GP da Belgica de 1999

21/07/2014

MENINO MALUQUINHO
Coulthard espreme Hakkinen na largada, vence em Spa e deixa o companheiro furioso:
Por Reginaldo Leme
Temporada Dados do GP
Não houve cumprimentos, abraços ou banho de champanhe. Nem parecia que a McLaren havia feito sua terceira dobradinha no ano e assumido, pela primeira vez em 99, a liderança entre os construtores. A vitória de David Coulthard no GP da Bélgica expôs ambiente tenso e delicado na equipe prateada. Ganhou o piloto errado. Mika Hakkinen, o segundo colocado, não entendeu por que o time não mandou seu companheiro tirar o pé para deixá-lo vencer, já que suas chances de conquistar o título eram bem maiores que as do escocês. “Optamos pelo espírito esportivo” foi uma das explicações oficiais, saída da boca de Norbert Haug, da Mercedes.“Enquanto os dois tiverem chances matemáticas, não haverá ordens da equipe”, completou o chefe Ron Dennis. Foi melhor para o campeonato, embora tenha sido uma surpresa numa época em que ninguém se surpreende mais quando um piloto pára seu carro na pista para deixar o parceiro mais bem colocado na pontuação passar. Mas David não estava nem aí para o que pensava Hakkinen. Conseguiu sua segunda vitória no ano, sexta na carreira, e entrou na briga pela taça. Matematicamente, como queria Dennis. Foi a 46 pontos e ficou a apenas 14 de Mika, que reassumiu a ponta na classificação. Irvine, quarto colocado em Spa, passou a 59. O finlandês não tornou pública sua insatisfação, mas insinuou várias vezes que esperava mais apoio do time. Primeiro na largada, quando foi atacado e espremido por Coulthard. Mika largou mal, chegou a deixar o carro se mover antes de as luzes se apagarem e na La Source, a primeira curva de Spa, viu David à sua esquerda, meio carro à frente. Os dois se tocaram de leve. Coulthard saiu-se melhor e foi embora. Em 17 voltas, abriu 10s2 de vantagem sobre Mika. “Decidi não atacar porque não adiantaria nada. Resolvi que o segundo lugar estava bom logo no começo”, admitiu Hakkinen. “Temos carros iguais, não ia conseguir passar, mesmo.”
Sem chuva, o GP belga foi enfadonho. As cinco primeiras posições da primeira volta mantiveram-se até o final, mesmo depois das duas baterias de pit stops dos líderes — entre as voltas 17 e 19, e 31 e 34. Atrás de David e Mika estavam Frentzen, da Jordan, Irvine e Ralf Schumacher. Apenas uma equipe de ponta optou por uma única parada, a Williams, e deu certo no caso de Ralf, que chegou em quinto. Alessandro Zanardi seria o sexto, mas teve de fazer um pit stop extra porque o reabastecimento falhou. Quem largou mal acabou ficando para trás, casos específicos de Damon Hill (quarto no grid e sexto na prova) e Rubens Barrichello (sétimo no grid, décimo na corrida). Hakkinen foi bombardeado pelos jornalistas sobre as ordens da equipe que, afinal, não foram dadas. Perguntaram se ele gostaria que mandassem Coulthard deixá-lo passar. Mika parou, pensou, fez careta e disse: “Próxima pergunta”. Você pediu para o Ron Dennis? E Hakkinen: “Não”. Esperava que ele desse a ordem? Aí Mika se irritou, balançou as mãos e indicou que aquele assunto estava encerrado. Coulthard ficou sem graça e tentou atenuar a situação. “Não há nada de errado entre nós. Esse tipo de coisa discutimos internamente e antes das corridas, não durante, nem depois”, disse. Irvine, já de malas prontas para deixar a Ferrari, achou que o resultado foi bom, pelas circunstâncias. “Nosso carro não esteve rápido o fim de semana todo”, disse. E, sobre a atitude “esportiva” da McLaren, deixando Coulthard vencer, Eddie só poderia mesmo destilar sua fina ironia irlandesa: “Eles sempre dão um presentinho para a gente”.
Como na pista a corrida foi um tédio, nada melhor que as briguinhas de bastidores para animar o fim do domingo de Spa. Logo depois da prova, Patrick Head, sócio e projetista da Williams, disparou contra a Ferrari, chamando a equipe de “cínica” e “desonesta”. “Tomara que eles percam tudo este ano”, esbravejou o inglês. O problema aconteceu quando Ralf retornou à pista após seu único pit stop, atrás de Salo, disputando a sétima colocação, na 23ª volta. O finlandês segurou o alemão por dez voltas, com a diferença entre os dois oscilando entre meio e um segundo. “Infelizmente Ralf foi bloqueado pelo cinismo da Ferrari, essa equipe de um carro só. Mika ficou protegendo a posição do Irvine e me surpreende muito que ele tenha se prestado a esse tipo de coisa. A Ferrari tem feito isso há muito tempo. A Mcbaren é que merece elogios por seu espírito esportivo”, continuou Head. No final, Irvine conseguiu manter a quarta posição e recebeu a bandeirada apenas 3s119 á frente de Schumacher. A Williams teve razão em estrilar. Head chegou a deixar seu “pit wall” para reclamar pessoalmente com Jean Todt junto à turma da Ferrari. “Não consegui um resultado melhor por circunstâncias impossíveis de prever”, falou Ralf, diplomático.
No mais, o GP belga de 99 ficou marcado por mais uma seqüência de sustos aplicados pela BAR em seus pilotos, durante os treinos. Na sexta-feira, Villeneuve estava a 300 km/h na reta Kemmel e, quando chegou para a freada da Les Combes, a suspensão dianteira direita simplesmente quebrou. Ele destruiu o carro, mas não se machucou. No dia seguinte, mais dois carros da BAR foram para o lixo, num espaço de 18 minutos. As 13h31, Jacques se espatifou na Radillon, a curva de alta logo depois da Eau Rouge. O treino foi interrompido e, no reinicio, às 13h49, foi Zonta quem transformou seu carro em pó, batendo e capotando na Eau Rouge. Os pilotos nada sofreram, mas a BAR ficou sem chassis para a corrida. Por telefone, a equipe chamou o caminhão que estava levando dois carros para testes em Monza, na semana seguinte. “Pode vir pra cá”, ordenou Craig Pollock, sob olhares desconfiados de todos diante da fragilidade dos carros do time estreante.
O FIM DE SEMANA
GP SEM CIGARRO
Pela primeira vez, o GP da Bélgica foi disputado sem publicidade de cigarro nos carros. Um decreto local, da região da Valônia, permitia, mas uma lei federai de 98 acabou prevalecendo. Os times patrocinados pelo tabaco disfarçaram suas marcas. A McLaren, por exemplo, escreveu "David" e "Mika" em seus carros. A Ferrari colocou o logotipo oficial da F-1.
SCHUMI AINDA FORA
Quem esperava a presença de Schumacher na Bélgica, depois dos bons testes de Mugello, teve suas expectativas frustradas três dias antes do início dos treinos em Spa. A Ferrari comunicou que Salo continuaria no time e que o alemão faria novos testes no inicio de setembro, em Monza, para tentar voltar no GP da Itália. A cada adiamento, a McLaren comemorava. Michael acabaria não correndo a etapa italiana, nem o GP da Europa, em Nürburgring, voltando apenas para as provas da Malásia e do Japão.
A CARA DO ANO 2000
Em Spa foram feitos vários anúncios oficiais de contratações para o ano 2000. A Jordan assinou com Jarno Trulli, para o lugar do aposentado Damon Hill. A Prost confirmou Jean Alesi e Nick Heidfeld como sua próxima dupla. A Benetton renovou com Giancarlo Fisichella e Alexander Wurz. E a Sauber manteve Pedro Paulo Diniz e acertou com Mika Salo por dois anos. 
AS CIFRAS DA BÉLGICA
Heinz-Harald Frentzen conseguiu seu quinto pódio no ano e chegou a 40 pontos. Com Damon Hlill em sexto, a Jordan somou cinco e chegou a 202 pontos acumulados em sua história. Já era a melhor temporada do time, que estreou em 91. 0 pit stop extra de Alessandro Zanardi lhe custou 28s711 nos boxes. Não entrou gasolina suficiente no tanque. Ele chegou 1min07s022 atrás de Coulthard, o vencedor. Descontando o que perdeu na segunda parada, ficaria a 38s311 de David no final. Seria o quarto colocado.

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