O dia em que Senna foi piloto de rally

14/08/2014


Em 1986 Ayrton Senna era a grande promessa da Fórmula 1. O mundo já havia conhecido seu potencial em seu terceiro ano na categoria e ninguém tinha dúvidas de que cedo ou tarde o título chegaria. Já naquela época, conta-se que Senna era muito reservado em relação à imprensa, e apenas uns poucos jornalistas tinham mais acesso ao piloto. Um desses jornalistas era o britânico Russell Bulgin.

Bulgin trabalhava para uma pequena revista britânica chamada Cars and Cars Conversions, que como sugere seu nome, era dedicada a preparação de carros e também trazia algumas páginas sobre automobilismo. Para a edição de novembro de 1986, Bulgin conseguiu convencer Ayrton Senna a dar um pulo no País de Gales para acelerar uma série de carros de rali da época na escola de Phil Collins. 
Obviamente, uma matéria como essa mereceu a capa da revista, que foi estampada com uma foto de Senna em um Sierra de rali sob os dizeres “Ayrton Senna — Rally Driver”.


Senna passou o dia nos estágios de rali dirigindo um Vauxhall Nova 1.3, um Golf GTi do Grupo A, um Ford Sierra Cosworth RS, um Ford Escort V6 3.4 de tração integral e um Austin Metro 6R4 do Grupo B (com o mesmo V6 que acabou no Jaguar XJ220), porém com apenas 250 cv.

A matéria rendeu oito páginas e foi a grande reportagem da década na imprensa britânica. A revista tornou-se artigo de colecionador e um dos raríssimos exemplares chega a custar £ 100 no eBay.uk. Felizmente é possível encontrar alguns trechos da matéria na internet e separamos aqui alguns destaques:

“Não sei nada sobre rali e não quis perguntar nada a ninguém sobre a pilotagem. Quero descobrir sozinho“. Depois de tentar o Vauxhall Nova e ganhar confiança no Golf GTi, ele vai para o Sierra Cosworth. Na primeira curva ele perde a frente do carro em um enorme sub-esterço em direção ao mato. Senna aprendeu com o erro: “quase saí da pista ali, foi… uma surpresa. Eu entrei na curva como um carro normal. Foi estúpido, por que você precisa entrar forte. Antes da curva você precisa estar pronto. Agora entendi por que você precisa fazer o pêndulo.“

Como sempre, Senna absorveu a informação e partiu para a segunda volta com o carro. “Estou aprendendo. É mais difícil do que parece para fazer do jeito certo. É preciso ter muito conhecimento técnico e muita confiança. Faz com que você dê mais crédito aos pilotos de rali, que fazem essas coisas do jeito que eles fazem. Eles chegam em uma floresta pela primeira vez e fazem isso“.


“Em um carro de corridas, você conhece exatamente todas as curvas, porque você faz aquilo, sei lá, cem vezes em um dia de testes. Você sabe como é o asfalto, qual o melhor traçado, e você tem que ser preciso. Você conhece a área de escape e você tem mais… mais feeling sobre tudo. Aqui é tudo muito mais natural, porque você precisa improvisar o tempo todo. Você precisa fazer muitas decisões e não há espaço para erros, senão você sai da pista. É difícil comparar com a F1 porque aqui há muito mais empolgação. Você não tem a velocidade máxima, mas tem uma tremenda aceleração. No Escort a aceleração é inacreditável — e ele é bruto. É uma emoção muito mais instantânea do que em um carro de F1. No carro de Fórmula 1 você vai, vaivaivaivai e aí freia. Você chega a um pico e depois freia, vai ao pico e freia. É algo muito diferente. Você precisa ser bruto com o carro, e eu nunca fui assim antes. Você tende a não ser assim. No rali os riscos são muito mais altos e eu já me arrisquei muito na Fórmula 1 para chegar onde estou.”

fonte: http://www.flatout.com.br


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