Grande Prêmio de Mônaco de 1990

28/05/2015

Após a surpreendente vitória de Riccardo Patrese em Ímola, a F1 se reunia para a sua mais charmosa corrida, nas margens do Mediterrâneo, para o Grande Prêmio de Mônaco. As grandes estrelas da época, Ayrton Senna, na McLaren e Alain Prost, na Ferrari, tentavam se recuperar numa pista que lhes favoreciam bastante, pois Prost já havia vencido quatro vezes (1984, 85, 86 e 88) em Monte Carlo, podendo se igualar à Graham Hill, com cinco vitórias no principado, mas o quarto triunfo do francês teve mais à ver com um erro banal de Senna em 1988, quando o brasileiro liderava com imensa tranquilidade. Se não fosse pelo erro, Senna chegaria à Mônaco com três vitórias consecutivas, pois havia vencido em 1989 com facilidade, não dando chances aos rivais.

Por isso que não foi surpresa ver Senna e Prost na primeira fila no domingo, com Senna conseguindo outra volta rápida magistral, mas não no nível da sua famosa volta em 1988. Utilizando o bom chassi que tinha em mãos, Alesi colocou seu Tyrrell, que em 1991 utilizaria motores Honda, em terceiro lugar, superando um motivado Patrese. Mesmo Monte Carlo sendo uma de suas pistas favoritas, Mansell fez uma má classificação e ficou apenas em sétimo. Os pneus Pirelli proporcionou algumas surpresas no top-10, como a presença da Minardi de Pierluigi Martini, recuperado do seu acidente em Ímola que lhe quebrou o tornozelo, e a Dallara de Emanuelle Pirro.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:21.314
2) Prost (Ferrari) - 1:21.776
3) Alesi (Tyrrell) - 1:21.801
4) Patrese (Williams) - 1:22.026
5) Berger (McLaren) - 1:22.682
6) Boutsen (Williams) - 1:22.691
7) Mansell (Ferrari) - 1:22.733
8) Martini (Minardi) - 1:23.149
9) Pirro (Dallara) - 1:23.494
10) Piquet (Benetton) - 1:23.566

O dia 27 de maio de 1990 amanheceu chovendo no principado de Mônaco, mas para a alegria dos pilotos, a chuva passou horas antes da largada e a corrida aconteceria com pista seca, mas sem o emborrachamento dos outros dias. De forma estranha, houve um grande gap entre a luz vermelha e a verde, deixando Ivan Capelli parado no grid com a embreagem quebrada e deixando outros pilotos bastante nervosos. Mas quando a luz verde finalmente apareceu, Prost largou melhor do que Senna, mas o francês não foi capaz de assumir a ponta, mas as coisas para o francês piorariam alguns metros mais tarde. Alesi vinha se caracterizando pela sua agressividade e na curva Mirabeau, Jean, que era fã declarado de Prost, não respeitou seu ídolo e colocou seu Tyrrell por dentro, assumindo a segunda posição. Vindo de uma boa largada, Berger achou que tinha espaço para uma dupla ultrapassagem e colocou por dentro do carro de Prost. Foi o caos. O toque foi inevitável e com Prost atravessado na pista, com apenas Senna e Alesi tendo passado incólumes, o engarrafamento se formou e a corrida foi paralisada. Prost e Berger correram para os boxes para pegarem seus carros reservas, o mesmo fazendo Capelli. Vinte minutos depois da carambola, a luz verde foi dada para a segunda largada e, mais cautelosos, os pilotos passaram sem maiores problemas pela largada.

No final da primeira volta, Senna já havia colocado muita diferença para Prost, que já escaldado, se defendeu de Alesi na Mirabeau, enquanto Pirro, que tinha a sua melhor posição de largada na F1, tem sua corrida acabada ainda na segunda volta, com o motor estourado. Outro piloto Pirelli que surpreendeu, Martini, também abandona cedo, enquanto Prost começa a se desgarrar de Alesi, que sofria pressão de Berger. Com dez voltas, a vantagem de Senna já era de 6.4s, enquanto Mansell ameaçava Boutsen pelo sexto lugar. Na volta 19, Mansell tenta ultrapassar Boutsen na freada da chicane do porto e acaba levando uma fechada do belga, mas o pior foi que Mansell teve sua asa dianteira atropelada e o inglês tem que ir aos boxes trocar o aparato aerodinâmico, ficando mais de 30s nos boxes. Era Mansell em estado puro!

Porém, a vida da Ferrari pioraria bastante na volta 30, quando Prost entra nos boxes com problemas na bateria de sua Ferrari. Era fim de prova para o francês e uma liderança ainda mais folgada para Senna. O outro brasileiro na corrida, já que Gugelmin e Moreno não se classificaram para o grid monegasco, Nelson Piquet começava a atacar Boutsen pela sexta posição. Piquet jamais gostou do circuito de Monte Carlo e na volta 34 o brasileiro da Benetton, enquanto perseguia Boutsen, comete um erro bobo e roda sozinho no hairpin Loews. Os comissários ajudam Piquet sair daquela situação, mas acaba danificando a asa dianteira do carro de Piquet e o brasileiro acabaria indo aos boxes, para ser desclassificado por ter sido empurrado pelos comissários (Algo parecido com Suzuka/89, mas aí é outra história...). Falando nisso, Senna tinha 22s de vantagem sobre Alesi, que mantinha Berger sob controle, enquanto o quarto colocado Patrese vai aos boxes na volta 41 para abandonar a corrida com problemas no câmbio. A corrida já tinha visto vários abandonos e quem se aproveita disso é Mansell, que após ocupar o 16º lugar, estava em sexto e bem mais rápido do que o quinto colocado Derek Warwick. Numa briga inglesa, Mansell ultrapassa Warwick na freada da segunda perna dos esses da Piscina, numa manobra incrível. Para coroar a recuperação de Mansell, o inglês se aproxima de um lento Boutsen e lhe toma a quarta posição, desta vez sem fechadas do belga da Williams. Porém, o show de Mansell acaba na volta 63, quando o inglês entrou nos boxes com os mesmos problemas de Prost. Era outra corrida para esquecer para a Ferrari.


Com poucos carros na pista, Derek Warwick iria pontuar pela primeira vez no ano com a quinta posição que ocupava, mas o inglês da Lotus tem problemas de freios na volta 67, faltando apenas onze para o final, e bate no setor das Piscinas. O abandono de Warwick proporcionou o primeiro susto de Senna no dia, que freou forte para não se envolver no incidente e ter que abandonar na mesma volta de 1988. Com mais esse abandono, o suíço Gregor Foitek assumia a sexta posição e estava na bica de pontuar, mas o piloto da Onyx era pressionado pela Lola de Eric Bernard, último colocado na prova, mas em sétimo. Como um pontinho faz muita diferença para o orçamento das equipes desde aqueles tempos, essa briga era a coisa mais interessante das últimas voltas e com apenas quatro para o fim, Bernard forçou a barra, tocou em Foitek e o suíço acabou abandonando tristemente. Acusado como um dos pilotos mais desastrados da história da F1, quando esteve a ponto de marcar pontos, Foitek se envolveu num incidente em que não teve culpa. Com apenas seis carros ainda rodando, muitos pilotos tiraram o pé, mas Senna o fez com tanta vontade na última volta, que Alesi e Berger se aproximaram bastante. Contudo, Senna tinha tudo sob controle e venceu pela 22º vez na carreira, aumentando ainda mais sua vantagem no campeonato. Berger conquistava o seu terceiro pódio seguido, mas sem nenhuma vitória, enquanto Alesi era a grata surpresa do campeonato de 1990, assumindo o terceiro lugar no campeonato com o segundo lugar de Mônaco e de forma incrível, era o melhor francês do campeonato, um ponto na frente de Prost. Boutsen chegava num discreto quarto lugar, enquanto Alex Caffi marcava os seus primeiros pontos do ano e também da Arrows. Era a terceira vitória de Senna em Mônaco. Muitas ainda viriam!

Chegada:
1) Senna
2) Alesi
3) Berger
4) Boutsen
5) Caffi
6) Bernard  

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