Grande Prêmio da Alemanha de 1990

30/07/2015

Devido aos acontecimentos iniciados em setembro de 1989, essa corrida em Hockenheim de vinte e cinco anos atrás representou um marco importante para a história do Grande Prêmio da Alemanha. Pela última vez desde o início da F1 em 1950, a corrida seria chamada de Grande Prêmio da Alemanha Ocidental, pois com a reunificação alemã, a partir de 1991 a corrida seria chamado apenas de Grande Prêmio da Alemanha. Nos bastidores da F1, o destino do extremamente promissor Jean Alesi era disputado quase que a tapa entre Williams e Ferrari, com vantagem para o time de Frank Williams, que tinha em mãos um pré-contrato assinado com Alesi, mas a Ferrari fazia pressão para ter o francês a partir de 1991. Outra novidade era a saída da Subaru como fornecedora de motores de F1, abandonando a Coloni após meia temporada e uma temporada terrível. A Subaru encontraria seu habitat natural no Mundial de Rally anos mais tarde.

Durante os treinos, Nannini teve um sério acidente com seu Benetton novo, mas o italiano correria normalmente com outro chassi novo. A McLaren aproveitou a enorme potência do motor Honda para uma dobradinha no grid, com Senna (oh novidade) superando Berger, enquanto a segunda fila era toda da Ferrari, mas os carros vermelhos a mais 1.5s atrás do duo da McLaren. Num circuito com tanta potência como era Hockenheim, as equipes apoiadas por montadoras tiveram vantagem e a terceira fila era ocupada pela Williams-Renault. Após as três equipes principais da F1 em 1990, veio o resto do pelotão, liderado por Nelson Piquet.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:40.198
2) Berger (McLaren) - 1:40.434
3) Prost (Ferrari) - 1:41.732
4) Mansell (Ferrari) - 1:42.057
5) Patrese (Williams) - 1:42.195
6) Boutsen (Williams) - 1:42.380
7) Piquet (Benetton) - 1:42.872
8) Alesi (Tyrrell) - 1:43.255
9) Nannini (Benetton) - 1:43.594
10) Capelli (Leyton House) - 1:44.349

O dia 29 de julho de 1990 amanheceu com muito calor e sol em Hockenheim, num dia perfeito para uma corrida de F1. Porém, esse clima de verão europeu poderia ser muito prejudicial aos motores, tão exigidos em Hockenheim. A largada se dá sem muitos problemas na frente, com Senna permanecendo na ponta, seguido de Berger, Mansell e Prost. Na parte de trás do grid, Stefano Modena fica parado no grid, com problemas na embreagem do seu Brabham e acabou acertado pela Dallara de Emanuele Pirro. A pancada nem foi tão forte assim, mas Pirro acabou desmaiando no seu carro e o resgaste durou algumas voltas, mas no fim o italiano teve apenas uma pequena concussão. Apesar do resgate de Pirro ocorrer no meio da reta dos boxes, várias bandeiras amarelas foram mostradas e a corrida não foi interrompida. 

As primeiras voltas vê uma corrida estática e tirando um erro de Boutsen na terceira volta, onde o belga caiu de sexto para décimo, as primeiras dez voltas viram a McLaren na frente com alguma vantagem sobre a Ferrari, que por sua vez abria para a Williams de Patrese. Com um carro bem acertado, mesmo não tendo um motor tão potente quanto os demais na frente, Piquet vinha em sexto e próximo do italiano da Williams. Contudo, Piquet passa reto numa das chicanes e quem assume a última posição pontuável era seu companheiro de equipe Nannini. Na volta 15 Mansell sai ligeiramente da pista, mas à alta velocidade. Aparentemente o inglês controla bem o carro e até mantém a terceira posição, mas duas voltas mais tarde Mansell entra nos boxes com o carro nitidamente desequilibrado. A saída de pista não tinha sido em vão e o assoalho da Ferrari acabou bastante danificado, acabando com a corrida de Mansell. Porém, Prost não assume a terceira posição. Fazendo uma prova bem burocrática, o francês faz seu pit-stop uma volta antes do abandono de Mansell e retorna à pista em sétimo. Berger vai aos boxes na mesma volta e volta à pista em quinto.

O forte calor na Alemanha faz com que as paradas fossem antecipadas e Senna faz um ótimo pit-stop na volta 18, mas é ultrapassado por muito pouco por Nannini. Correndo com os pneus duros da Goodyear, Nannini resiste o máximo que pode na pista e planeja não parar. Senna ainda ataca o italiano da Benetton nas primeiras voltas após sua parada, mas Nannini se defende bem e mantém a sua surpreendente primeira posição. Na metade da prova, vários carros das equipes menores já tinham abandonado com problemas mecânicos, mas as equipes grandes resistiam bem ao calor em Hockenheim e fora o abandono de Mansell (que foi ocasionado por um erro do inglês), McLaren, Ferrari e Williams resistiam bem na corrida. Porém, Nannini era um penetra na festa dos grandes. O bom chassi projetado por John Barnard fazia com que o Benetton não consumisse tanto os pneus, mas nem a magia de Barnard poderia impedir a potência do motor Honda de Senna. Na volta 34, apenas onze para o fim, Senna aproveita de um pequeno erro de Nannini na primeira curva e com mais momentum, o brasileiro efetua a ultrapassagem facilmente numa das longas retas de Hockenheim.

Nannini não resiste e ele sabia que sua posição estava boa demais. Piquet havia estourado o motor mais cedo e o italiano da Benetton sabia que não podia abusar da sorte, fora que estava numa posição acima do potencial do seu carro. Com pneus mais novos, Berger esboça um ataque em cima de Nannini nas voltas finais, mas não há mais tempo. Para falar a verdade, a corrida em Hockenheim foi bem enfadonha, ao contrário do que muitos imaginam, de que só havia corrida boa no passado. As voltas finais foram tranquilas e Senna recebe a bandeira quadriculada para 24º vez, se igualando ao número de vitórias da lenda Juan Manuel Fangio. Para melhorar, Prost teve uma corrida irreconhecível e acabou apenas em quarto, mais de 50s atrás de Senna. Com esse resultado, Senna reassumia a ponta do campeonato com quatro pontos de vantagem. Numa pista que favorecia a McLaren, Ayrton Senna fez o seu dever de casa, se aproveitou de uma tarde opaca de Prost e ainda se igualou a uma lenda da F1 há vinte e cinco anos atrás. Senna, aos poucos, já se colocava no patamar, também, de lenda da F1.

Chegada:
1) Senna
2) Nannini
3) Berger
4) Prost
5) Patrese
6) Boutsen  

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