Grande Prêmio de Mônaco de 1980

18/05/2015


Monte Carlo recebia alegre a F1 para a edição de 1980 de sua tradicional corrida. Encravada no litoral francês, a torcida tinha o que comemorar, pois Didier Pironi tinha acabado de vencer sua primeira corrida na F1, com sua Ligier. Um carro francês! Toda a expectativa estava para que um francês vencesse a prova. Até porque Arnoux ainda era o líder, mesmo que seu Renault Turbo não tivesse a mínima chance nas apertadas ruas de Mônaco.

Motivadíssimo após sua vitória, Pironi esbanja talento e consegue também sua primeira pole, mostrando que a Ligier tinha um ótimo carro e ele próprio era mais do que capaz de vencer corridas. Após algumas corridas sem aparecer muito, a Williams voltou a mostrar força com Reutemann largando mais uma vez à frente do companheiro de equipe Jones e completando a primeira fila. A Ferrari mostrava que não tinha a mínima condição de conseguir algo em 1980, mas Villeneuve ainda conseguia milagres e punha o carro vermelho em 6º, com Scheckter apenas em 17º, na penúltima fila, tendo ao seu lado outro campeão mundial, Emerson Fittipaldi. Mais surpreendente do que a penúltima, estava a última fila, com o líder do campeonato René Arnoux e o campeão de 1978, Mario Andretti, fechando o grid.

Grid:
1) Pironi (Ligier) - 1:24.813
2) Reutemann (Williams) - 1:24.882
3) Jones (Williams) - 1:25.202
4) Piquet (Brabham) - 1:25.358
5) Laffite (Ligier) - 1:25.510
6) Villeneuve (Ferrari) - 1:26.104
7) Depailler (Alfa Romeo) - 1:26.210
8) Giacomelli (Alfa Romeo) - 1:26.227
9) Jarier (Tyrrell) - 1:26.369
10) Prost (McLaren) - 1:26.826

O dia 18 de maio de 1980 estava nublado no principado de Mônaco e havia a possibilidade de chuva a qualquer momento. A primeira curva de Mônaco sempre foi problemática por causa da estreiteza da reta dos boxes, afunilando na ainda mais apertada Saint-Devote. Acidentes sempre aconteceram no local, mas um dos mais famosos estavam prestes a acontecer. No pelotão da frente, tudo normal, mas com algumas mudanças. Enquanto Pironi larga de forma impecável, Jones toma o lugar de Reutemann e pula para segundo, enquanto Piquet não arranca bem e é ultrapassado por Laffite e Depailler. Assim que os líderes passaram pela Saint-Devote, a confusão começou. Derek Daly, largando em 11º, tentava ganhar posições na primeira curva e não julgou o famoso clichês das corridas: Não se pode ganhar uma corrida na primeira curva, mas pode perder.

O irlandês da Tyrrell perder o ponto de freada e acertou em cheio a Alfa Romeo de Giacomelli e Daly saiu, literalmente, voando, caindo em cima da traseira do seu companheiro de equipe Jean-Pierre Jarier, que vinha alguns metros à frente e ainda atingiu a dianteira da McLaren de Prost. Quem largava nas últimas posições, teve que tomar decisões impraticáveis numa corrida, como Riccardo Patrese, que teve que engatar uma ré e acabou atingindo o ATS de Jan Lammers. Apesar do acidente espetacular, apenar Daly, Jarier, Prost e Giacomelli estavam fora da corrida e ilesos. Voltando a corrida, Pironi imprimia um ritmo fortíssimo e parecia imbatível naquele dia de primavera no mar do Mediterrâneo. Mais atrás, Jones liderava um trenzinho que tinha Reutemann e Laffite. Ligier e Williams dominavam a corrida inteiramente.

Mais atrás, Scheckter, que tinha se aproveitado da confusão da primeira volta e ganho dez posições, segurava um enorme pelotão atrás de si, que incluía até mesmo Villeneuve. Ninguém ultrapassava ninguém. Problema antigo em Monte Carlo... Alan Jones acaba sendo a primeira vítima da difícil corrida monegasca e abandona ainda na volta 25 com o diferencial quebrado, permitindo a Reutemann se descolar de Laffite e ficar num sanduíche da Ligier, mas com o argentino num solitário segundo posto. Patrick Depailler, ainda se recuperando do seu acidente de asa-delta e resolvendo os problemas crônicos de dirigibilidade da Alfa Romeo, vinha num excelente quarto lugar quando o motor italiano lhe traiu e deixou Piquet num tranquilo quarto lugar.

O templo nublado denunciava que a chuva estava próxima de cair e por volta do giro de número 50 a chuva fina começou a molhar o asfalto do principado. Quem lidera uma corrida, chuva nunca é bem-vindo, mas o drama de Didier Pironi é ainda pior. Seu câmbio começa a ter problemas e as marchas estavam difíceis de ser engatadas. O francês fazia um esforço sobre-humano para se manter na corrida num ritmo normal, mas na volta 54 Pironi acabou se desconcentrando e batendo no guard-rail, acabando com o sonho de conquistar uma vitória em Monte Carlo. Mesmo sem ter o melhor carro do final de semana e de forma discreta, Carlos Reutemann assumia a ponta da corrida para não mais perde-la. Com a chuva que aumentava de intensidade, todos os pilotos na pista estavam cautelosos e tudo o que queriam eram ver a bandeirada. Menos um. Gilles Villeneuve teve problemas nos seus pneus, ao forçar demais com sua Ferrari nada equilibrada, e saiu pronto para ultrapassar quem viesse pela frente. E deu de cara logo com René Arnoux, co-protagonista da já famosa disputa de Dijon em 1979. Agora era Villeneuve que tentava ultrapassar. E era também a vez de Arnoux fechar a porta. Os dois faziam uma disputa empolgante, até Villeneuve fazer outra mágica. Na entrada da Saint-Devote, o canadense resolver colocar sua Ferrari por dentro, passar por cima da zebra e dar um enorme susto em Arnoux, que nunca esperava que um piloto colocase o carro ali. Tão assustado, que Emerson aproveitou a carona e também ultrapassou o francês. Parecia que Arnoux ainda não tinha aprendido a lição... Reutemann vencia e era o quinto vencedor diferente em seis provas, mostrando que o campeonato tinha emoção na frente e atrás. Com Villeneuve.

Chegada:
1) Reutemann
2) Laffite
3) Piquet
4) Mass
5) Villeneuve
6) Fittipaldi

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