Grande Prêmio da França de 1980

29/06/2015


A invasão francesa na F1 alcançava seu auge em 1980 e por isso o Grande Prêmio da França, que nessa temporada voltava a ser realizado em Paul Ricard, estava cercado por muita atenção. Não apenas os sete pilotos gauleses, mas também as equipes tricolores estavam com ótimas expectativas. Em boa fase, Ligier e Renault fizeram uma preparação meticulosa unicamente para a sua corrida caseira. Paul Ricard era a pista de testes da Ligier, enquanto a Renault começou seu projeto do turbo no rápido circuito francês. Havia uma espécie de rivalidade entre os dois times para ver quem se sobressaía na França. E isso se mostrou fortemente nos treinos.

Jacques Laffite e Didier Pironi passaram toda a classificação brigando pela pole, com o veterano acabando por confirmar a pole, mas usando a potência dos motores turbo, particularmente nos 1.500m da reta Mistral, a Renault colocou René Arnoux na primeira fila. O novato Alain Prost continuava mostrando serviço e pôs sua raquítica McLaren na sétima posição, logo atrás de Jabouille. Eram cinco franceses nas sete primeiras posições! A única ameaça à festa francesa era a Williams, que foram os únicos 'intrusos' entre os sete primeiros. Patrick Depailler ainda conseguiu um bom décimo lugar e apenas Jean-Pierre Jarier, no seu Tyrrell, aparecia fora dos dez primeiros tendo a bandeira da França ao lado do seu sobrenome. Tinha tudo para ser uma festa no domingo!

Grid:
1) Laffite (Ligier) - 1:38.88
2) Arnoux (Renault) - 1:39.49
3) Pironi (Ligier) - 1:39.49
4) Jones (Williams) - 1:39.50
5) Reutemann (Williams) - 1:39.60
6) Jabouille (Renault) - 1:40.18
7) Prost (McLaren) - 1:40.63
8) Piquet (Brabham) - 1:40.67
9) Giacomelli (Alfa Romeo) - 1:40.85
10) Depailler (Alfa Romeo) - 1:40.89

O dia 29 de junho de 1980 estava quente e com um belo sol para o que seria uma festa francesa com certeza. O público gaulês lotou as dependências do autódromo de Paul Ricard e apenas esperava por uma vitória de um piloto seu. Observando o forte calor e os quatro motores quebrados durante os treinos, a Renault diminuiu a potência dos seus turbos, mas ainda havia reserva técnica para que Arnoux fosse um dos mais rápidos na reta Mistral. Na largada, as duas Ligiers dispararam, em especial Pironi, que pulou de 3º para 2º, deixando Laffite na liderança. Porém, nem tudo era felicidade para os franceses, pois Jean-Pierre Jabouille ficou praticamente parado no grid com o câmbio quebrado. Era a primeira baixa gaulesa.

Ainda na primeira volta, iniciou-se uma encarniçada briga entre os pilotos franceses pela ponta. Pironi, Laffite e Arnoux estavam colados e na segunda volta, Arnoux aproveitou a potência, mesmo diminuída, do seu motor turbo e ultrapassou Pironi, assumindo a segunda posição. Aos poucos, Laffite se desgrudava de Arnoux, que ainda recebia pressão de Pironi. Para os franceses, essa situação ainda era motivo de festa, pois um piloto local venceria, mas logo um ameaçador carro branco se aproximaria do pelotão da frente. Extremamente acertado, Alan Jones começava a encostar em Pironi e ainda na quarta volta ultrapassou o francês. Respiração ofegante na arquibancada. Mais atrás, outro francês começava a impressionar. Piquet tinha acabado de ultrapassar Reutemann e o argentino logo seria deixado para trás por Alain Prost, para delírio da torcida. Porém, não demorou para que o câmbio Hewland de Prost o deixasse na mão apenas na sexta volta. Era a segunda decepção francesa no dia.

Enquanto isso, a briga seguia pela segunda posição e Pironi, como se esperando para dar um bote certeiro, ultrapassou Arnoux e Jones em apenas uma volta na sétima passagem e a Ligier tinha novamente a dobradinha em sua corrida caseira. Porém, o piloto da Williams ainda se mantinha na espreita e três voltas depois Jones ultrapassou Pironi novamente. A torcida esperava por uma nova reviravolta promovida por Pironi, mas para desespero dos locais, ocorreu exatemente o contrário. Não apenas Jones despachou Pironi, como se aproximava de Laffite. Arnoux perdia rendimento com seus pneus gastos na volta 11 foi ultrapassado por Piquet. O piloto da Brabham sabia que não tinha condições de brigar pela vitória e por isso galgava posições na medida em que os pilotos a sua frente cometiam erros e ganhava pontos importantes para o campeonato.

Vendo que Jones se aproximava do seu companheiro de equipe, Pironi aumentou o ritmo e encostou no australiano, mas não o atacou. O piloto da Ligier esperava ver o que aconteceria na briga pela ponta entre Laffite e Jones, que logo começou. Os três passaram a andar colados, com uma boa diferença em cima do 4º colocado Piquet. Jones foi paciente para esperar o melhor lugar para ultrapassar. Na volta 34, na entrada da chicane, por fora, Jones fez uma ótima ultrapassagem sobre Laffite. Os franceses ficaram decepcionados, mas esperavam que a dupla da Ligier atacasse Jones em algum momento. Porém, a rivalidade entre Laffite e Pironi era grande demais e ao invés de se juntarem e atacar a Williams, eles passaram a brigar entre si. E Jones ia embora...

Mais atrás, Arnoux e Reutemann brigavam pela 5º posição. Enquanto o argentino tinha um carro mais equilibrado, o francês tinha a potência do seu motor turbo. Foi uma briga fascinante! Arnoux chegou a ser ultrapassado por Reutemann, mas recuperava seu posto na reta Mistral. Faltando quinze voltas, Pironi passou a atacar Laffite com mais força. Nem pareciam companheiros de equipe. Na famosa e rapidíssima curva Signes, Pironi colocou carro por dentro em cima de Laffite. O veterano não aliviou e os dois chegaram a se tocar, numa situação para lá de perigosa, mas Pironi acabou se sobressaindo e ficando com a posição. Porém, os franceses não tinham muito o que comemorar, pois toda a festa estava programada para uma vitória gaulesa e quem recebeu a bandeirada em primeiro foi o australiano Alan Jones, com uma boa vantagem sobre Pironi. Jones causou uma enorme festa da Williams, a mais inglesa das equipes, fazendo com que o triunfo fosse uma vitória da Inglaterra sobre a tradicional rival França. E Jones ainda assumia a liderança do campeonato!

Chegada:
1) Jones
2) Pironi
3) Laffite
4) Piquet
5) Arnoux
6) Reutemann

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