GP da Italia de 1999

22/07/2014

AH! EU TÔ MALUCO
Frentzen aproveita a barbeiragem de Hakkinen, vence mais uma e nem acredita quando vê a multidão de Monza do alto do pódio:
Por Reginaldo Leme
Temporada Dados do GP

O GP da Itália começou quente, sob o impacto da contratação de Rubens Barrichello pela Ferrari e das acusações de boicote de Eddie Irvine contra sua futura ex-equipe. E terminou nas lágrimas de Mika Hakkinen, numa das imagens mais comoventes do ano. Foi, sem dúvida, o final de semana mais agitado da temporada. No sábado, dia 4, a Ferrari comunicou oficialmente que tinha fechado com Barrichello por duas temporadas, encerrando uma novela da qual todos conheciam o final. Rubinho gastou dois dias explicando as negociações e fazendo juras de amor ao time italiano. De tudo que disse, vale registrar que foi o próprio piloto que pediu emprego a Jean Todt, cinco meses antes em Interlagos, e que ele recebeu a garantia dos homens de Maranello de que teria igualdade de condições técnicas na equipe, tendo o direito de lutar por posições com Schumacher no futuro. Barrichello não revelou quando o contrato foi assinado, mas contou que meteu a caneta no papel na casa de Todt, perto da sede da Ferrari, no norte da Itália. Passada a novidade, as atenções voltaram-se para Irvine. Depois de conseguir uma bisonha oitava colocação no grid, o irlandês acusou a Ferrari de não dar a atenção merecida para quem desejava ser campeão. Vice-líder do Mundial, Irvine ficara a 1s333 da pole-position de Hakkinen. Eddie saiu do cockpit abatido e desiludido. “Há três, quatro corridas que nosso carro não melhora nada, não fazemos nenhum desenvolvimento. Por quê?”, questionou o piloto. Para ser mais direto, bastaria dizer que desde o acidente de Michael Schumacher, dois meses antes em Silverstone, a Ferrari parecia ter desistido de buscar novidades técnicas para ajudá-lo a conquistar o título.

No domingo, Eddie fracassou de novo, mesmo com o abandono de Mika. E a vitória de Heinz-Harald Frentzen colocou a F-1 numa situação que não se repetia desde 86: a três provas do encerramento do Mundial, quatro pilotos na luta direta pelo título. O alemão da Jordan entrou na briga ao atingir os 50 pontos. A sua Frente estavam Hakkinen e Irvine, com 60. Logo atrás, David Coulthard, com 48. Frentzen conseguiu sua segunda vitória no ano graças a barbeiragem épica de Hakkinen, que liderou a corrida de Monza até a 29ª volta, com folgas, e acabou rodando sozinho na primeira chicane do circuito. Como Irvine fez apenas um ponto, do sexto lugar, e Coulthard marcou só dois, do quinto, a disputa se abriu. Eufórico, o piloto da Jordan disse que não podia crer em seus olhos quando viu o carro de Hakkinen parado na pista. “Azar dele, sorte minha”, falou. Sua corrida foi correta e sem sustos. Ele largou em segundo, manteve a posição na primeira curva e impôs seu ritmo até o pit stop único, na 35ª volta. “E difícil manter a concentração quando você está na liderança com alguma vantagem sobre o segundo colocado. Talvez esse tenha sido o problema de Mika”, falou Frentzen. Atrás dele chegaram Ralf Schumacher, da Williams, e Mika Salo, da Ferrari. Rubens Barrichello, da Stewart, terminou em quarto, à frente de Coulthard e Irvine.
Apesar do bom resultado, Rubinho não demonstrava a alegria habitual em Monza. Um dos protagonistas da prova, autor de três belas ultrapassagens na primeira metade do GP italiano, o brasileiro fez questão de dedicar o quarto lugar a Gonzalo Rodriguez, piloto uruguaio de 27 anos que morrera um dia antes nos treinos para o GP de Laguna Seca da Indy. “Ele era um lutador, como eu. Machuca muito. Pensei muito no que aconteceu com ele antes de começar a corrida. Quero dedicar esse resultado a ele”, falou. O piloto, mesmo assim, considerou seu domingo um dia especial, por ter conseguido mais três pontos no campeonato com um desempenho que agradou os torcedores italianos. “Pena que não deu para chegar no pódio, afinal aqui é a minha casa nova. Mas chegou uma Ferrari, eles ficaram contentes, tudo bem.” Os ferraristas gritaram seu nome no fim da corrida. Na primeira parte do GP, Barrichello saiu de sétimo para quarto, com ultrapassagens sobre Coulthard, Salo e Zanardi. Mas como teve de parar antes nos boxes para fazer seu pit stop, na 29ª volta, acabou tendo um carro mais pesado e lento na segunda metade da prova. “Isso não é uma opção, é uma necessidade, porque nosso tanque é menor do que os outros. Eu tenho de parar antes e colocar muito mais gasolina que o pessoal. Quando eles voltam, estão com o pneu mais novo e menos peso no carro, porque colocam menos combustível.” De fato, os principais adversários de Rubinho em Monza fizeram seus pit stops bem depois, na 36ª volta — Salo e Coulthard juntos. O finlandês ganhou a posição do brasileiro e David ficou atrás, pressionando até a última volta. “Eu estava concentrado para não cometer erros e queria chegar em terceiro”, disse Barrichello. “O Coulthard estava bem próximo, mas em Monza é difícil ultrapassar. Ele só conseguiria se eu errasse, mas não foi o caso. De qualquer forma, foram pontos importantes.” Salo, o terceiro colocado, gastou 19s301 nos boxes e Coutlhard, 20s137. O pit stop de Barrichello tomou 23s128 de seu tempo.
Mas a imagem que ficou mesmo do GP da Itália foi a de Hakkinen chorando agachado no meio do mato. Na primeira chicane, em vez de colocar a segunda marcha, ele engatou a primeira. “As rodas de trás travaram, eu rodei e o motor apagou. Foi um erro estúpido que arruinou minhas chances de aumentar a liderança no campeonato”, disse o piloto da McLaren. O prejuízo foi claro: dez pontos, que o deixariam numa situação muito confortável para as últimas três provas do Mundial. “Foi meu último erro”, prometeu. Em Imola, no GP de San Marino, Hakkinen havia batido de maneira semelhante, também quando liderava a prova. Ele chorou muito e chegou aos boxes com os olhos vermelhos. “Estou muito decepcionado comigo mesmo, Não podia ter feito o que fiz. Durante todo o fim de semana entrei naquela chicane em segunda marcha, e fui errar bem na corrida", lamentou.
O FIM DE SEMANA
RONALDO NA PISTA
O atacante Ronaldo, da Internazionale de Milão, visitou o autódromo na sexta-feira e foi vitima de uma brincadeira de Herbert, que lhe pediu um autógrafo nos boxes da Stewart. Ronaldo colocou sua assinatura numa folha dobrada. Johnny morreu de rir e, quando abriu o papel, estava escrito: "Prometo jogar no Leeds United no ano que vem". O Leeds é o clube do coração de um mecânico, que suspirou ao ver o centroavante: “Bem que ele podia jogar no meu time". O jogador almoçou na Williams.
MONZA SEM SCHUMACHER
Embora tivesse prometido a Luca di Montezemolo que em Monza estaria de volta, Schumacher adiou mais uma vez seu retorno às pistas. No dia 1º, fez um teste na pista italiana e desistiu. "Minha perna dói muito quando passo nas zebras. Não faz sentido voltar se não puder ser competitivo", explicou o alemão. "Não sei quando eu volto."
MINARDI FURIOSA
A Minardi ficou irada com o que aconteceu em Monza. "Nosso adversário direto, a Arrows, como não tem mais condição de competir conosco, resolveu adotar o único modo possível: eliminar-nos", disse o sócio Gabriele Rumi. Os dois minardistas foram, de fato, tirados da prova pelos pilotos da Arrows. Gené foi acertado por De La Rosa e Takagi na largada, e Badoer foi abalroado por trás pelo japonês.
BRUNO FAZ SUA ESTREIA
Na semana anterior ao GP da Itália, mais um brasileiro teve a chance de guiar um F-1. Foi o mineiro Bruno Junqueira, da Petrobras Jr. (equipe de F-3000), que ganhou um teste da Williams em Monza. Bruno completou 52 voltas. "Foi um dia maravilhoso, o melhor da minha vida", exultou o piloto. A melhor passagem, para os registros: 1min27s157.

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