GP da Inglaterra de 1999

18/07/2014

ADEUS, TÍTULO
Schumacher perdes os freios, bate de frente, quebra a perna
e adia por mais um ano o sonho de ser campeão pela Ferrari:
Por Reginaldo Leme
Michael Schumacher deu adeus ao sonho de ser campeão pela Ferrari em 99 logo na primeira volta do GP da Inglaterra. O alemão sofreu o pior acidente de sua carreira ao tentar ultrapassar Eddie Irvine na curva Stowe, perder os freios traseiros e se chocar de frente numa barreira de pneus. Fraturou tíbia e fíbula e foi operado na noite de domingo mesmo, em Northampton. Só voltaria a guiar 40 dias depois, em testes. Mas seu retorno às pistas, para disputar um GP, aconteceria apenas três meses mais tarde, na Malásia. A tragédia de Silverstone só não foi maior para a Ferrari porque Mika Hakkinen não pontuou. Venceu a prova seu companheiro David Coulthard, pela primeira vez ano, quinta na carreira. Irvine foi o segundo colocado e passou a ser o nome em quem o time de Maranello apostaria para acabar com o jejum de 20 anos sem títulos. Com o resultado, o irlandês ficou a oito pontos de Mika na classificação. Mas ninguém falava muito sobre pontuação ou futuro da temporada em Silverstone, depois da corrida — um bom GP, que teve cinco líderes diferentes e duelos interessantes. O acidente de Schumacher assustou o público e os pilotos pela violência e suas possíveis conseqüências. Michael largara mal, caíra para o quarto lugar e, na Stowe, uma curva de alta velocidade, tentou ultrapassar Irvine. Colocou o carro por dentro e, quando virou o volante para a direita, na freada, foi reto. A velocidade de aproximação na Stowe, no fim da reta Hangar, é de 300 km/h. Segundo a Ferrari, os freios traseiros do alemão falharam.. Por isso as rodas dianteiras travaram e o carro não virou. A equipe descartou qualquer problema no sistema de direção. Naquele momento, ele estava a 200 km/h. Foi para a caixa de brita e bateu de frente numa barreira de pneus. A velocidade, na hora do impacto, era de 100 km/h, de acordo com o time italiano.
Começou ali o drama do domingo, com Schumacher tentando sair do cockpit, sem conseguir. Os paramédicos chegaram para o primeiro atendimento. A prova fora interrompida antes mesmo do acidente, porque na largada os carros de Villeneuve e Zanardi ficaram parados no grid. O piloto foi atendido durante mais de 15 minutos no local e depois levado numa ambulância para o centro médico do autódromo. A batida aconteceu às 13h03 locais. As 13h54, o helicóptero do circuito decolou rumo ao Hospital Geral de Northampton, 15 km a leste de Silverstone. Os médicos que o atenderam optaram por uma cirurgia lá mesmo, já que a fratura foi “limpa”— não houve esfacelamento de ossos. Dois dias depois, a Ferrari anunciava Mika Salo como seu substituto. O acidente de Schumacher reabriu o campeonato. Hakkinen, claro, continuava sendo o favorito. Mas outros pilotos entraram na briga, além de Irvine. Coulthard, com a vitória, ficou a 18 pontos do finlandês. Frentzen, da Jordan, estava a 14. Faltavam ainda oito corridas para o final da temporada. Tudo podia acontecer. Mika perdeu a chance de disparar na frente, em Silverstone. Liderava a corrida com tranqüilidade até a primeira bateria de pit stops, quando apareceu um problema em sua roda traseira esquerda.
David, o vencedor, fez uma prova consistente. Foi bem nas duas largadas — a segunda, 37 minutos depois do acidente de Schumacher — e parou para seu primeiro pit stop na volta 24. Na 25ª, Mika foi para os boxes. Fez uma parada normal, mas voltou aos boxes acusando algum problema na traseira. “O carro vibrava muito. Havia um problema na roda”, contou o finlandês. A McLaren perdeu mais de 27 segundos mexendo na tal roda e devolveu Mika à pista em 11°. Coulthard assumiu a liderança e ainda contou com a confusão de Irvine, que em sua parada estacionou o carro um metro à frente do local previsto. “Os mecânicos da McLaren estavam na minha frente e eu não vi nada”, disse o irlandês, que acabou fazendo um pit stop três segundos mais lento que o do escocês. Na 30ª volta, a roda de Hakkinen saiu voando. Ele apontava na reta dos boxes, aproveitou e entrou. Colocaram outra, mas era um risco. Cinco voltas depois, com medo de algum acidente, a McLaren o chamou para os boxes e ele abandonou. Houve duas entradas do safety-car na pista, ambas brevíssimas. As posições na frente não sofreram muitas alterações, nem mesmo depois da segunda bateria de pit stops, entre as voltas 40 e 46: Coulthard, Irvine, Ralf Schumacher, Frentzen, Hill e Barrichello nos seis primeiros lugares.
Rubinho deu azar. A 13 voltas do final, o pneu esquerdo dianteiro furou. “Uma pedra entrou na roda”, explicou o brasileiro da Stewart. Ele foi obrigado a fazer um terceiro pit stop e perdeu a chance de pontuar. Alesi, com problemas no acelerador, e Herbert, punido com um stop & go por ultrapassar o mesmo Alesi com o safety-car na pista, também ficaram para trás. E surgiu Pedro Paulo Diniz na zona de pontos, para terminar em sexto. Ricardo Zonta abandonou na 42ª volta com uma suspensão quebrada. “No meu pit stop, a gente encheu o tanque para não ter de parar mais. Mas acho que a barra de suspensão quebrou porque o carro ficou muito pesado", contou. A fragilidade dos carros da BAR irritou até o chefe da equipe, craig Pollock. "A confiabilidade que achavamos que estávamos conseguindo era uma falácia, disse. Verdade. Villeneuve quebrou o cambio na primeira largada e, com o carro-reserva, estourou o motor depois de 29 voltas. Ralf Schumacher, que subiu ao pódio pela segunda vez no ano, disse que foi muito difícil manter a concentração sabendo do acidente do irmão. "Mas a Williams me informou pelo rádio o tempo todo e eu sabia que ele estava bem”, disse o alemão. E a Jordan, com dois pilotos nos pontos, solidificou sua condição de terceira força do campeonato.
O FIM DE SEMANA
ARROWS MUDA DE MOTOR
A Arrows assinou em Silverstone um contrato com a Supertec, para receber os motores de Flavio Briatore no ano 2000. Assim, durou apenas duas temporadas o sonho da equipe de ter os próprios propulsores. A Arrows usou os Hart, feitos pela fábrica que Tom Walkinshaw comprara em 97. Mas faltava potência e, principalmente, dinheiro para desenvolvê-los.

AS MULTAS INGLESAS
A FIA arrecadou uma boa grana com multas em Silverstone. Na sexta, Michael Schumacher teve de pagar US$ 4.500, flagrado a 97,2 km/h nos boxes (o máximo permitido é 80 km/h). Não pesou muito no orçamento, já que o valor representa apenas 0,15% de seu salário mensal. No mesmo dia, Zanardi teve de pagar US$ 1.250, pego a 84,3 km/h nos pits. No sábado, a mais alta: US$ 6.750, que Diniz precisou depositar na conta da FIA por passar nos boxes a 97,6 km/h. No total, a entidade recebeu US$ 12.500 dos pilotos.

HILL ADIA DESPEDIDA
Depois da que considerou sua melhor corrida no ano, Damon Hill resolveu esticar a novela de sua aposentadoria. "Agora quero tomar umas cervejas e pensar no futuro. Foi um grande dia para todos os britânicos, que me deram muito apoio e ainda vibraram com o David", falou o inglês, quinto colocado em Silverstone, com uma roupa esquisita sob o macacão.

O FUTURO DAS GRANDES
A Mercedes confirmou a compra de 40% das ações da McLaren, passando a controlar a equipe (as demais ações ficaram nas mãos de Ron Dennis e nas do milionário árabe Mansour Ojeh). Já na Ferrari, ficava cada vez mais claro que Barrichello seria o substituto de Irvine no ano 2000. O brasileiro já falava até em "igualdade de condições" com Schumacher.

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