Grande Prêmio da Inglaterra de 1984

23/07/2014


Após a passagem da F1 pela América do Norte em dois circuitos de rua bastante criticados (Detroit e Dallas), a categoria voltava à Europa e para um dos seus circuitos mais tradicionais: Brands Hatch. Com a McLaren dominando o campeonato, as duas vitórias de Niki Lauda significava pouco pelos vários abandonos do austríaco no ano e ele estava apenas em terceiro no campeonato, enquanto Alain Prost liderava à frente de Elio de Angelis. A Brabham vinha animada para essa volta à Europa depois de duas vitórias de Nelson Piquet e estreava em Brands Hatch uma nova versão do BT53, enquanto a Williams continuava buscando, juntamente com a Honda, melhorar a confiabilidade do carro, pois os motores japoneses já eram um dos mais potentes da F1. Nos bastidores da F1, a Ferrari começava a colocar para escanteio o veterano engenheiro Mauro Forghieri e dar mais destaque ao inglês Harvey Postlethwaite, mas profundo desgosto do italiano. Porém, a maior polêmica vinha da Tyrrell, quando foram encontrados bolas de chumbo e vestígios de combustível num tanque de água de Martin Brundle em Dallas e o time de Ken Tyrrell era acusado de estar competindo abaixo do peso mínimo. Numa decisão inédita até então, a FISA exclui a equipe da temporada 1984, inclusive apagando os resultados anteriores à essa punição, mas Ken Tyrrell consegue apelar do resultado e participaria normalmente de sua corrida caseira, mas com Stefan Johansson no lugar do contundido Martin Brundle.

Contudo, todas essas notícias foram colocadas de lado pelo seríssimo acidente de Johnny Cecotto na sexta-feira. O venezuelano teve fraturas nos pés e pernas e mesmo com sua vida não estar em risco, esse acidente decretou o fim da carreira de Cecotto na F1. A sexta-feira foi dominada pela McLaren, com Nelson Piquet tendo problemas em seu carro, mas quando foram sanadas, o brasileiro usou a potência do motor BMW para ficar com a pole com dois décimos de vantagem sobre Prost. Ao contrário de outras corridas, Lauda se classifica bem e Senna dava um pouco de alegria para a Toleman após o acidente de Cecotto ao conseguir um magnífico sétimo lugar.

Grid:
1) Piquet (Brabham) - 1:10.869
2) Prost (McLaren) - 1:11.076
3) Lauda (McLaren) - 1:11.344
4) De Angelis (Lotus) - 1:11.573
5) Rosberg (Williams) - 1:11.603
6) Warwick (Renault) - 1:11.703
7) Senna (Toleman) - 1:11.890
8) Mansell (Lotus) - 1:12.435
9) Alboreto (Ferrari) - 1:13.122
10) Tambay (Renault) - 1:13.138

O dia 22 de julho de 1984 tinha um clima agradável em Brands Hatch, perfeito para uma corrida de F1. Alguns dias após chegarem dos Estados Unidos, algumas equipes fizeram uma bateria de testes de pneus em Brands Hatch e sabiam que a borracha poderia ser um fator importante. Sabendo disso, Nelson Piquet resolve largar com pneus moles, na tentativa de sair na frente e consegue seu intuito na largada, seguido de Prost, De Angelis, Lauda e Warwick. Mais atrás, uma enorme confusão na curva Graham Hill acabou com as corridas de Patrese, Cheever, Alliot e Gartner. Os carros ficam destruídos e havia vários detritos na pista, mas de forma surpreendente, a corrida não é paralisada, mas os mais importante era que os pilotos estavam bem. 

Ao contrário do esperado, Piquet não consegue abrir distância para Prost e era pressionado pelo francês nas primeiras voltas. Após uma má largada, Lauda ultrapassa a Lotus de Elio de Angelis ainda na segunda volta e observa a briga pela primeira posição de perto. Para desespero da Williams-Honda, Keke Rosberg abandona logo na quinta volta, enquanto os três primeiros abriam 10s em apenas seis voltas para o quarto colocado Warwick, que ultrapassara De Angelis algumas voltas antes. Os pneus de Piquet parecem se deteriorar mais rapidamente do que ele esperava e na nona volta Prost tenta ultrapassar o brasileiro na Paddock Bend, tendo a porta fechada, mas duas voltas depois Alain consegue a manobra no mesmo local para assumir a ponta. No embalo, Lauda ultrapassa Piquet na curva seguinte, a Druids, e o brasileiro da Brabham resolve trocar os pneus no final dessa volta. Ao mesmo tempo, Jonathan Palmer escapa com seu RAM na curva Blarclays e inicia-se um pequeno incêndio no carro, mas o inglês estava ileso. Porém, de forma surpreendente, a direção de prova resolveu mostrar a bandeira vermelha e paralisar a corrida, para profunda indignação de Alain Prost, pois a corrida seria reiniciada com as posições da volta anterior, que tinha Piquet em primeiro, sendo que desta vez o brasileiro estaria com pneus novos e da especificação correta. Isso mostra que a coerência, ou a falta dela, em paralisar a prova por parte da FIA não é de hoje...

Mesmo com toda a reclamação de Prost, a corrida foi reiniciada meia hora depois com Piquet na ponta, mas querendo mostrar que tinha sido vítima de uma injustiça, o francês da McLaren ultrapassa Piquet ainda na relargada, assumindo a ponta. Como havia acontecido na primeira parte da corrida, os três primeiros abrem rapidamente para o quarto colocado Derek Warwick, que não conseguia acompanhar o ritmo dos líderes. Os três primeiros andam juntos por várias voltas sem trocas de posição, cada um separado por 1s, mas na volta 29 Lauda dá um bote surpreendente em Piquet e assume o segundo lugar. Era a senha para o austríaco começar o seu tradicional ataque final rumo à vitória. Prost já havia aberto uma ligeira diferença de 3s para o segundo colocado, que agora era Lauda. Porém, Niki não teria tanto trabalho desta vez. Por volta da metade da prova Prost começa a ter problemas de câmbio e após perder algumas marchas, a transmissão da McLaren bloqueou completamente na volta 38 e Prost abandona a corrida quando tinha tudo para conseguir uma vitória importante para o campeonato. Lauda tinha uma estável vantagem de 3s sobre Piquet, que tinha uma boa diferença de 25s para Warwick.

Na volta 44 Lauda encontra um trio animado de retardatários (Arnoux, De Cesaris e Alboreto), que vinham a corrida inteira brigando entre si. O austríaco não tem problemas em ultrapassar Arnoux e De Cesaris, mas demora a ultrapassar Alboreto, que mesmo em sétimo, vinha muito rápido. Isso permitiu uma aproximação de Piquet, diminuindo a diferença entre eles para 1.7s quando ambos deixaram Alboreto para trás na reta Hawthorn, mas logo em seguida Lauda executa algumas voltas voadoras, uma delas a melhor da corrida, e a diferença retorna aos 3s anteriores. Contudo, velhos fantasmas voltaram a assombrar Nelson Piquet quando o brasileiro sentiu uma falta de potência na volta 65, com seis para o fim. Nelson diminuiu dramaticamente seu ritmo tentando ao menos completar a corrida nos pontos, mas na volta final é ultrapassado por Tambay e termina a prova em sétimo. Com seus dois maiores adversários com problemas mecânicos, Lauda pode desfrutar as últimas voltas e ganhar pela terceira vez no ano com mais de 40s de vantagem para Warwick, que fez uma corrida correta e devolveu a confiança que a Renault depositou nele ao renovar seu contrato na semana do GP. Ayrton Senna fazia uma boa corrida e nas voltas finais aproveitou-se não apenas dos problemas de Piquet, como também do motor Renault de Elio de Angelis para subir para terceiro e conseguir seu segundo pódio na carreira, desta vez sem maiores problemas. De Angelis ainda cruza em quarto, enquanto Patrick Tambay abandona na volta final com o turbo quebrado, dando às duas Ferraris os últimos lugares na zona de pontuação. Essa vitória era duplamente importante para Niki Lauda. Primeiro, ele se tornava o piloto com o maior número de pontos (360) na história da F1 até então e com Prost abandonando, Lauda subia para segundo lugar no campeonato, apenas 1,5 ponto atrás do seu companheiro de equipe. Naquele momento, com a confiabilidade da Brabham-BMW ainda posta em xeque e Nelson Piquet sendo o único a acompanhar a dupla da McLaren, todos apostavam que o título seria disputado, até o fim do ano, pela dupla da McLaren.

Chegada:
1) Lauda
2) Warwick
3) Senna
4) De Angelis
5) Alboreto
6) Arnoux 

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