Grande Prêmio do Brasil de 1975

26/01/2015


Com pouco tempo entre as corridas na Argentina e no Brasil, as equipes se preparavam para a 'temporada sul-americana' sem muito tempo para consertos, levando toda a sua logística junto. Por isso, se um carro tivesse com problemas em Buenos Aires, as equipes em questão não podiam fazer muito para a corrida em São Paulo. Profundamente irritado com o péssimo rendimento da Lotus na Argentina, Ronnie Peterson começou a forçar sua saída da tradicional equipe e como a equipe no qual negociava, a Shadow, estava numa fase excepcional, o sueco chegou a sentar num dos carros negros da equipe emergente em Interlagos, mas Colin Chapman exerceu o contrato que tinha com Peterson e, mesmo a contra gosto, teve que fazer mais uma prova com o velho Lotus 72.

Mostrando o porquê de Peterson estar tão ansioso por correr na Shadow, Jarier conquistou mais uma pole com uma certa facilidade e, conta a lenda, entrou na história de Interlagos por um feito a muito esperado. A famosa Curva 1 da pista paulistana começava a ganhar ares de desafio por ninguém ter conseguido contorná-la de pé embaixo. Muitas pessoas acampavam próximo da curva apenas para ver quem seria o primeiro a não aliviar na desafiadora curva. Em sua volta mais rápida, Jarier teria cruzado a Curva de pé em baixo, causando uma grande comemoração na torcida. Comprovando a boa fase, Emerson Fittipaldi completaria a primeira fila, enquanto a Copersucar, que teve seu primeiro carro destruído por um incêndio em Buenos Aires, teve que reconstruir um novo chassi, completamente diferente do primeiro, e o chamou de FD02, tamanha a diferença para o projeto original, o FD01. Conhecendo a pista com a palma da mão, Wilsinho Fittipaldi conseguiu não ficar em último. Era um alento.

Grid:
1) Jarier (Shadow) - 2:29.88
2) E.Fittipaldi (McLaren) - 2:30.68
3) Reutemann (Brabham) - 2:31.00
4) Lauda (Ferrari) - 2:31.12
5) Regazzoni (Ferrari) - 2:31.22
6) Pace (Brabham) - 2:31.58
7) Hunt (Hesketh) - 2:31.70
8) Scheckter (Tyrrell) - 2:31.74
9) Depailler (Tyrrell) - 2:32.94
10) Mass (McLaren) - 2:33.06

O dia 26 de janeiro de 1975 estava extremamente quente em São Paulo e para diminuir o calor, os bombeiros jorraram água na torcida, numa cena célebre. Interlagos estava lotado e esperava uma vitória de Emerson, mas havia outro brasileiro com chances de vitória: José Carlos Pace. O 'Moco' tinha mostrado em Buenos Aires que tinha condições de conquistar um bom resultado e seu sexto lugar no grid em Interlagos era o indício de que ele estaria no pelotão dianteiro no início da prova. Mesmo com dois títulos mundiais, haviam que preferiam Pace com relação a Emerson Fittipaldi, inclusive com algumas cenas que veríamos com mais intensidade na década seguinte, com Piquet e Senna. Dentre todas as suas várias qualidades, um defeito crônico em Emerson Fittipaldi eram suas péssimas largadas e em Interlagos não foi diferente, porém, o brasileiro não foi o único. Quando a bandeira brasileira foi baixada, Fittipaldi deixou sua McLaren patinar e Reutemann partiu para cima de Jarier, que não fez uma largada perfeita e o argentino estava na ponta da corrida ainda antes da curva 1. Pace, com a outra Brabham, também faz uma ótima largada e pula de 6º para 3º.

Reutemann permanecia em primeiro, mas Jarier mostrava claramente que era o mais rápido e pressionava o argentino, com Pace logo atrás. As duas Ferraris de Regazzoni e Lauda permaneciam a distância, com Scheckter sendo pressionado por Emerson Fittipaldi, que procurava uma rápida corrida de recuperação. Tentando segurar Jarier, Reutemann acaba por desgastar demais os seus pneus e o argentino acaba sucumbindo a pressão do piloto da Shadow na quinta volta, com Jarier abrindo uma vantagem absurda logo quando a ultrapassagem foi consumada. O francês imprimia um ritmo alucinante e disparava na frente. Enquanto isso, os brasileiros começavam a dar show.

Na 13º volta, Pace ultrapassa Reutemann e assumia a 2º posição, mas com uma desvantagem absurda de 19s para Jarier, enquanto Emerson Fittipaldi fazia uma corrida extremamente inteligente, bem ao seu estilo, e na volta 15 começa sua seqüencia de ultrapassagens. A primeira vítima foi Jody Scheckter e quatro voltas depois o brasileiro ultrapassou Lauda. Com Reutemann perdendo rendimento, Fittipaldi deixou o argentino para trás e logo colou na Ferrari de Regazzoni, precisando de um pouco mais de paciência para deixar o suíço da Ferrari para trás. Quando assumiu a 3º posição na volta 29, o público brasileiro foi ao delírio e começou a secar Jarier. Afinal, só assim o francês poderia perder a corrida brasileira, com o Shadow numa forma exuberante em Interlagos. Na volta 32, enquanto se aproximava da reta dos boxes, o carro de Jarier dá uma engasgada, facilmente perceptível e que a torcida percebeu de longe. Aos gritos de 'quebra, quebra', Jarier abandonou tristemente com a bomba de óleo do seu carro quebrada. Era o fim da melhor corrida de Jean Pierre Jarier e o início de uma festa inesquecível.

Pace assumia a liderança da corrida e tinha 10s de vantagem para Emerson. O público delirava quando seus ídolos cortavam a linha de chegada, mas não faltaram quem secasse Pace para que Emerson assumisse a liderança. Assim como vice-versa. Restavam oito voltas na ocasião, que virou sete, seis, cinco... A Brabham de Pace e a McLaren de Fittipaldi estavam em ótima fase e mesmo com Moco diminuindo o seu ritmo no final, a primeira dobradinha brasileira na história estava feita. Pace foi levado aos boxes nos ombros da torcida e chorou bastante quando lá chegou. Desfazendo qualquer indício de inimizade, Emerson era um feliz 2º colocado (afinal, era mais líder do que nunca do campeonato) e parecia contente com a primeira vitória de Pace. Comprovando a boa fase da McLaren, Jochen Mass conseguiu ultrapassar as duas Ferraris e completar um dos pódios mais festivos da história da F1. José Carlos Pace poderia ter conquistado outros momentos como esse, mas infelizmente o destino não quis assim.

Chegada:
1) Pace
2) E.Fittipaldi
3) Mass
4) Regazzoni
5) Lauda
6) Hunt

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