Grande Prêmio da Austrália de 2005

07/03/2015

Após o domínio imposto pela Ferrari em 2004, não demorou para que a FIA tentasse medidas para 'reequilibrar' a F1 novamente, como foi feito em 2003, com relativo sucesso, mesmo que Michael Schumacher tenha conquistado seu sexto título na ocasião. Para 2005, as mudanças se deram na aerodinâmica dos carros, que ficariam mais difíceis de guiar, mas a principal mudança se deu nos pneus. Se boa parte do domínio da Ferrari em 2004 se deu pela plena adaptação do time italiano aos pneus Bridgestone, a FIA resolveu radicalizar e fazer com que os pneus durassem a corrida inteira, mas o reabastecimento ainda era permitido.

Com relação aos pilotos, muitas mudanças aconteceram, mas a Ferrari permanecia com a sua consagrada dupla Michael Schumacher-Barrichello. Após um 2004 bem abaixo das expectativas, a Williams dispensou Ralf Schumacher e com a saída de Juan Pablo Montoya para a McLaren, o time trouxe o ascendente Mark Webber para a equipe e promoveu uma espécie de 'vestibular' durante a pré-temporada entre Nick Heidfeld, o preferido da BMW, e Antonio Pizzonia, piloto de testes da Williams e preferido dos ingleses. Para piorar as coisas para o manauara, ele não teve uma boa convivência com Webber nos tempos da Jaguar e Heidfeld, bem mais experiente, foi o escolhido, mas ficava demonstrando de uma vez por todas, a grande divisão entre Williams e BMW. Falando em Jaguar, a Ford cansou da brincadeira e resolveu finalizar sua participação na F1, vendendo à equipe no final de 2004. Foi a deixa para que Dietrich Mateschitz deixasse para trás sua atividade de apenas patrocinador para entrar de vez na F1 como equipe, nascendo assim a Red Bull, já comandado pelo jovem Christian Horner, que teria o veterano David Coulthard, após anos na McLaren, junto do jovem Christian Klien, fruto das canteiras da Red Bull. A McLaren teria a explosiva dupla Raikkonen e Montoya, enquanto a Toyota parecia finalmente investir mais nos pilotos, após anos trazendo pilotos menos famosos, ao contratar Jarno Trulli e Ralf Schumacher para a sua equipe. A Renault trazia de volta Giancarlo Fisichella para correr ao lado do talento inato e protegido do chefe Flavio Briatore, Fernando Alonso, enquanto a Sauber substituía Fisichella pelo polêmico Jacques Villeneuve, que meses antes tinha sido chamado de 'babaca' pelo seu agora companheiro de equipe Felipe Massa, no programa 'Linha de Chegada'.

Foi com esse line-up que a F1 se preparou para a sua primeira corrida de 2005. Era uma época em que as equipes piores colocadas no Mundial de Construtores colocavam um terceiro carro na sexta-feira para testar e a McLaren, vindo de uma péssima temporada em 2004, utilizaria muito bem Pedro de la Rosa e Alexander Wurz como test-driver naquela temporada. Outra diferença também era na classificação, onde cada piloto dava uma volta rápida no sábado e outro no domingo pela manhã e o somatório dos dois tempos definia o grid. Essa 'ideia' apareceu pelo furacão que apareceu em Suzuka em 2004, tumultuando aquele final de semana, mas logo essa classificação dividida seria abandonada de tão impopular que ela se tornou. E logo de cara daria uma enorme dor de cabeça, que praticamente definiu a corrida no domingo. Uma pancada de chuva durante a classificação no sábado estragou a volta de muita gente. Giancarlo Fisichella estava recolhendo seu Renault após fazer sua melhor volta do dia, quando chuva apareceu. Sobrou para Felipe Massa, com pneus slicks, ter que abortar a volta e largar em último. O campeão Schumacher foi outro a sofrer com a chuva e largaria na penúltima fila. No final, a primeira fila seria toda italiana, pela primeira vez desde 1984, com Trulli ficando em segundo. Mark Webber, estreando na Williams e correndo em casa, ficaria na segunda fila, enquanto Jacques Villeneuve, numa má atuação até ali, teve sorte bem diferente do seu companheiro de equipe e largaria numa boa quarta posição.

Grid:
1) Fisichella (Renault) - 3:01.460
2) Trulli (Toyota) - 3:04.429
3) Webber (Williams) - 3:04.996
4) Villeneuve (Sauber) - 3:06.846
5) Coulthard (Red Bull) - 3:07.212
6) Klien (Red Bull) - 3:07.477
7) Heidfeld (Williams) - 3:09.130
8) Button (BAR) - 3:12.128
9) Montoya (McLaren) - 3:14.645
10) Raikkonen (McLaren) - 3:15.558

O dia 6 de março de 2005 estava nublado e com risco de chuva para a corrida, que acabou não se confirmando. Porém, a grande preocupação das equipes, de como iria se comportar os pneus por 305 km seguidos, foi bastante diminuída, pois com um clima ameno, a borracha Bridgestone e Michelin seria menos posta em prova. A primeira largada foi abortada quando Raikkonen ficou parado no grid. Na segunda largada, a que valeu, Fisichella e Trulli saíram sem problemas, enquanto Coulthard, em sua primeira corrida fora da McLaren em nove anos, se aproveita da má saída de Webber e Villeneuve para assumir um ótimo terceiro lugar. Largando no meio do pelotão, Alonso e Barrichello ganham posições no apagar das luzes vermelhas, o mesmo não acontecendo com Schumacher. Villeneuve mostrava que não tinha ritmo para se manter na posição que estava e rapidamente perde terreno.

Para sorte de Fisichella e Trulli, Coulthard também não tinha um bom ritmo de corrida, e segurava atrás de si um pelotão de carros. Já correndo em nono, Villeneuve fazia algo parecido, segurando um terceiro pelotão atrás de si, inclusive um ansioso Fernando Alonso, louco para mostrar o verdadeiro potencial do seu carro, algo que Fisichella fazia lá na frente. Provavelmente instruídos pelas equipes, os pilotos não forçavam demais, para tentar garantir uma vida saudável para os pneus e por isso, não houve ultrapassagens até a primeira rodada de paradas, só de reabastecimento, com Alonso finalmente ultrapassando Villeneuve. Demonstrando também o quão forte estava a engenharia da F1 no momento, Albers abandonou na volta 17 com problemas de câmbio em sua Minardi, no que seria o único abandono devido a problemas mecânicos. No final do dia, dezessete dos vinte carros que largaram dez anos atrás veriam a bandeirada na volta 57 do Grande Prêmio da Austrália.

Após a primeira rodada de paradas, Fisichella mantinha uma boa vantagem sobre Trulli, enquanto Barrichello e Alonso mostravam muita velocidade quando conseguiram ter pista livre e com isso ganharam quatro posições cada, com o brasileiro subindo para terceiro, enquanto o espanhol era quarto. Coulthard, estreando pela 'novata' Red Bull era quarto, segurando um perigoso Mark Webber. Ambos fizeram boas estreias. Porém, o sonho de uma boa posição de Trulli se esvaiu quando teve um furo no pneu traseiro, fazendo o italiano perder muitas posições. Quase ao mesmo tempo, Ralf Schumacher foi aos boxes para... apertar o cinto de segurança! Péssimo momento para a Toyota. Após fazer sua segunda parada, Michael Schumacher passou a atacar seu compatriota Heidfeld pela nona posição, mas numa manobra, no mínimo, otimista, o heptacampeão mundial acabou tocando na Williams de Heidfeld e se deu pior, com Schumacher indo aos boxes abandonar devido aos danos em sua Ferrari e mostrando que 2005 seria muito, muito diferente do ano de ouro que foi 2004 para o alemão.

Após a segunda rodada de paradas, a corrida ficou definida. Os pilotos tentaram conservar ao máximo motor e pneus, esses, surpreendentemente, bem conservados ao final das corridas, não importando a marca. Giancarlo Fisichella venceu de ponta a ponta a corrida, finalmente podendo sentir o gosto da vitória no pódio, pois sua primeira vitória no GP Brasil de 2003 só seria confirmada alguns dias depois. Fisichella estava, ao mesmo tempo feliz e preocupado, pois soube-se depois que ele quase não correu naquele dia, pois seu filho estava doente na Itália, mas para a sua sorte, o menino melhorou e ele venceu de forma categórica em Melbourne. Alonso ainda tentou pressionar Barrichello e formar uma dobradinha da Renault, mas Rubens usou sua experiência para manter o espanhol atrás de si e garantir bons pontos para a Ferrari e largar na frente de Schumacher no Mundial. Porém, o maior desafio da Renault não estariam nos carros vermelhos, como se veria mais tarde. Raikkonen fez uma grande corrida de recuperação após largar dos boxes para terminar em oitavo, marcando um ponto. A McLaren mostrava seu enorme potencial, mas aquele dia foi azul. Azul Renault!

Chegada:
1) Fisichella
2) Barrichello
3) Alonso
4) Coulthard
5) Webber 
6) Montoya
7) Klien
8) Raikkonen

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