Grande Prêmio da Alemanha de 1984

06/08/2014

O Grande Prêmio da Alemanha acontecia no ultra-rápido circuito de Hockenheim, sempre uma pista muito difícil para os motores, particularmente com a tecnologia dos turbos, a grande maioria no pelotão da F1 no momento. A Tyrrell havia feito uma nova apelação de seu banimento da temporada 1984 da F1 e por isso correria normalmente na Alemanha, Áustria e Holanda, quando seria julgado a apelação da equipe, porém o piloto local Stefan Bellof tinha uma corrida marcada no Mundial de Marcas pela Porsche no Canadá e por isso o jovem alemão não estaria presente em sua corrida caseira, sendo substituído pelo neozelandês e novo (e último) campeão da F2, Mike Thackwell. A Toleman recebia boas notícias de Johnny Cecotto se recuperando do seu terrível acidente em Brands Hatch, mas sem encontrar um substituto do venezuelano para Hockenheim, e equipe inglesa só correria com Senna na Alemanha.

Os treinos de sexta-feira começaram com o domínio dos motores Renault com Elio de Angelis ficando a maior parte do treino em primeiro, seguido por Derek Warwick e Patrick Tambay. Porém, Alain Prost acabou com a festa dos seus antigos empregadores ao tirar a pole provisória de Elio, sendo o mais rápido por apenas cinco centésimos de segundo. Normalmente muito rápido nos treinos, Nelson Piquet ficou apenas em quinto, enquanto Niki Lauda rodou duas vezes durante a sessão e teve que se contentar com o sétimo lugar. A Williams continuava sofrendo com a confiabilidade do Williams-Honda e Keke Rosberg foi apenas 19º no grid, com Jacques Laffite sete posições à frente. Sendo a única equipe a usar motor convencional, a Tyrrell sofria muito e Stefan Johansson, 26º colocado no grid, era 3s mais lento... que o 25º! Thackwell foi o último colocado e como apenas 26 carros largariam, o neozelandês estava fora da corrida. Ken Tyrrell tentou usar o mesmo artifício que a Osella fez em Brands Hatch para garantir Jo Gartner no grid, solicitando a todas as equipes que Thackwell fosse aceito e fosse o 27º colocado no grid. Todas as equipes ingleses aceitaram os argumentos de Tyrrell, mas o chefe de equipe da Ferrari Marco Piccinini, chateado com a longa negociação entre Tyrrel, Ferrari e Alboreto nos últimos dois anos, negou e o GP da Alemanha teria 26 carros no grid no domingo.

Grid:
1) Prost (McLaren) - 1:47.012
2) De Angelis (Lotus) - 1:47.065
3) Warwick (Renault) - 1:48.382
4) Tambay (Renault) - 1:48.425
5) Piquet (Brabham) - 1:48.584
6) Alboreto (Ferrari) - 1:48.847
7) Lauda (McLaren) - 1:48.912
8) Fabi (Brabham) - 1:49.302
9) Senna (Toleman) - 1:49.385
10) Arnoux (Ferrari) - 1:49.857

O dia 5 de agosto de 1984 começou com chuva em Hockenheim, a mesma chuva que arruinou os treinos no sábado e que por isso o grid fora definido na sexta. O warm-up, liderado por Warwick, se deu com a pista secando e quando a largada se aproximava, a pista já estava seca e havia até um tímido sol para alegria dos 90.000 alemães que lotavam as arquibancadas de Hockenheim. Bem ao contrário desse ano. Quando Prost levava seu carro ao grid, o francês tem problemas com a bomba de óleo e por isso larga com o carro reserva. Talvez por isso o francês não tenha largado tão bem, sendo superado por Elio de Angelis na entrada na curva um. Piquet, notório por não largar muito bem, sai de suas características e fritando os pneus na freada da curva um por fora, o brasileiro supera os dois carros da Renault e sobe para terceiro, enquanto mais atrás Ayrton Senna faz uma largada espetacular e subia para sexto, logo atrás dos dois carros da Renault.

Os três primeiros colocados (De Angelis, Prost e Piquet) aos poucos abriam vantagem sobre o quarto colocado Warwick, que corria isolado, enquanto Tambay era ultrapassado por Senna durante a segunda volta e o francês já era atacado por Lauda. Contudo, a bela corrida de Ayrton Senna durou apenas cinco voltas, quando a asa traseira da Toleman do brasileiro quebrou sem aviso, provocando um perigoso acidente com Senna, que bateu muito forte no guard-rail, mas sem consequências para o brasileiro, que saiu do carro muito irritado pela oportunidade perdida de fazer outra boa prova após o pódio na Inglaterra. Enquanto isso acontecia, Lauda ultrapassa um lento Tambay e logo tenta uma aproximação a Warwick. Keke Rosberg era o piloto que mais evoluía no pelotão. Aparentemente livre dos problemas mecânicos em seu Williams e contando com a exuberante potência do motor Honda, Rosberg já havia pulado de 19º para sexto em apenas seis voltas! 

Lá na frente, Elio de Angelis se segurava como podia dos ataques de Prost e Piquet, inclusive fazendo manobras de zigue-zague no meio das retas, tentando tirar o vácuo de Prost. Porém, na oitava volta a corrida do italiano acabou quando o seu motor Renault abriu o bico na saída da segunda chicane, propiciando a Prost a liderança da prova, mas o francês usufrui da ponta por muito pouco tempo, pois Piquet efetua a ultrapassagem de na entrada da terceira chicane na mesma volta. Mais atrás, Lauda assume a terceira posição, trazendo consigo um espetacular Keke Rosberg, mas a corrida do finlandês termina tristemente na volta 11 quando seu Williams apresenta problemas elétricos, mostrando que a Williams ainda teria muito trabalho pela frente para aproveitar todo o potencial do motor Honda. Piquet e Prost andavam colados, com Niki Lauda aproximadamente 6s depois e Warwick fazendo uma corrida solitária, onde não atacava ninguém e também não era atacado. Porém, Piquet começa a abrir uma certa vantagem para Prost e quando a vantagem do brasileiro chegou aos 4s na volta 22, Piquet perde rendimento e é rapidamente ultrapassado por Prost e Lauda. Seria mais um triste abandono de Piquet, que lhe roubou tantos pontos importantes em 1984, se não fosse mais uma molecagem do brasileiro.

Num mundo corporativo de hoje, essa cena seria praticamente impossível de acontecer. Estranhamente Piquet não parou nos boxes quando o problema de câmbio de seu Brabham se manifestou, com o brasileiro fazendo uma volta muito lenta até voltar aos boxes. Quando se aproximou do seu pit, Piquet fez um sinal com a mão para que todos os pneus fossem trocados. Os mecânicos trabalharam rápido e quando o carro foi baixado, Piquet simplesmente bateu no cinto e saiu do carro as gargalhadas, enquanto os mecânicos riam de tudo. Eram tempos mais humanos na F1. Porém, a Brabham não achou muita graça quando Teo Fabi, correndo em quarto lugar, entrou nos boxes cinco voltas depois com um problema de câmbio e a prova da Brabham estava terminada com pouco mais da metade da corrida.

O que não estava terminada era a briga pela liderança. Após se ver livre de Piquet, Niki Lauda aumentou o ritmo e começou a fazer volta mais rápida em cima de volta mais rápida, chegando a diminuir sua desvantagem para Prost a menos de 3s. Porém, o francês acordou e começou a também fazer várias voltas mais rápidas, novamente abrindo uma vantagem confortável para o seu companheiro de equipe. Na volta 34 Patrick Tambay era ultrapassado por Nigel Mansell, com o francês tendo problema de rendimento desde o início da prova. Numa corrida onde não houve paradas programadas nos pits, René Arnoux foi um dos poucos a fazê-lo e era sexto quando levou uma volta do seu inimigo e rival Alain Prost. Após chegar a abrir 10s de vantagem para Lauda, Prost diminuiu bem seu ritmo nas últimas duas voltas e recebeu a bandeirada com Lauda apenas 3s atrás. Era a quarta vitória de Prost em 1984 e mesmo tendo os melhores carros do pelotão, Lauda completara apenas a segunda dobradinha da McLaren no ano. Warwick completou o pódio numa corrida muito tranquila, enquanto Mansell foi quarto, Tambay, com sérios problemas no motor, chegando em quinto e Arnoux fechou a zona de pontuação. Com os abandonos de Elio de Angelis e Nelson Piquet, a McLaren tinha praticamente a certeza que o título seria decidido unicamente por seus dois pilotos, com Prost tendo no momento 4,5 pontos de vantagem sobre Lauda e uma vitória a mais. Porém, esse meio ponto feito em Monte Carlo ainda daria muito o que falar para Prost no final do ano.

Chegada:
1) Prost
2) Lauda
3) Warwick
4) Mansell
5) Tambay
6) Arnoux

Posts Relacionados

0 comentários :