GP de Monaco de 1999

15/07/2014

O MAIOR FERRARISTA
Com a vitória no Principado, Schumacher torna-se o piloto que 
mais ganhou corridas no volante de um carro de Maranello:
Por Reginaldo Leme
Temporada Dados do GP
A vitória de Michael Schumacher em Mônaco foi acima de tudo o cumprimento das promessas que o alemão fez na semana da corrida mais charmosa do campeonato. O ferrarista chegou ao Principado dizendo que era o favorito. Isso poderia ser considerado apenas mais uma bravata, mas tinha um significado especial. Desde a transformação da McLaren num time muito superior à concorrência, no início  de 98, foi a primeira vez que Schumacher ousou dizer que tinha mais carro que os rivais prateados. O fim de semana de Michael só não foi perfeito porque ele perdeu a pole para Mika Hakkinen num treino de deixar o público com a respiração presa. O finlandês, a dois minutos do final da sessão, tinha 0s515 de desvantagem para o alemão. Era uma diferença quase impossível de ser descontada. Mas Mika guiou como nunca e cravou uma volta 0s064 melhor que a de Schumacher, que fechou a cara e fez bico. Ele queria o primeiro lugar no grid de qualquer jeito, até para justificar o esforço do dia anterior, folga em Monte Cario, mas uma sexta-feira de trabalho para o ferrarista, que pegou um avião e foi fazer um teste rápido em Fiorano para experimentar um novo software de largada. A vantagem teórica de Mika na corrida, no entanto, evaporou-se em 50 metros. Na primeira curva, quem passou na ponta foi o alemão. E na ponta ele se manteve durante as 78 voltas da prova, ganhando em Mônaco pela quarta vez e tornando-se o piloto que mais venceu corridas pela Ferrari, 16, superando a marca de Niki Lauda. O time de Maranello viveu um de seus melhores dias, fazendo a dobradinha com Eddie Irvine em segundo lugar. À McLaren coube uma discreta terceira colocação de Hakkinen, mais um abandono de David Coulthard e a constatação de que seu primeiro piloto tendia a cometer erros sob pressão. Na volta 39, Hakkinen passou direto na curva Mirabeau, perdeu 20 segundos e foi alcançado por Irvine, que mesmo parando duas vezes nos boxes conseguiu chegar à sua frente. Frentzen, Fisichella e Wurz fecharam a zona de pontos numa prova que teve apenas oito sobreviventes. Por conta de quebras ou acidentes, 14 carros ficaram pelo meio do caminho, entre eles o Stewart de Rubens Barrichello. O brasileiro estava em quinto quando, faltando seis voltas para o final, teve a suspensão traseira direita quebrada e bateu na Piscina.
O GP monegasco não foi dos mais emocionantes, em parte pela perfeição da condução de Schumacher e pela precisão da Ferrari ao traçar sua estratégia de corrida. O alemão tinha de largar na frente e abrir a maior vantagem possível para fazer seu pit stop em segurança, sem perder a posição. Mika contribuiu. "Eu vi que ele patinou muito na largada e consegui fazer a Saint-Devote em primeiro. Aí era só uma questão de acelerar para ele não me alcançar.” Dizer que foi difícil para Schumacher cumprir seu objetivo seria um exagero. Em 17 voltas, ele já tinha 12s de vantagem sobre Hakkinen. Na 36ª, a diferença já era de 27s7. Irvine, em terceiro, pressionava o finlandês, mas faria dois pit stops. Como Mika fez a burrada na Mirabeau (alegou que pegou óleo na pista), as coisas ficaram ainda mais fáceis. O pit stop de Schumacher foi feito na 42ª volta, sem sustos. Voltou em primeiro com os mesmos 27s7 de vantagem e Hakkinen ainda teria de parar. Irvine fez o mesmo que seu companheiro no momento em que a McLaren chamou o piloto para os boxes, acelerando tudo para poder voltar em segundo depois de seu segundo pit stop, o que acabou acontecendo. Daí até o final, foi só manter a concentração e correr para o abraço. “Ser piloto da Ferrari é um negócio especial. Vencer com a Ferrari é extra-especial, e ser o maior vencedor da história da Ferrari é o tipo de coisa que eu só vou desfrutar quando me aposentar e olhar para trás, para aquilo que consegui em minha carreira”, comemorou Schumacher.
Ao lembrar que na mesma pista, no ano anterior, ele estava 22 pontos atrás de Hakkinen na classificação, Jean Todt, diretor esportivo da equipe, procurava manter os pés no chão. “Completamos apenas o primeiro quarto da temporada. Faltam 12 corridas ainda, é um longo caminho pela frente”, disse o francês. Schumacher admitiu que a prova só foi difícil no começo, quando teve de forçar o ritmo para se distanciar de Mika. “Depois só me preocupei em terminar a corrida sem cometer erros. E devo agradecer a todos os pilotos retardatários, que foram muito justos e não atrapalharam nenhuma ultrapassagem”, afirmou. A derrota para a Ferrari abalou a McLaren, que pela quarta vez não conseguiu terminar uma corrida com seus dois carros na pista. Para piorar, o segundo erro seguido de Hakkinen nas contas do time, já estava custando pelo menos 12 pontos. “O resultado e a performance de hoje não condizem com nossa real competitividade", garantiu o chefe Ron Dennis, tentando aparentar alguma serenidade. Chateado mesmo estava Barrichello, que perdeu dois pontos de um quinto lugar quase certo quando sua suspensão traseira direita quebrou, Rubinho estava completando, em Mônaco, 100 GPs. E já notava a ascensão da Jordan, equipe que acabria roubando da Stewart o título de “melhor do resto” ao longo do ano, atrás apenas de Ferrari e McLaren. “Isso mostra que eles têm tido um desenvolvimento maior que a gente”, disse, adivinhando que o time amarelo iria dar muito trabalho nas corridas seguintes. Sobre o acidente, Barrichello negou que tivesse cometido um erro. Aconteceu de repente e provavelmente foi a mesma quebra do Herbert. Não estou tirando o corpo fora. Quando erro, sou o primeiro a dizer. Não senti nada que pudesse ocasionar a quebra. Se fosse só comigo, eu poderia até achar que algo tivesse acontecido, mas quebrou no carro do Johnny também”, argumentou.
O FIM DE SEMANA
BOM DE BOLA, TAMBÉM
Na semana do GP de Mônaco, Schumacher foi um dos pilotos que participaram de um jogo beneficente no Principado, que teve também a presença do príncipe Albert. Michael, sempre que pode, bate a sua bolinha. Em 98, chegou a disputar algumas partidas do Campeonato Suíço da terceira divisão pelo timeco da cidade onde vive. O alemão joga de centroavante.

ZONTA CONTINUA FORA
O brasileiro da BAR, que já havia sido vetado para a corrida monegasca, passou por um teste médico e foi proibido de voltar a correr também em Barcelona, duas semanas depois. Salo continuou em seu lugar, mas não terminou a corrida. Villeneuve abandonou com problemas mecânicos. "É a quarta vez no ano que volto para casa sem ver a bandeirada", reclamou o canadense, irritado. "Tenho de admitir que é frustrante não conseguir dar ao Jacques um carro confiável", reconheceu o chefe da equipe, Craig Pollock.

RUBINHO COMPLETA 100 GPS
Pelas estatísticas da FIA, Barrichello completou seu 100° GP em Mônaco, já que a prova da Bélgica de 98 não foi considerada - porque o brasileiro não participou da segunda largada. Rubinho ganhou bolo da Stewart e um quadro comemorativo. A curiosidade é que seu patrão, Jackie Stewart, disputou apenas 99 provas em sua carreira. Ganhou 27 e três títulos.

ZANARDI CHEGA AO FINAL
O italiano da Williams conseguiu terminar sua primeira corrida no ano, em oitavo, a duas voltas do vencedor. Não bastasse ter um carro lento nas mãos, Zanardi ainda lutou contra o banco, que se soltou. "Parecia que eu estava flutuando no cockpit. Às vezes nem alcançava os pedais", reclamou. Seu companheiro Ralf foi abalroado por Hill logo na quarta volta. "Eu simplesmente fui muito ambicioso. Largando em 17°, achei que tinha de ser agressivo no começo. Foi falha minha", falou o inglês da Jordan.

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