Grande Prêmio da Austrália de 2000

13/03/2015

A F1 ia para Melbourne para a sua primeira corrida do ano 2000 com a mesmo expectativa dos dois anos anteriores, onde McLaren e Ferrari dominaram o campeonato, sempre com vantagem para Mika Hakkinen e a McLaren. Porém, haviam novas peças naquele tabuleiro da frente. A McLaren continuava com a mesma dupla de pilotos (Hakkinen e Coulthard) desde 1997 e fez uma pré-temporada marcada pela velocidade e a inconfiabilidade. Era esperado que os problemas da McLaren fossem sanados à tempo, enquanto que na Ferrari, que fez seus testes praticamente sozinha em suas pistas na Itália, a novidade era a chegada de Rubens Barrichello à equipe, após uma ótima temporada na Stewart em 1999. O brasileiro chegou com a expectativa de repetir o desempenho do seu ídolo Ayrton Senna, que chegou na McLaren em 1988 sendo campeão, mas Michael Schumacher mostrou quem mandava ao ser mais rápido do que seu companheiro de equipe em todos os testes na Itália, mas Barrichello sempre reivindicaria uma melhor posição dentro da Ferrari.

A Jordan tinha feito uma excelente temporada em 1999 e manteve Heinz-Harald Frentzen, para muitos, o melhor piloto de 1999, e trouxe o promissor Jarno Trulli. A Stewart foi comprada pela Ford e agora era conhecida como Jaguar, num dos carros mais belos daquele ano e tendo Eddie Irvine como primeiro piloto, após vários anos do irlandês ficando na sombra de Schumacher na Ferrari. A Williams teria o novíssimo motor BMW, mas também estrearia o jovem Jenson Button, de apenas 20 anos e uma temporada no automobilismo, onde foi terceiro na F3 Inglesa. Outro estreante era Nick Heidfeld, protegido da Mercedes e então campeão da F3000, na equipe de Alain Prost.

Os primeiros treinos indicaram que a pole seria decidida entre os quatro pilotos de Ferrari e McLaren, com Schumacher tendo uma ligeira vantagem após marcar o melhor tempo do final de semana no último treino livre, mas o alemão teria que correr com o carro reserva, após um acidente no final dessa mesma sessão. Esse lapso de Schumacher foi aproveitado por Hakkinen, que logo após a metade do treino de classificação fez o melhor tempo do dia. Schumacher foi atrapalhado em suas últimas duas tentativas e acabou na segunda fila, também superado por Coulthard, que errou em sua última volta rápida e a bandeira amarela resultante acabou fazendo Schumacher perder sua volta mais rápida, que possivelmente lhe daria a pole. Rubens Barrichello, em sua primeira sessão de classificação em uma equipe grande, ficou em quarto após sair da pista em sua melhor volta, enquanto era seguido pela dupla da Jordan, Irvine e Villeneuve, num grid sem muitas surpresas.

Grid:
1) Hakkinen (McLaren) - 1:30.556
2) Coulthard (McLaren) - 1:30.910
3) M.Schumacher (Ferrari) - 1:31.075
4) Barrichello (Ferrari) - 1:31.102
5) Frentzen (Jordan) - 1:31.359
6) Trulli (Jordan) - 1:31.504
7) Irvine (Jaguar) - 1:31.514
8) Villeneuve (BAR) - 1:31.968
9) Fisichella (Benetton) - 1:31.992
10) Salo (Sauber) - 1:32.018

O dia 12 de março de 2000 estava quente e ensolarado em Melbourne, como havia sido em todo o final de semana e com os carros sofrendo muito com o calor. Jenson Button largava na última fila, dando munição aos que o criticaram pela sua falta de experiência, mas o inglês da Williams deu sua resposta ao ser o segundo colocado no warm-up, ficando logo atrás de Barrichello. Quando as luzes vermelhas se apagaram, a dupla da McLaren saiu sem problemas, mas os dois pilotos da Ferrari saíram bem lentamente, sendo atacados pela dupla da Jordan. Com muito custo, Schumacher permaneceu na terceira posição, enquanto Barrichello é menos feliz e fica atrás de Frentzen, o que seria algo que o brasileiro iria amargar bastante. Ainda durante a primeira volta, Johnny Herbert seria o primeiro abandono do ano.

Não demorou para que a dupla da McLaren disparar na frente, com Hakkinen liderando confortavelmente, mas Schumacher estava na espreita, esperando qualquer vacilo dos dois primeiros, enquanto abria boa vantagem sobre a Jordan de Frentzen, que era fortemente pressionado por Barrichello, que tinha um ritmo bem melhor do que o alemão, mas não conseguia a ultrapassagem. A corrida seguia sem grandes mudanças, quando Pedro de la Rosa bateu no muro na sexta volta, após uma repentina quebra na suspensão do Arrows do espanhol. Irvine vinha logo atrás e na tentativa de desviar de Pedro, acabou rodando e com dois carros rodados, o safety-car deu o ar da graça. Algumas voltas mais tarde, a corrida voltou ao seu ritmo normal, menos para Coulthard, que reduziu a velocidade do seu carro de repente e foi aos boxes, para tentar consertar o seu problemas, mas o escocês não demorou muito para abandonar a prova com o motor quebrado. Porém, era apenas o início do pesadelo da McLaren, pois cinco voltas depois, foi a vez do motor Mercedes Benz de Hakkinen virar, literalmente, fumaça e ver a liderança da corrida cair no colo de Schumacher.

Involuntariamente, Schumacher era ajudado por Frentzen e com isso o alemão pôde fazer sua parada tranquilamente na metade da prova, colocando combustível suficiente para terminar a prova, voltando à pista em terceiro, logo atrás de Barrichello. Porém, o trabalho da Ferrari ainda não acabara e com Rubens não conseguindo ultrapassar Frentzen, a Ferrari mudou a estratégia do brasileiro e colocou menos combustível no carro de Barrichello para que ele ganhasse tempo em relação à Frentzen. Porém, o trabalho de Barrichello foi facilitado quando Trulli, que poderia atrapalha-lo, quebrou o motor e quando Frentzen fez seu pit-stop, além de colocar muito combustível para finalizar a prova, o mecânico responsável pela mangueira acabou se atrapalhando e o alemão perdeu mais tempo do que o devido. A 'ultrapassagem' de Barrichello estava consumada, mas não demorou para que o dia da Jordan piorasse quando Frentzen retornou aos boxes algumas voltas depois, com problemas de transmissão. A dobradinha da Ferrari estava garantida. Porém, com o carro mais leve pela troca de estratégia, Rubinho se aproximava cada vez mais de Schumacher e aqui no Brasil, Galvão Bueno se esgoelava, enquanto Reginaldo Leme lançava a informação de que nenhum novato havia vencido em sua estreia pela Ferrari. Não devemos esquecer que o Brasil vivia um jejum de sete anos sem vitórias na F1 e quando Barrichello passou Schumacher na reta dos boxes, com o alemão praticamente acenando e dizendo 'vai, vai, vai', Galvão estourou! Então, alguém deve ter avisado que Barrichello ainda precisava parar pela segunda vez e faltando 14 voltas para o fim, o brasileiro faz um splash-and-go, não troca os pneus, e retorna à pista num confortável segundo lugar.

Com o abandono de Frentzen, quem assumia o terceiro lugar era Ralf Schumacher, surpreendendo as melhores expectativas da Williams e da BMW. Ele estava à frente de Villeneuve, Fisichella e Jenson Button, mas a brilhante corrida de estreia do inglês acaba quando o seu motor estoura. Quando Button abandona, Ricardo Zonta na segunda BAR, a Sauber de Salo e a segunda Benetton de Wurz encostam nesse pelotão, trazendo um pouco de entretenimento para o público, mas só se vê uma única ultrapassagem, quando Salo ultrapassa Zonta já no finalzinho da corrida, garantindo o sexto lugar, a última posição pontuável de quinze anos atrás. Michael Schumacher recebeu a bandeirada para uma tranquila vitória, enquanto Barrichello completava a dobradinha da Ferrari com a melhor volta da corrida. Num pódio feliz, Ralf Schumacher supera as expectativas e fica com um terceiro lugar, enquanto Jacques Villeneuve comemorava muito os primeiros pontos da história da BAR, dando motivos de alegria para a Honda, em seu retorno oficial à F1. Fisichella foi o quinto, enquanto Salo colocava o terceiro motor Ferrari entre os seis primeiros, mas o finlandês acabaria desclassificado por uma infração em sua carenagem e com isso Ricardo Zonta marcava seu primeiro ponto na F1. Ferrari e McLaren mostraram que dominariam a F1 e dividiriam as vitórias no ano 2000, como fizeram nos últimos dois anos.

Chegada:
1) M.Schumacher
2) Barrichello
3) R.Schumacher
4) Villeneuve
5) Fisichella
6) Zonta  

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