Grande Prêmio da Europa de 2000

23/05/2015

Desde os tempos do velho Nordschleife, as corridas em Nürburgring se caracterizavam pela inconstância do clima, porém, no novo circuito mais curto, a chance de estar chovendo em uma parte do circuito e não em outra, era diminuta, mas ainda assim o clima seria preponderante para a corrida alemã, mas com nome de Grande Prêmio da Europa. A corrida de 1999 tinha sido cheia de surpresas pela inconstância do tempo, mas se não chovesse, a corrida seria decidida, como sempre há quinze anos atrás, entre McLaren e Ferrari. Mesmo com Schumacher liderando o campeonato ainda com uma margem confortável, a McLaren estava muito confiante após duas dobradinhas consecutivas e com os carros prateados claramente mais rápidos em condição de corrida. 

Havia previsão de chuva para qualquer momento durante a classificação e por isso todos os pilotos vão rapidamente à pista e na metade da sessão, Coulthard tinha a pole provisória após sua segunda volta rápida, seguido de perto por Schumacher e Hakkinen. Então, a chuva deu as caras e faltando dez minutos para o fim da classificação, estava claro que a pole de Coulthard permaneceria intacta até o fim, para desespero de Michael Schumacher, pois a pista de Nürburgring fica relativamente próximo da sua cidade natal. Atrás do quarto colocado Barrichello, havia muito equilíbrio, com Ralf Schumacher sendo o melhor do resto numa boa exibição em casa da BMW.

Grid:
1) Coulthard (McLaren) - 1:17.529
2) M.Schumacher (Ferrari) - 1:17.667
3) Hakkinen (McLaren) - 1:17.785
4) Barrichello (Ferrari) - 1:18.227
5) R.Schumacher (Williams) - 1:18.515
6) Trulli (Jordan) - 1:18.612
7) Fisichella (Benetton) - 1:18.697
8) Irvine (Jaguar) - 1:18.703
9) Villeneuve (BAR) - 1:18.742
10) Frentzen (Jordan) - 1:18.830

O dia 21 de maio de 2000 estava nublado e havia novamente previsão de chuva para qualquer momento em Nürburg, nas montanhas de Eifel. Porém, quando os pilotos foram alinhar seus carros no grid, a pista estava seca, mas nos boxes as equipes deixavam os pneus de chuva prontos para qualquer eventualidade. A pergunta não era 'se', mas 'quando' a chuva cairia em Nürburgring. Enquanto a chuva não vinha, o pole Coulthard faz uma péssima largada e era superado facilmente por Schumacher, mas nem o alemão, nem David, esperavam pela largada relâmpago de Hakkinen, que passou entre os dois carros da primeira fila para ficar na liderança ainda antes da freada da curva um. Barrichello ainda tentou uma manobra em cima de Coulthard na curva um por fora, mas o piloto da Ferrari recua, enquanto mais atrás Villeneuve fazia outra largada sensacional, algo em que o canadense estava se especializando no ano 2000, e pulava para quinto, enquanto Trulli se enroscava com Fisichella e Irvine durante a primeira volta e o italiano da Jordan acabava tendo um pneu traseiro furado, abandonando a corrida ali mesmo.

Assim, Hakkinen liderava à frente de um agressivo Michael Schumacher, seguidos por Coulthard e Barrichello. A boa largada de Villeneuve nas corridas anteriores já tinham estragado a corrida de vários pilotos e rapidamente um trenzinho se formou atrás do canadense da BAR em Nürburgring, liderado por Ralf. Ao final da terceira volta a Jordan já começava a empacotar suas coisas quando o motor Mugen de Frentzen quebrou. A temporada da Jordan em 2000 era completamente diferente do competitivo ano de 1999, quando Frentzen brigou pela vitória em Nürburgring. Na quarta volta, Fisichella ultrapassa Ralf Schumacher e parte para cima de Villeneuve, que se defendia bem, mas perdia muito terreno para o quarto colocado Barrichello. Na oitava volta Michael Schumacher marca a volta mais rápida da corrida e estava claramente mais rápido do que Hakkinen, mas enquanto o alemão tentava achar uma forma de ultrapassar o finlandês da McLaren, Michael olhava para o cada vez mais escuro céu sobre Nürburgring. E a chuva começou a cair, ainda leve, na nona volta. Quem se aproveitou da nova condição de pista foi Fisichella, que ultrapassou Villeneuve na última curva do circuito. Com a chuva aumentando de intensidade, Schumacher fez a sua manobra vencedora na volta 11, ultrapassando Hakkinen no final da reta oposta, na freada da chicane. Rapidamente o alemão abre uma boa vantagem sobre Hakkinen, que já havia demonstrado não gostar muito de correr na chuva. A pista, cada vez mais lisa, proporcionou vantagens para quem tinha habilidades nessas condições traiçoeiras e Barrichello pôde ultrapassar Coulthard na reta dos boxes, após o escocês escorregar na última curva.

Com pista livre e usando sua lendária habilidade em correr em pista molhada, Michael Schumacher rapidamente abria vantagem sobre um desequilibrado McLaren de Hakkinen, que controlava sua vantagem sobre Barrichello. Quando a corrida se aproximou do seu primeiro terço, a chuva apertou de vez e os pilotos foram, não apenas reabastecer seus carros, como também colocaram os pneus apropriados para chuva. Dos pilotos da frente, Coulthard foi o primeiro a ir aos boxes, enquanto Schumacher e Hakkinen tem problemas em seus pit-stops (o alemão devido, novamente, a mangueira de combustível e Mika devido a uma porca que demorou a ser apertada). Quando voltava à pista, Schumacher quase foi ultrapassado por Coulthard, que se aproveitou de estar com os pneus apropriados por mais tempo e de um pit-stop sem problemas, para subir para segundo, porém, o escocês reclamou de Michael sobre a manobra que o alemão fez no final da reta dos boxes. Quem também reclamava, novamente, era Barrichello. O brasileiro não se entendeu com Ross Brawn na hora correta de ir aos pits e acabou ficando tempo demais na pista molhada com pneus slicks, fazendo com que Brawn trocasse sua estratégia para três paradas para tentar recompor o tempo perdido pelo brasileiro na confusão. Depois da corrida, Rubens chiaria com a Ferrari. Novamente... 

Porém, Coulthard estava com o seu McLaren completamente desequilibrado e de forma surpreendente, Hakkinen fazia uma bela corrida com piso molhado. Com Schumacher já abrindo 10s de vantagem, Coulthard abre passagem para Hakkinen assumir o segundo lugar e tentar se aproximar de Schumacher. Em vão. Schumacher fazia uma corrida excepcional debaixo de chuva, chegando a ganhar mais de 1s sobre Hakkinen, que se distanciava cada vez mais de Coulthard. Com uma estratégia diferente, Barrichello ficava no tráfego e muito longe do problemático Coulthard. Na volta 30, uma disputa bonita entre Irvine, Verstappen e Ralf Schumacher acabaria numa carambola no final da reta dos boxes e os três, que brigavam pela sétima posição, acabariam abandonando a corrida. Os quatro pilotos da frente fazem suas segundas paradas sem problema desta vez, mas com Barrichello ainda tendo que fazer uma terceira parada, caindo para sexto e precisando ultrapassar Fisichella e De la Rosa para assumir sua quarta posição original. Com o carro mais leve, Barrichello se livra dos dois, mas quando faz sua terceira parada, com dezesseis voltas para o final, o brasileiro assume definitivamente o quarto lugar, mas bem longe de Coulthard.

Com a pista encharcada e as quatro primeiras posições definidas, a corrida fica estática até o final. Para desespero de Barrichello, ele leva uma volta de Schumacher na volta 57, restando ainda dez para o final. Por causa do spray, os pilotos da frente tiveram muitas dificuldades de ultrapassar os retardatários. Com o carro mais leve, Barrichello esboça um ataque em cima de Coulthard nas voltas finais, mas o escocês é ajudado pelo seu companheiro de equipe, quando Hakkinen, uma volta na frente em segundo, se coloca entre Coulthard e Barrichello. Assim, Michael Schumacher venceu de forma impressionante o Grande Prêmio da Europa, aumentando sua vantagem no campeonato após duas vitórias da McLaren. Mika fecha a prova num tranquilo segundo lugar, enquanto Coulthard sofreu a prova toda com um carro desequilibrado, mas não teve problemas em superar um irritado Barrichello na briga pelo terceiro lugar. Fisichella e De la Rosa fechavam a zona de pontuação com atuações muito boas de ambos. Com essa vitória, Schumacher chegava a 39 na carreira e se aproximava de Senna, enquanto sua volta mais rápida na corrida o igualava a Alain Prost como o maior da história da F1 nesse quesito. Naquele tempo, Michael Schumacher ainda tinha apenas dois títulos e estava atrás de outras lendas na lista de recordes da F1, mas não demoraria para o alemão reescrever os livros de história.

Chegada:
1) M.Schumacher
2) Hakkinen
3) Coulthard
4) Barrichello
5) Fisichella
6) De la Rosa

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