Grande Prêmio do Canadá de 1995

11/06/2015

A F1 voltava a cruzar o Atlântico com Michael Schumacher nas nuvens. Ninguém duvidava de que o Williams-Renault era o melhor carro do plantel, mas o alemão vinha fazendo a diferença e com duas vitórias na Espanha e em Mônaco, o piloto da Benetton fazia o milagre de liderar o campeonato na frente dos estupefatos Damon Hill e David Coulthard. Por isso, assim como ninguém duvidava do potencial da Williams, nenhuma pessoa em sã consciência poderia negar que Michael Schumacher estava em outro nível naquele momento.

Schummy voltava a provar essa teoria em Montreal, lugar do Grande Prêmio do Canadá, quando marcou uma tranquila pole, mesmo tendo como maiores rivais justamente as duas Williams, com Hill ficando à frente de Coulthard por pouco. A Ferrari não vivia um bom momento e isso já gerava especulações a respeito do que fazer para tirar o time italiano de um jejum que durava dezesseis anos e parecia que aumentaria ainda mais. Se a equipe tinha todos os recursos possíveis, onde estaria o problema? Deveria estar pensando isso Jean Todt, já em seu segundo ano como mandatário da Ferrari. Apesar da popularidade de Alesi e Berger, Todt sabia que precisava de um algo mais se quisesse fazer a Ferrari campeã e ele mesmo permanecer no mesmo emprego. E o próprio pole-position era uma amostra onde se poderia resolver o problema ferrarista...

Grid:
1) Schumacher (Benetton) - 1:27.661
2) Hill (Williams) - 1:28.039
3) Coulthard (Williams) - 1:28.091
4) Berger (Ferrari) - 1:28.189
5) Alesi (Ferrari) - 1:28.474
6) Herbert (Benetton) - 1:28.498
7) Hakkinen (McLaren) - 1:28.910
8) Irvine (Jordan) - 1:29.021
9) Barrichello (Jordan) - 1:29.171
10) Blundell (McLaren) - 1:29.641

O dia 11 de junho de 1995 estava claro e fazia até calor em Montreal, numa clima perfeito para uma corrida de F1 e um aniversário. Envolvido em especulações onde estaria de saída da Ferrari, Jean Alesi estava completando 31 anos de idade e esperava, como presente de aniversário, sua esperada primeira vitória na F1. Porém, o francês sabia que isso beirava o impossível, ainda mais com Schumacher conseguindo uma super-largada e permanecendo na ponta da corrida, seguido pelas Williams. O alemão disparou na frente e deixou as confusões, usuais no Circuito Gilles Villeneuve, para trás. Enquanto Hakkinen e Herbert batiam no hairpin, Coulthard saía da pista após uma rodada.

Isso significava ainda mais folga para Schumacher, que imprimia um ritmo forte e deixava Damon Hill a mercê das duas Ferraris. O inglês da Williams tentava se defender de Alesi, mas com isso via Schumacher disparar. Havia esperança de que Schumacher estaria em uma estratégia de duas paradas, mas Hill teria que se preocupar com o ataque das Ferraris. Na volta 16, numa bela manobra no final da reta dos boxes, Alesi assumia a 2º posição, enquanto Berger passava a atacar Hill. O inglês resistiu mais oito voltas antes de cair para 4º. Aquele não era mesmo dia de Hill, que via Schumacher passar do 'limite' de uma suposta estratégia de duas paradas. O alemão estava na mesma estratégia de todos, com apenas um pit-stop programado.

Quando a metade da prova se aproximou, os líderes fizeram suas paradas, mas Berger tem problemas em seu pit e acaba tendo que retornar aos boxes na volta seguinte. Frustrado, pois o austríaco sabia que seu nome era praticamente carta fora do baralho na Ferrari, Berger acabou se envolvendo em um acidente banal com Mark Blundell quando brigava pela 6º posição no decorrer da prova. Falando em frustração, Hill acabaria abandonando a corrida com problemas hidráulicos na volta 50, deixando a Williams zerada em pontos e, o que era pior, com Schumacher mais de 30s à frente de Alesi. Ou não?

A corrida se encaminhava para ofinal de uma prova até monótona, pois nada havia ocorrido após as paradas e Schumacher se preparava para conseguir mais uma vitória. Então, a TV mostrou uma Benetton lenta na pista. Era Schumacher! O alemão estava com o câmbio preso na terceira marcha e lutava para chegar aos boxes e tentar resolver o problema. Schumacher perdeu muito tempo, mas o problema era simples, pois a borboleta em seu volante que trocava as marchas havia quebrado e apenas a troca do volante resolveu o problema, com o alemão de volta à corrida. Isso significava que Jean Alesi estava a poucos quilometros da vitória. Ele, que não apenas completava 31 anos, como corria com uma Ferrari de número 27 no Circuito Gilles Villeneuve. A torcida canadense foi ao delírio, mas ainda havia drama. A Jordan estava para conseguir uma resultado histórico, com Barrichello em 2º e Irvine em 3º, mas a equipe não sabia que teria combustível suficiente para acabar a prova e os pilotos tiveram que reduzir muito seu ritmo para receberem a bandeirada.

Quando Jean Alesi cortou pela última vez a chicane que leva a reta dos boxes, a F1 viveu uma das maiores festas de sua história. O francês era um dos pilotos mais populares do paddock e, no fundo, todos torciam para que ele conquistasse sua primeira vitória. No seu 91º Grande Prêmio, Jean Alesi finalmente conquistava sua primeira vitória e a felicidade contagiou o público, que invadiu a pista com os carros ainda na pista. Isso protagonizou uma cena perigosa, pois Mika Salo e Luca Badoer ainda brigavam pela sétima posição e quando viu várias pessoas no meio da pista, Salo tirou o pé, mas Badoer arriscou e acabou ganhando uma posição na reta de chegada. Alesi estava tão feliz que acabou deixando sua Ferrari morrer e ele pegou uma carona para o box na Benetton de Schumacher. Essa cena acabaria sendo irônica. Schumacher, na pessoa de seu empresário, e Ferrari já negociavam abertamente um contrato a partir de 1996 e todos sabiam que o alemão acabaria ocupando o posto de Alesi. Nem essa memorável vitória evitaria o acordo.

Chegada:
1) Alesi
2) Barrichello
3) Irvine
4) Panis
5) Schumacher
6) Morbidelli

Posts Relacionados

0 comentários :