Grande Prêmio do Brasil de 1995

27/03/2015

A triste temporada de 1994 havia deixado marcas eternas na F1 e os carros estavam bem diferentes quando a F1 chegou à Interlagos para a primeira corrida de 1995. O downforce dos carros havia diminuído drasticamente e os carros voltavam a derrapar como há muito não se via, causando alguns transtornos na pré-temporada, com várias rodadas. A segurança dos bólidos também estava reforçada, particularmente nas laterais do cockpit. Entre os pilotos, apenas Pedro Paulo Diniz era um verdadeiro novato, pois Andrea Montermini, Mika Salo, Domenico Schiattarella e Taki Inoue participaram de pelo menos uma corrida em 1994. Diniz, por sinal, correria pela equipe Forti Corse, de algum sucesso nas categorias de base, mas que só ascendeu à F1 em 1995 graças ao investimento da família Diniz na equipe. O carro, totalmente amarelo, era muito ruim, o mesmo acontecendo com Pedro Paulo Diniz, que teria ao seu lado o veterano Roberto Moreno fazendo um papel de tutor para o brasileiro.

Durante a pré-temporada, a Jordan surpreendeu ao conseguir liderar algumas sessões, fazendo com que Rubens Barrichello criasse uma expectativa para que ele pudesse levar novamente o Brasil para os primeiros lugares na F1. Contudo, parodiando o que se diz no futebol, 'treino é treino, corrida é corrida'. Aquela atitude de Rubens, com o apoio da Rede Globo, fez com que o piloto brasileiro passasse, com o tempo, a ser uma piada ao longo dos anos. Por sinal, esse Grande Prêmio do Brasil teria um clima cinzento e nostálgico, pois era a primeira corrida brasileira sem Ayrton Senna, morto praticamente um ano antes. Isso fez com que as arquibancadas estivessem vazias nos dois primeiros dias de treinos, mas o público retornou com força no domingo. Não haviam grandes mudanças nas equipes de ponta, com Damon Hill (Williams) e Michael Schumacher (Benetton) sendo os grandes favoritos ao título de 1995, com seus companheiros de equipe (David Coulthard na Williams e Johnny Herbert na Benetton), como coadjuvantes de luxo. Nigell Mansell correria pela McLaren, mas o inglês se provou largo demais para o cockpit do carro e seria substituído por Mark Blundell. Ron Dennis, que nunca gostou de Mansell (e a recíproca era verdadeira), ficou muito irritado pela exposição de sua equipe daquela forma.

Se havia expectativa com a Jordan, a realidade apareceu nos treinos, com Williams e Benetton dominando o pelotão. O recapeamento de Interlagos, para diminuir as ondulações, não surtiu o efeito desejado e os pilotos reclamaram bastante justamente das ondulações, que fizeram foi aumentar. Schumacher sofreu um forte acidente na sexta, mas o alemão se recuperou e foi o mais rápido no sábado, mas o piloto da Benetton foi incapaz de superar o ótimo tempo feito por Damon Hill na sexta-feira e o inglês da Williams ficou com a pole. Passando a utilizar motores Renault, a Benetton parecia ainda mais forte, mesmo com a Williams mostrando um carro bem mais estável. Para desgosto do público brasileiro, Barrichello decepcionou nos treinos e largaria em 15º, tomando mais de 1s do seu companheiro de equipe, Eddie Irvine.

Grid:
1) Hill (Williams) - 1:20.081
2) Schumacher (Benetton) - 1:20.382
3) Coulthard (Williams) - 1:20.422
4) Herbert (Benetton) - 1:20.888
5) Berger (Ferrari) - 1:20.906
6) Alesi (Ferrari) - 1:21.041
7) Hakkinen (McLaren) - 1:21.399
8) Irvine (Jordan) - 1:21.749
9) Blundell (McLaren) - 1:21.779
10) Panis (Ligier) - 1:21.914

O dia 26 de março de 1995 estava muito nublado em São Paulo, trazendo um aspecto ainda mais sombrio para aquela corrida. A conhecida festa nas arquibancadas para Senna estava longe de acontecer naquele dia cinzento de 1995. Uma série de homenagens foram feitas e Rubens Barrichello, ainda em sua luta para ser o novo darling da torcida brasileira, correu com um capacete especial, tendo o famoso desenho de Senna no seu capacete. Na luz verde, Damon Hill não aproveitou sua pole e foi ultrapassado por Schumacher ainda na curva um, enquanto Herbert também largava mal e perdia três posições. Fora um toque entre Panis e Katayama, que ocasionou o abandono do francês, a largada foi tranquila.

Damon Hill tentou um ataque em cima de Schumacher, mas como acontecera em Adelaide, o alemão fechou a porta, porém o inglês segurou a onda e preparou o bote para mais tarde. Os dois primeiros colocados começaram a aumentar a vantagem para o terceiro colocado Coulthard, que corria doente, com uma amidalite. Apenas na décima volta de 71, Schumacher colocou a primeira volta em Diniz, mostrando o quão lento eram os carros italianos. Além do próprio brasileiro... Diniz acabaria a corrida em último sete voltas atrás do vencedor da corrida. A pré-temporada tinha visto muitos problemas mecânicos e na corrida em Interlagos não foi diferente, com quebras, logo no começo da prova, de Frentzen, Irvine e Katayama. Porém, a quebra mais triste do dia se deu na volta 17, com Barrichello encostando o seu Jordan no box com problemas de câmbio, numa prova totalmente sem brilho do que seria o anfitrião da festa. Mesmo correndo juntos, Williams e Benetton estavam numa estratégia diferente, com Schumacher tendo que forçar, pois teria que parar três vezes, no que Hill se mantinha numa ótima situação, pois o inglês pararia apenas duas vezes.

Schumacher fez sua primeira parada na volta 18 e o alemão acabou perdendo tempo, quando teve que desviar da Jordan quebrada de Barrichello. Hill aproveitou a pista livre para acelerar e quando o inglês fez sua primeira parada, ele voltou à frente de Schumacher. Várias equipes tiveram problemas nos pit-stops, em especial a Ferrari, que liberou Berger enquanto um mecânico ainda terminava de apertar uma porca, fazendo com que o austríaco perdesse muito tempo. Um precioso tempo. Mesmo um pouco mais pesado do que Schumacher, Hill aumentava a vantagem sobre o alemão, mas na volta 30 o piloto da Williams perdeu rendimento e na volta seguinte, acabou abandonando com problemas de câmbio. Schumacher liderava com boa margem sobre Coulthard, enquanto um surpreendente Mika Salo ficava em terceiro, mas 40s atrás da Williams, porém à frente de Hakkinen e das duas Ferraris. Contudo, Salo ainda não estava plenamente acostumado com os desafios físicos que um carro de F1 impunha em 1995 e passou a ter câimbras e logo foi alcançado pelo compatriota Hakkinen. Salo acabaria rodando e perdendo um tempo precioso, que fatalmente o colocaria na zona de pontuação no final do dia. Berger fazia uma boa corrida de recuperação e ultrapassa seu companheiro de equipe Alesi durante a segunda rodada de paradas. 

Antes de fazer sua terceira e última parada, Schumacher ainda teve tempo de marcar a volta mais rápida da corrida e mesmo retornando à pista na frente de Coulthard, o alemão manteve um ritmo forte para receber a bandeirada com 11s de vantagem sobre o escocês. Na briga pelo último lugar do pódio, Hakkinen foi surpreendido por um problema incomum: um pássaro estragou sua asa traseira e o finlandês perder muito do equilíbrio do seu McLaren. Berger aproveitou o infortúnio de Hakkinen para assumir o terceiro lugar nas voltas finais, mas o austríaco terminou uma volta atrás de Schumacher. Havia sido um domínio de Schumacher e dos motores Renault, mas havia um grave problema acontecendo nos bastidores. Antes das corridas, as fornecedoras de combustível mandavam amostras de gasolina para a FIA e era homologada. Após os treinos, a Elf, fornecedora de Williams e Benetton, teve problemas com a gasolina, fazendo com que uma nova especificação de gasolina fosse apresentada à FIA, mas isso não era legal. Isso fez com que Schumacher e Coulthard fossem desclassificados após a corrida, com Berger chegando a estourar o champanhe da vitória nos boxes da Ferrari, já de noite. Após muita polêmica (mais uma, após um 1994 cheio de polêmicas com desclassificações por vários motivos), a FIA resolver apenas multar a Elf, Williams e Renault, mas manteve o resultado da pista. Depois de um 1994 tão cheio de problemas, Schumacher começava a defender seu título... com mais problemas extra-pista!

Chegada:
1) Schumacher
2) Coulthard
3) Berger
4) Hakkinen
5) Alesi
6) Blundell 

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