponta do campeonato e na entrevista pós-corrida, põe ainda mais lenha na fogueira da McLaren quando critica Prost pela escolha dos pneus. A guerra fria só esquentava!

Chegada:
1) Senna
2) Patrese
3) Alboreto
4) Nannini
5) Prost
6) Tarquini 

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