Grande Prêmio da Argentina de 1975

12/01/2015



Após uma das temporadas mais emocionantes de sua história, a F1 seguiu o lema do futebol de que 'em time que se está ganhando não se mexe' e por isso poucas equipes grandes mudaram suas duplas de pilotos. O atual bicampeão mundial Emerson Fittipaldi teria um novo companheiro de equipe com a aposentadoria de Denny Hulme, entrando em seu lugar o alemão Jochen Mass. Com a saída da patrocinadora Yardley, a McLaren teria dois carros como as demais rivais. Ferrari, Lotus, Tyrrell e Brabham iniciavam 1975 com os mesmos pilotos de 1974, mas Ronnie Peterson estava descontente na Lotus e o sueco estava forçando sua saída da equipe. Quando os treino se iniciaram, ainda haviam dúvidas se o sueco correria pela Lotus ou pela emergente Shadow.


Para o Brasil, mais importante do que o início da temporada do seu maior ídolo no esporte nacional, com a aposentadoria (temporária) de Pelé, era o início da aventura da família Fittipaldi como equipe de F1. Wilsinho sempre viveu a sombra do irmão mais famoso, mas desde o final de 1973 ele havia colocado em prática o sonho de uma equipe fundada pela família Fittipaldi e apoiado pela Copersucar, com um projeto de Ricardo Divila, o Copersucar FD-01 foi a Buenos Aires para a primeira corrida de um carro genuinamente brasileiro na F1. Wilsinho Fittipaldi seria o chefe de equipe e piloto único. Na Argentina, ainda havia a expectativa de um carro argentino fabricado por Orestes Berta também estreasse em solo portenho e o nativo Nestor Garcia-Veiga chegou a ser inscrito, mas o carro acabou não indo a pista. E nunca mais apareceria...


Numa temporada que foi dominada por McLaren, Ferrari, Tyrrell e Lotus, foi um verdadeiro choque ver o novo Shadow de Jean Pierre Jarier conseguir a primeira pole de ambos, com uma boa diferença de quatro décimos em cima do segundo colocado, o brasileiro José Carlos Pace. Mostrando a força que a Brabham tinha mostrado na última corrida de 1974, Carlos Reutemann largaria em terceiro, tentando vencer na frente dos seus fanáticos torcedores pela primeira vez. O campeão Emerson Fittipaldi largaria num discreto quinto lugar, enquanto seu irmão amargaria a última posição, com um tempo exatamente 11s pior do que o pole Jarier e quase 6s atrás do penúltimo colocado.


Grid:
1) Jarier (Shadow) - 1:49.21
2) Pace (Brabham) - 1:49.64
3) Reutemann (Brabham) - 1:49.80
4) Lauda (Ferrari) - 1:49.96
5) E.Fittipaldi (McLaren) - 1:50.02
6) Hunt (Hesketh) - 1:50.26
7) Regazzoni (Ferrari) - 1:50.71
8) Depailler (Tyrrell) - 1:50.80
9) Scheckter (Tyrrell) - 1:50.82
10) Andretti (Parnelli) - 1:51.06


O dia 12 de janeiro de 1975 estava quente e ensolarado, como normalmente acontece nessa época do ano em Buenos Aires, com os pilotos até mesmo acostumados ao forte calor que faz na corrida argentina. Jarier deveria estar super animado com a sua primeira pole na F1 enquanto estava no grid, pensando de qual forma faria a primeira curva e de como seguraria atrás de seu surpreendente Shadow os melhores pilotos do mundo. No entanto, o momento de regogizo do francês duraria menos do que o imaginado. Enquanto completava a volta de apresentação, a caixa de cambio do carro de Jarrier não funcionava como deveria. Houve um tremor. Por fim, a transmissão do Shadow havia quebrado na volta de apresentação, para desespero de Jarier e alegria da dupla da Brabham, que largaria em dobradinha.


Porém, isso ainda não era suficiente para a torcida argentina que lotava o autódromo Oscar Galvez. Carlos Reutemann faz uma excelente largada e ultrapassa seu companheiro de equipe e xará ainda antes da primeira curva, com os portenhos indo a loucura e não parando de gritar 'Lole', para incentivar Reutemann a disparar na ponta, à frente de Pace, Lauda, Hunt e Fittipaldi. Enquanto Scheckter e Mass se tocavam na primeira volta e tinham que ir aos boxes, perdendo muito tempo para almejar algo de bom na corrida, a dupla da Brabham abria uma boa vantagem sobre os demais, com Lauda segurando Hunt e Emerson. Finalmente na oitava volta o inglês pôde ultrapassar o piloto da Ferrari e partiu para cima de Pace, com Fittipaldi a atacar Lauda. Na 13º volta, Wilsinho Fittipaldi estava somente à frente do atrasado Mass, quando o brasileiro perdeu o controle do seu Copersucar e bateu forte na barreira de proteção, rompendo o tanque de combustível e iniciando um incêndio. Apesar da pancada, Wilsinho saiu do carro sem problemas, mas o modelo FD01 queimou até um carro do caminhão de bombeiros chegar. Foi um enorme frustração para os brasileiro envolvidos e não faltou lamentação no box tupiniquim.

Para aumentar a tristeza brasileira, José Carlos Pace rodou na volta seguinte praticamente no mesmo local em que Wilson havia batido, após ultrapassar Reutemann na mesma volta. O argentino estava perdendo rendimento, mas com o erro de Pace, permanecia em primeiro, enquanto o brasileiro cai de 2º para 7º. Hunt se aproximava gradualmente de Reutemann, trazendo consigo Lauda e Fittipaldi, que brigavam na pista desde o início da corrida. Na volta 23, finalmente o brasileiro ultrapassa a Ferrari, enquanto Hunt encostava de vez em Reutemann. Correndo em casa, o argentino mostra raça, mas seu Brabham tinha claros problemas de equilíbrio e foi ultrapassado por Hunt e Emerson em voltas consecutivas, nas voltas 26 e 27. Imediatamente Fittipaldi passou a atacar Hunt, que usou sua garra habitual para segurar o atual bicampeão, que tinha uma McLaren frente ao seu Hesketh. Na volta 35, o brasileiro assumiu a liderança da corrida.


Com a ponta da corrida na mão, Emerson passou a dominar a prova, aumentando sua diferença para Hunt, que por sua vez não tinha que se preocupar com Reutemann, já um distante 3º colocado, com as duas Ferraris brigando com o Brabham de Pace nas voltas finais. Mais equilibrado e mostrando que tinha carro para conseguir a vitória, Pace ultrapassa as duas Ferraris, com Regazzoni já à frente de Lauda, mas seu motor o trai nas últimas voltas, entregando o 4º lugar a Regazzoni, com Depailler ainda ultrapassando Lauda nas voltas finais. Assim como tinha acontecido quando havia defendido seu título de 1972, Emerson inicia a temporada seguinte com uma boa vitória na Argentina, dando a pinta que continuaria vencendo na temporada. O tempo mostraria que aconteceria a mesma história de 1973. Para os brasileiros da Copersucar, só restava construir um novo carro para Wilsinho Fittipaldi para a corrida caseira em Interlagos.


Chegada:
1) E.Fittipaldi
2) Hunt
3) Reutemann
4) Regazzoni
5) Depailler
6) Lauda

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