Grande Prêmio da Espanha de 1995

15/05/2015

Michael Schumacher não estava podendo defender o seu título mundial conquistado no ano anterior de forma adequada. Após ser derrotado por Damon Hill na Argentina, Schumacher sofreu um forte acidente em Ímola e estava em terceiro no campeonato. Se quisesse voltar à briga pelo título, o alemão da Benetton precisava vencer em Barcelona, pista onde os carros Williams, projetados de Adryan Newey, tradicionalmente se davam bem. Schumacher e Benetton ainda estavam se ajustando aos novos motores Renault, mas quem também estava se adaptando ao novo carro era Nigel Mansell. Após humilhar Ron Dennis ao dizer que não cabia no McLaren MP4/10 e ficar de fora de algumas corridas, Mansell viu a McLaren construir um modelo B com um cockpit maior para que o inglês coubesse dentro do carro.

Na sexta-feira, Schumacher reclamou que seu carro estava inguiável, mas no sábado, de forma miraculosa, o Benetton-Renault se 'consertou' e Schumacher meteu exatos seis décimos em cima de Alesi, sendo o alemão o único a andar na casa de 1:21. Atrás do pole Schumacher, havia um forte equilíbrio entre Ferrari e Williams, enquanto Herbert provava onde estava dentro da Benetton ao ficar exatos dois segundos atrás do companheiro de equipe. Mesmo com um carro praticamente feito para ele, Mansell reclamava do carro, o mesmo não acontecendo com Hakkinen, que superou o inglês. O detalhe é que o finlandês tinha o modelo standard do MP4/10...

Grid:  
1) Schumacher (Benetton) - 1:21.452
2) Alesi (Ferrari) - 1:22.052
3) Berger (Ferrari) - 1:22.071
4) Coulthard (Williams) - 1:22.332
5) Hill (Williams) - 1:22.349
6) Irvine (Jordan) - 1:22.352
7) Herbert (Benetton) - 1:23.536
8) Barrichello (Jordan) - 1:23.705
9) Hakkinen (McLaren) - 1:23.833
10) Mansell (McLaren) - 1:23.927

O dia 14 de maio de 1995 amanheceu quente e limpo em Barcelona, proporcionando um belo dia para uma corrida de F1. A pista de Barcelona já era considerada uma pista de poucas emoções, pois vários testes de inverno eram realizadas na pista espanhola, com especial destaque para os carros de Newey, que sempre prezou pela aerodinâmica e as curvas rápidas do circuito de Montmeló ajudam os carros da Williams, mesmo a dupla britânica da Williams não estarem tão à frente como esperado no grid. Na largada, Schumacher larga muito bem, cortando na frente de Alesi para se manter tranquilamente em primeiro. Mais atrás, Hill emula a ótima largada do seu rival e ultrapassa Coulthard e Berger, subindo para terceiro, atrás de Alesi, que se mantém em segundo. Não houve nada de anormal na largada e tirando Andrea Montermini, que teve seu câmbio quebrado ainda na volta de apresentação, todos sobreviveram bem à primeira volta.

Imediatamente Schumacher imprimi um ritmo alucinante na ponta, indicando a possibilidade de fazer três paradas, tática tão usado pelo alemão, junto com o engenheiro Ross Brawn da Benetton, em 1994. Na quinta volta, Schummy já livrava 5s de vantagem sobre Alesi, que tinha Hill e Berger logo atrás. Mesmo Barcelona nunca tenha sido caracterizada por corridas com muitas ultrapassagens, David Coulthard contraria a lógica e após uma largada tenebrosa, o escocês ultrapassa Hakkinen e Irvine para subir ao quinto posto. Na volta 13, Damon Hill finalmente ultrapassa Alesi, mas de forma surpreendente, o inglês da Williams vai aos boxes nessa mesma volta, indicando uma estratégia de três paradas. Infelizmente para Hill, ele volta apenas em nono e esperando que Schumacher, que em apenas onze voltas já colocava uma volta no Forti Corse de Pedro Paulo Diniz, permanecia na pista. Para piorar, Alesi faz sua primeira parada na volta 19 e volta à pista na frente de Hill, estragando ainda mais a corrida do inglês, enquanto Schumacher permanecia na pista, indicando que pararia duas vezes. O alemão chegou na traseira da McLaren de Mansell na volta 20, que vinha tendo nítidos problemas de controlar seu carro. Após levar uma volta de Schumacher, Mansell foi aos boxes e abandonou a corrida, reclamando da dirigibilidade do seu carro. Porém, Nigel não apenas abandonou a corrida, como também abandonaria a F1 naquele momento, encerrando um ciclo na F1. Os quatro fantásticos dos anos 80 (Piquet, Prost, Mansell e Senna) não seriam mais vistos num carro de F1, para tristeza dos fãs de automobilismo.

Porém, reis mortos, rei posto. Schumacher faz sua primeira parada na volta 21 e retorna à pista confortavelmente na ponta, seguido por Alesi, Hill, Coulthard, Berger e Herbert. Alesi era pressionado por Hill e atrapalhado por retardatários, via sua situação piorar, mas o francês da Ferrari teria uma enorme decepção quando o seu motor estoura na volta 26. Schumacher via sua única ameaça pela vitória voar pelos ares, pois Alesi era o único entre os primeiros que parariam, como Schummy, duas vezes. Hill passava poucas voltas em segundo, quando o inglês vai aos boxes 31 para sua segunda parada. Na volta 38, faltando ainda uma parada Schumacher e Hill, o alemão tem uma vantagem de 38s sobre o inglês da Williams. Na volta 41, numa cena bastante curiosa, Johnny Herbert faz sua parada e na ânsia de sair logo dos pits, o inglês leva na traseira do seu Benetton o macaco do seu mecânico, mas felizmente o apetrecho saiu da traseira de Herbert na saída do pit-lane. Outro problema nos pits aconteceu cinco voltas mais tarde, quando a Pacific de Bertrand Gachot pega fogo durante o reabastecimento, mas sem a espetacularidade de Jos Verstappen em Hockenheim no ano anterior, porém Gachot teve que abandonar. Com o carro mais leve, Hill faz a volta mais rápida antes de fazer sua terceira parada.

Faltando quinze voltas, Schumacher lidera tranquilamente com 26s de vantagem sobre Hill. Atrás das duas principais estrelas da F1 de então, vinham Coulthard, Herbert, Berger, Irvine e Hakkinen. Porém, mudanças acontecem nas últimas voltas, com as quebras de Coulthard e Hakkinen. Nas voltas finais, com claros problemas em seu carro, Barrichello era pressionado por Panis na última posição pontuável, mas a maior surpresa aconteceu na última volta, quando um problema hidráulico fez Damon Hill perder rendimento nos metros finais. Schumacher vence a sua décima segunda corrida na F1 e Herbert, meio assustado ao se ver na posição, era segundo e completava uma surpreendente dobradinha da Benetton. Berger completou o pódio e Hill, se arrastando, completou em quarto. Mais atrás, Barrichello perde rendimento, se arrasta pela reta dos boxes e perde a sexta posição para Panis. Soube-se depois que a Peugeot programou o seu motor para cortar antes de quebrar. Se não fosse isso, Barrichello terminaria em sexto, mesmo com o motor quebrado... Com essa vitória, Schumacher reassume a ponta do campeonato, iniciando sua arrancada rumo ao título.

Chegada:
1) Schumacher
2) Herbert
3) Berger
4) Hill
5) Irvine
6) Panis

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