GP da Hungria de 1999

20/07/2014

VOLTA POR CIMA
Com a auto estima em baixa depois de duas derrotas, McLaren festeja vitória de Hakkinen até altas horas em Budapeste:
Por Reginaldo Leme
Temporada Dados do GP
A vitória de Mika Hakkinen na Hungria foi tão fácil que o piloto se permitiu, horas depois da corrida, tomar um porre quase solitário no motorhome da McLaren. Só quem ficou até tarde, muito tarde, no autódromo viu. O piloto, sua mulher Erja, o diretor da Mercedes Norbert Haug e mais meia dúzia de gatos pingados entraram na madrugada ouvindo rock e tomando cerveja. Foi a maneira que o time prateado encontrou para comemorar não uma vitória, apenas, mas principalmente a virada psicológica no campeonato, depois de duas sovas consecutivas da Ferrari e sua capacidade de ser campeã colocada em dúvida por todos na F-1. Budapeste provou para a própria McLaren que ela ainda era a favorita ao título. Mika encostou em Irvine na classificação. A diferença, que era de oito pontos, caiu para dois. O finlandês não teve adversários em Hungaroring. Sem inventar demais, sua equipe traçou uma estratégia básica de dois pit stops, usou os pneus mais duros para evitar o risco de degradação da borracha e só teve problemas no início da prova, pela má largada de David Coulthard, que perdeu duas posições na primeira volta. Hakkinen, ao contrário, aproveitou plenamente a pole-position, pisou fundo na primeira parte das 77 voltas da corrida e abriu mais de 12 segundos de vantagem sobre Irvine, o segundo colocado, até a primeira bateria de trocas de pit stops dos líderes, entre as voltas 29 e 33.
Como de costume, a prova de Budapeste teve poucas ultrapassagens e mudanças de posição apenas nos boxes. Um trenzinho com Hakkinen, Irvine, Fisichella, Frentzen, Coulthard, Hill e Barrichello nos sete primeiros lugares manteve-se inalterado até as primeiras paradas. Coulthard foi o que se saiu melhor, superando Fisichella e Frentzen. Rubinho faria apenas um pit stop e não era um adversário direto. Na segunda parte da prova, o escocês partiu para cima de Irvine, enquanto Hakkinen passeava com mais de 20 segundos de vantagem sobre o irlandês. Na 55ª volta, Mika fez sua segunda parada. Tudo normal, voltou à pista em primeiro. Três voltas depois, Irvine e Coulthard entraram juntos nos boxes. Saíram do mesmo jeito, a Ferrari à frente da McLaren, colados. David pressionava, mas não conseguia ultrapassar. Até que Irvine, a 15 voltas do fim, errou na curva 5, passou pela grama e perdeu a posição. Barrichello faria seu pit stop único na 40ª volta. Chegou a ser ameaçado por Hill nas voltas finais, mas o inglês desistiu logo. Com intervalos grandes entre os primeiros colocados, ninguém arriscou mais nada. Hakkinen deu-se ao luxo de diminuir o ritmo para evitar qualquer problema mecânico. “Era a hora certa de vencer”, disse o finlandês, aliviado. “Tudo foi perfeito e estou muito feliz pelos meus torcedores, que vieram de longe para me ver. Eles têm motivos para se orgulhar da Finlândia e da McLaren.” Coulthard reconheceu que largou mal e falou que, caindo para quinto na primeira volta, só poderia esperar pelos pit stops e por um erro de Irvine. “Seria difícil passar. Ele errou e era o que eu precisava.”
Foi a segunda dobradinha da McLaren no ano. Eddie fechou o pódio, com Frentzen em quarto, Rubinho em quinto e Hill em sexto. A McLaren, que perdera para a Ferrari em pistas nas quais era favorita, como Zeltweg e Hockenheim, acabou ganhando onde o time italiano achava que tinha mais chances. O Mundial de 99, desde que Schumacher quebrara a perna, tinha virado uma loteria. Prova disso foi o desempenho lamentável de seu substituto Salo, segundo lugar na Alemanha, duas semanas antes. O piloto conseguiu ser ultrapassado por um carro da Arrows e outro da Minardi na largada, ficou 27 voltas atrás de Pedro de La Rosa e terminou duas voltas atrás de Hakkinen. “Foi horrível. Para ser honesto, estou constrangido com minha performance”, confessou. Pelo menos admitiu. Pior, para a Ferrari, foi a cara-de-pau de Irvine, que entregou o segundo lugar de bandeja para Coulthard a 15 voltas do final. Perdeu dois pontos importantes na luta pelo título e jogou a culpa no carro. Quem não procurou desculpas foi Jean Todt. o diretor esportivo da Ferrari. “Corremos com um carro só, pela posição de largada de Salo. Eddie poderia ter terminado em segundo, não fosse o erro”, resumiu o francês.
E, numa corrida discreta, nada como uma crise num time igualmente pouco vistoso. A Sauber teve algumas de suas mazelas expostas por seus pilotos. Pedro Paulo Diniz recebeu ordens para deixar Jean Alesi passar no início da corrida, ficou irritado, perdeu a concentração, rodou e meteu a boca no trombone. “Foi errado, foi coisa do dono da equipe, que resolveu falar no rádio”, esbravejou o brasileiro. O francês, que abandonou a prova a três voltas do final com problemas de pressão de combustível, encerrou sua era no time. “Não fico aqui no ano que vem. Vou honrar meu contrato até o final, mas minha vida na Sauber terminou”, disse. Algumas semanas depois, Alesi assinaria com a Prost para substituir Olivier Panis, que deixaria a F-1. Algo raro, as desavenças foram escancaradas pelo time até no comunicado oficial distribuído à imprensa depois do GP. “Lamento que Jean tenha anunciado que não vai renovar conosco, porque tínhamos combinado que nada disso seria público antes da Bélgica ou da Itália”, declarou Peter Sauber. Sobre a ordem para Pedro, nenhuma palavra. “Vou exigir uma explicação séria”, garantiu Diniz. “Larguei bem, estava em nono, e o Alesi estava atrás. Não era mais rápido do que eu. Aí o dono da equipe me mandou deixar passar. Deixei, mas não fiquei contente, me desconcentrei e rodei.” Foi na 20ª volta.“Estou aqui para correr, chegar o mais na frente que puder, e a equipe pedir para deixar outro carro passar é uma coisa que a gente não espera.”
O FIM DE SEMANA
NÚMEROS HÚNGAROS
Depois da corrida de Budapeste, a Ferrari continuava sendo a equipe mais regular do campeonato, tendo pontuado em todas as provas; Irvine só não chegara entre os seis primeiros em Imola e tinha terminado na zona de pontos as últimas oito corridas do Mundial; já a McLaren só não havia pontuado na primeira etapa do ano, em Melbourne; com 35 pit stops no total, o GP da Hungria foi o mais movimentado da temporada nos boxes; Alesi e Zonta, com três paradas cada, foram os mais assíduos do pit lane.

IRVINE FECHA COM A JAGUAR
Deu na "Autosport" inglesa, uma semana antes do GP da Hungria: Eddie Irvine já tinha assinado com a Ford, que também já tinha decidido mudar o nome da Stewart para Jaguar no ano 2000. Os envolvidos negaram. Um mês depois, as duas informações foram confirmadas. A revista, uma das mais importantes da área na Europa, deu mais uma dentro, como de costume.

VILLENEUVE É MULTADO
Villeneuve foi multado em US$ 8 mil por ter sido flagrado a 111,8 km/h no pit lane. A velocidade máxima permitida em Budapeste é de 80 km/h. Alesi foi pego a 81,4 km/h e recebeu um stop & go. Villeneuve quebrou antes de um eventual pênalti e reclamou muito do carro. "Se as coisas não mudarem aqui, não sei o que vou fazer no ano que vem", falou o piloto.

SCHUMI VOLTA A GUIAR
Cinco dias depois da prova da Hungria, as atenções se voltaram para Mugello. Schumacher voltou a guiar, 40 dias após o acidente de Silverstone. Completou 65 voltas, a melhor delas em 1min28s379 - Irvine foi 0s269 mais lento. "A perna só doeu um pouco quando eu passei por ondulações, mas não afetou minha performance", disse o alemão. "Nos próximos dias vamos ver como me sinto e, depois de um novo exame médico, vou decidir se posso voltar em Monza, ou antes." Voltou só na Malásia, em meados de outubro.

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