GP da Espanha de 1999

16/07/2014

CHATA, MAS IMPORTANTE
Vitória de Hakkinen em Barcelona reequilibra o campeonato e 
não deixa Schumacher disparar na classificação.
Por Reginaldo Leme
Temporada Dados do GP
Foi uma vitória fácil, chata, aborrecida, mas muito importante. Mika Hakkinen não tinha do que reclamar em Barcelona. Embora o GP da Espanha tenha sido monótono e desprovido de qualquer emoção, representou para o finlandês da McLaren sua recuperação no campeonato. Deu tudo certo para a equipe inglesa na quinta etapa da temporada. David Coulthard chegou em segundo, repetindo a dobradinha de 98, e a Michael Schumacher sobrou um terceiro lugar e só. Resumo: Mika, que tinha 12 pontos de desvantagem para o alemão da Ferrari depois do GP de Mônaco, ficou apenas seis atrás. A McLaren, que ainda não havia conseguido terminar uma prova em 99 com seus dois carros andando, viu a distância para os italianos entre as equipes cair de 24 para 15 pontos. A Ferrari não venceria o GP espanhol, mas arrumou um culpado por seu fracasso: Jacques Villeneuve, da estreante e multicolorida BAR. O canadense foi o protagonista da largada, saindo do sexto no grid para o terceiro lugar, atrás apenas dos carros prateados, enquanto os dois vermelhinhos da Ferrari patinavam no asfalto quente da Catalunha. Hakkinen, pela quinta vez no ano, estava largando na pole.
Jacques ficou 24 voltas à frente de Schumacher, seu maior rival em 97, ano em que conquistou o título mundial pela Williams. Com um carro mais lento, segurou o alemão o bastante para Hakkinen abrir 27s5 de vantagem até fazer seu primeiro pit stop, na volta 23. “Segurei o Schumacher fácil”, esnobou o canadense. “Eu larguei bem, mas fiquei bloqueado entre o Eddie e o David, por isso ele passou. Poderia ter recuperado a posição na primeira volta, mas achei melhor esperar para não correr riscos”, devolveu o alemão. Os destinos dos dois na prova tomaram rumos diferentes após o primeiro pit stop. Schumacher voltou à trente e passou a andar cerca de 1s5 mais rápido por volta. Villeneuve estava em quinto, a asa de seu carro começou a se soltar, ele parou nos boxes e a equipe não sabia o que fazer para consertar. Na saída dos pits, o câmbio quebrou. Jacques ficou tão irritado — estava muito próximo de marcar os primeiros pontos da BAR no ano, algo que o time perseguiria até o fim da temporada, sem conseguir — que saiu do paddock de macacão e tudo, direto para o estacionamento, bufando. Então se deu conta de que tinha esquecido a chave do carro e que seria estranho chegar ao hotel vestido daquele jeito. Voltou ao motorhome, trocou-se e, mais calmo, disse que o dia foi “encorajador” para sua equipe. “Agora só preciso terminar as corridas”, acrescentou.
A parada de Coulthard aconteceu um pouco depois da troca de posições entre Villeneuve e Schumacher, e daí até o final não houve mais mudanças, mesmo depois da segunda bateria de pit stops, entre as voltas 41 e 45. Schumacher chegou a esboçar um ataque ao escocês, mas ficou na ameaça. Ele parou antes para o segundo pit stop, para tentar voltar à frente de Coulthard, mas a McLaren também foi rápida e conseguiu manter seu piloto à frente, após a parada do escocês. No total, Schumacher gastou 51s723 nos boxes, contra 56s066 de David, os dois pit stops somados — o primeiro do escocês foi ruim. Mesmo assim, o alemão não conseguiu chegar à frente. A última parte da corrida foi um porre total, exceto por um início de briga pelo sexto lugar entre Jarno Trulli, Rubens Barrichello e Damon Hill. Deu-se melhor o italiano da Prost. Hill ainda passou Rubinho, que quatro horas depois da prova ainda seria desclassificado por irregularidades no fundo de seu carro e perderia o oitavo lugar — posição que, de qualquer maneira, não dá ponto algum. “Uma vitória nunca é fácil”, tentou valorizar Hakkinen, depois da corrida. “Quando você está na liderança, tem de redobrar a concentração para não cometer nenhum erro.” O resultado deixou a McLaren aliviada, e Mika, que conquistou a 11ª vitória de sua carreira, confiante para as corridas seguintes. “Nós sabemos que temos um carro bom, mas ele ainda não chegou aonde pode chegar. Há um enorme potencial a ser explorado, a performance ideal não foi atingida. Tem muita coisa por vir, eu garanto.”
Para Barrichello, foi um domingão para esquecer. Além de ser desclassificado, Rubinho ficou emburrado com o desempenho da Stewart, que começou o ano bem, mas dava sinais de estagnação. “Temos que melhorar, porque os outros estão fazendo isso”, resmungou, referindo-se aos carros de equipes que começaram a temporada atrás da sua, como a Prost, a Williams, a BAR e a Jordan. O piloto ainda reclamou de Damon Hill, que o ultrapassou, ganhando a sétima posição, a duas voltas do final. “Foi uma ultrapassagem de louco”, disse, sem a menor razão. “Foi a única coisa boa da corrida”, espantou-se o inglês da Jordan. Barrichello andava nervoso, também, porque suas negociações com a Ferrari estavam em pleno andamento — há quem diga que teria assinado o contrato por aqueles dias. Em Barcelona, ele deu as primeiras pistas sobre o futuro. “A gente vai lutar muito para melhorar minha condição de disputa por vitórias no ano que vem. Não estamos parados. Uma boa coisa pode acontecer”, falou, em tom misterioso. Detalhe curioso da prova foi o comportamento de Schumacher no parque fechado, ao estacionar seu carro ao lado dos demais que haviam terminado o GP espanhol. Ele saiu do cockpit, encostou ao lado de um McLaren e ficou espiando o cockpit, os detalhes de suspensão, as soluções aerodinâmicas. Seu gesto foi notado pelas câmeras de TV. “Ele queria ver como era bonito”, brincou Hakkinen, que fez o mesmo com a Ferrari do rival. Schumacher tentou minimizar o fato. “É óbvio que eles têm um carro bom e a gente sempre descobre alguma coisa interessante quando olha de perto. Eu só estava vendo uns detalhes”, falou.
O FIM DE SEMANA
HONDA ABANDONA OS PLANOS
Uma semana antes do GP da Espanha, a Honda surpreendeu e anunciou que estava abandonando seus planos de ter uma equipe própria a partir de 2000. Em vez disso, assinou um contrato de três anos com a BAR, que passaria a ser seu time oficial. No mesmo dia, a Jordan renovou com a Mugen-Honda por mais duas temporadas. A morte do veterano projetista inglês Harvey Postlethwaite, ex-Tyrrell, que comandava o programa de testes e desenvolvimento da Honda, foi um dos motivos da desistência dos japoneses.

TRULLI FAZ O PRIMEIRO PONTO
O italiano da Prost conseguiu marcar seu primeiro ponto na temporada, o segundo da equipe, com o sexto lugar em Barcelona. Fã de ciclismo, ele posou para fotos usando a camiseta amarela reservada ao líder do Tour de France amarrada à cabeça. Amarelo que, por coincidência, é a cor da Jordan, equipe com quem assinaria alguns meses depois.

FUTEBOL VIRA ATRAÇÃO
Muito mais interessante que o GP foi a final da Liga dos Campeões no Nou Camp, entre Manchester e Bayern, que parou Barcelona naquela semana. Os ingleses venceram por 2 a 1, de virada, com os dois gois nos acréscimos do segundo tempo. Hakkinen foi ao estádio. "Não sabia direito para quem torcer, porque corro num time inglês com motor alemão", disse. Schumacher, mais familiarizado com o assunto, analisou a derrota dos compatriotas. “Foi um desastre. O Bayern pagou o preço por se defender muito no final."

VELOCIDADE REAL
O rei Juan Carlos foi a grande atração da mídia espanhola em Barcelona, já que os pilotos do país, Marc Gené e Pedro de La Rosa, não fizeram nada de interessante. Ele deu algumas voltas no McLaren de dois lugares, pilotado peio inglês Martin Brundle. “É muito veloz", notou o monarca. O carro vem sendo usado para promoções da equipe inglesa desde 98.

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