GP da Alemanha de 1999

19/07/2014

PASSA, EDDIE
Pela primeira vez Irvine sente como é bom ter prioridade na
 equipe - e ganha de Salo um presente em Hockenheim:
Por Reginaldo Leme
Temporada Dados do GP
Como ninguém mais se espanta com ordem dos boxes na Fórmula 1, o público teve de aceitar em Hockenheim que o Mundial tinha um novo líder, sem contestar sua legitimidade. E era Eddie Irvine, da Ferrari, que sentiu na Alemanha como era bom ser primeiro piloto. Seu novo companheiro de equipe, Mika Salo, assumiu o papel que era do irlandês até 11 de julho, quando Michael Schumacher partiu dois ossos da perna direita no acidente de Silverstone. Eddie venceu uma prova que caiu no seu colo. Ficou feliz por assumir a liderança do campeonato, mas foi honesto ao dizer que não estava com clima para comemorar. “São apenas dez pontos. Não foi aquela vitória”, admitiu, esticando as sílabas em “aquela” e cerrando os punhos. “Mika foi a estrela hoje e ganhou a corrida. Vou dar meu troféu a ele. ”Referia-se a Salo, claro, e não ao outro Mika, o Hakkinen da McLaren. A equipe italiana fez sua segunda dobradinha no ano e deleitou-se com mais um dia desastrado dos rivais prateados. Hakkinen, até então o líder do Mundial, teve um pneu estourado e abandonou na 26ª volta. David Coulthard chegou em quinto, depois de várias trapalhadas — toque em Salo, uma punição por passar Panis cortando uma chicane e, no total, três pit stops. Hakkinen cumpria sua obrigação até o acidente, na entrada do estádio. Largou na pole e ficou na ponta até seu pit stop, na 24ª volta. A parada foi um desastre, 42s414 da entrada à saída dos boxes, porque o equipamento de reabastecimento falhou. Mesmo assim, ele tinha carro para ganhar, até o estouro do pneu. Irvine fez uma corrida correta, apenas. Na largada, caiu de quinto para sexto, atrás de Hakkinen, Salo, Coulthard, Frentzen e Barrichello. “Larguei bem, mas o David me espremeu, fui para o lado sujo da pista e Frentzen e Barrichello me passaram. Quando isso aconteceu, percebi que minha única opção era esperar que a corrida viesse para mim. E de fato ela veio’’, explicou. Eddie foi subindo aos poucos. Na sétima volta, Rubinho abandonou com pane hidráulica. Na décima, Coulthard tentou passar Salo na segunda chicane, perdeu parte da asa dianteira e teve de ir para os boxes trocar o bico. Irvine já estava em quarto quando Frentzen fez seu pit stop, na volta 21. Levou 10s5 (28s919 no total, da entrada à saída dos boxes). Eddie parou na volta seguinte: 9s4 para trocar pneus e reabastecer (27s362). Resultado: passou o alemão nos pits. Logo depois veio o acidente de Hakkinen e Irvine viu-se em segundo, apenas com Salo à sua frente.
O substituto de Schumacher tinha tudo para ganhar a corrida, inclusive um carro mais rápido que o de Irvine. Mas, como bom funcionário recém-contratado, na 26ª volta tirou o pé e deixou Eddie ir embora. Frentzen chegou em terceiro, seguido por Ralf Schumacher, Coulthard e Panis. No Mundial, Irvine foi a 52 pontos, contra 44 de Hakkinen. Eddie confessou que se sentiria muito mal se tivesse de abrir caminho para seu companheiro vencer um GP — como já fizera algumas vezes, aliás. Mas Salo não estava nem aí por ter deixado de ganhar sua primeira corrida. “É o melhor resultado da minha carreira. Quando vi P1 (posição 1) na placa dos boxes, nem acreditei. Deixei Eddie me passar logo depois do pit stop, mas então pedi ao time para mandar ele acelerar, porque o Frentzen estava chegando. Conversei com Schumacher quando a Ferrari me chamou, e ele me disse para apenas guiar o carro, que a equipe fazia o resto. Ele estava certo”, falou o finlandês. Irvine chegou à terceira vitória de sua carreira. No pódio, mais uma vez Jean Todt, o diretor esportivo da equipe, abriu mão de receber o troféu. Mandou o chefe dos mecânicos, Nigel Stepney. Mas, ao contrário do que aconteceu em Zeltweg, quando mostrou a cara amarrada mesmo depois da vitória de Irvine, seu desafeto, em Hockenheim Todt sorriu. E comemorou. “Era o nosso dia. Salo foi fantástico e mostrou espírito de equipe. Eddie fez uma corrida perfeita e poupou o seu carro, o que é necessário numa pista que exige muito de motor e freio. Sempre acreditamos que podíamos ganhar o campeonato e isso ainda é possível.”
A ironia dominical foi que a McLaren escolheu bem o dia da corrida para anunciar a renovação dos contratos de seus dois pilotos. Esperava festa algumas horas depois, mas acabou tendo apenas decepções. Antes da largada a equipe oficializou a permanência da dupla para o ano 2000, pela quinta temporada consecutiva, Hakkinen ia para seu oitavo ano de McLaren. “Nem posso imaginar a vida longe daqui”, falou. Coulthard, que chegou a ter o emprego ameaçado, estava cheio de desculpas para dar pelo mau resultado em Hockenheim. O toque em Salo, quando lutava pela segunda posição, foi explicado assim: “Não ia passá-lo ali, mas ele brecou muito cedo e eu tive de colocar o carro por dentro para evitar a batida”. David foi para os boxes, trocou o bico e mudou sua estratégia para dois pit stops. Voltou à pista e tentou passar Panis. Cortou uma chicane para superar o francês. Recebeu um pênalti de dez segundos. E explicou assim: “Tentei evitar um acidente e por isso cruzei a chicane. Não entendi a punição”. No fim, saiu dos boxes cortando uma linha pintada no asfalto de forma irregular, mas os comissários concluíram que ele não merecia mais um stop & go. No total, em três paradas, Coulthard gastou 1min25s589 nos boxes, 58s227 mais do que Irvine, o vencedor. E chegou apenas 16s823 atrás do irlandês, o que mostra quanto seu carro era rápido e como poderia vencer a prova sem dificuldades, não fosse a precipitação para passar Salo e todos os erros decorrentes do incidente.
O FIM DE SEMANA
GENÉ SURPREENDE
Na Alemanha, pela primeira vez Marc Gené não largou na última fila. Conseguiu o 15° lugar, para alegria de seu patrão, Giancarlo Minardi. Até Hockenheim, ele tinha sido três vezes penúltimo, e seis vezes o último no grid. Na prova, o espanhol foi o nono, sem tomar volta de ninguém. "Estamos no caminho certo", exagerou o diretor do time, Cesare Fiorio.

MCLAREN, 100 POLES
A pole-position de Hakkinen no circuito alemão foi a 100ª da história da McLaren na F-1. O resultado final da corrida para o time prateado, no entanto, foi um desastre. Um titulo que parecia fácil começou a ficar complicado. Nas três provas pós-acidente de Schumacher, inclusive a corrida da Inglaterra, Mika havia somado apenas quatro pontos. Irvine marcara 26, com duas vitórias seguidas e um segundo lugar. Daí ter reassumido a liderança do campeonato, com oito pontos de vantagem sobre o finlandês.

PRÊMIO PARA PANIS
O francês da Prost foi um dos poucos que optaram por dois pit stops, e sua recompensa foi o sexto lugar. "Dava para chegar em quarto se eu não tivesse largado tão mal. Pelo menos marcamos um ponto". Panis fez a segunda melhor volta da prova, 1min46s823. Coulthard, com 1min45s270, foi o mais rápido e atingiu 357,4 km/h no ponto mais veloz do circuito.

CRISE NA JORDAN
Damon Hill abandonou a corrida na 14ª volta porque estava com medo dos freios. "A equipe me mandou continuar, mas não havia sentido. Travei os freios três vezes e era muito perigoso. Sou eu que estou no cockpit, e sou eu que corro os riscos, por isso decidi parar”, disse o inglês. "Precisamos conversar. Ele ainda não me deu explicações", respondeu o patrão Eddie Jordan. Depois, elogiou Frentzen, que subiu ao pódio pela quarta vez neste ano. "Ele sim provou que era possível marcar pontos aqui."

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