GP Espanha 1995

24/05/2016

SCHUMACHER VENCE E REASSUME A LIDERANÇA
1995
Schumacher é pole e ganha sem oposição. Dobradinha Benetton. Alesi abandona em 2º. Última volta dramática: Hill cai de 2º para 4º, e cede liderança do campeonato a Schumy; Barrichello perde 6º. Williams perde pela 1ª vez em Montmeló, e Ferrari mantém-se em 1º.

Claro que eu continuo discordando com quem acha serem os pilotos meros motoristas que em nada influem nos resultados ditados pelas performances dos engenheiros em suas pranchetas de projeto. Os super-pilotos, como foi Ayrton, e um dia, possivelmente será Schumacher provam que estou certo.
No entanto, não foi pela sua quase genialidade que o alemão ganhou sem discussão, como quis, a mais de um minuto do mais próximo adversário, a Ferrari de Berger, em terceiro. Realmente, esta foi uma das vezes (muitas, há que admitir) em que o trabalho dos engenheiros superou tudo. A grande vitória em Barcelona foi da equipe Benetton que não só trabalhou duro nas semanas anteriores para melhorar o B195 conceitualmente menos competitivo que o FW17, como montou uma estratégia de corrida com dois reabastecimentos mais eficaz que as três paradas da Williams.
Troca de competitividade
O principal acontecimento deste GP foi o volte face de performances, em que a Williams se mostrou muito menos competitiva no traçado catalão, instável e difícil de domar, diferente do carro que andava sobre trilhos e permitia a seus pilotos brigar com o superior Schumacher, e a Benetton melhorou em estabilidade mecânica e aerodinâmica. Isso e falta de confiabilidade da Williams, da Ferrari e da Jordan determinaram o resultado. Sem as quebras da Ferrari de Alesi e de Hill—ambos em segundo —jamais a Benetton teria conseguido a dobradinha: o andamento de Herbert é 2s mais lento que seu companheiro.

Circuito refeito
Depois da loucura justificada e apressada na ressaca do pesadelo de Imola 94, com a introdução de uma chicane antes dos “esses” Nissan, esta pista melhorou em espetáculo e segurança com a alteração da curva Campsa com um raio maior, desembocando numa reta maior até ao cotovelo da La Caixa. A eliminação da chicane este ano proporcionou mais um ponto de ultrapassagem. Bem hajam. Este continua sendo um dos melhores circuitos da atualidade, em traçado, segurança e infraestruturas. O RACC merece todos os resultados que possa conseguir de seu investimento.

Saudades de Montjuich
No entanto, continuo com saudades do belíssimo e desafiante traçado no Parque de Montjuich, onde assisti a emocionantes corridas no início dos anos 70. Infelizmente, circuito urbano é coisa que só se permite em Monte Cario. Montjuich, com suas longas retas, a espetacular lomba depois da reta de largada desembocando num gancho esquerdo sem escapatória, é algo que não dá para esquecer. Resta-nos passear pelo parque, percorrer o circuito, lembrar Emerson, Stewart, Ickx, Lauda, e outros, e entrarmos no Salão Automóvel, todo ele com stands dedicados ao automobilismo: jogos virtuais de F1 e Ralis.

Os encantos de Barcelona
Mas,nesta maravilhosa Barcelona, melancolias do passado não têm vez, já que a história está sempre bela e presente em toda a parte, nos edifícios e monumentos que lembram Gaudi a toda a hora, ao lado do novo urbanismo que a tornou habitável e prazerosa. Como poucas cidades europeias.

Última volta dramática
A uma volta do final da prova, Hill era segundo, já certo de que ganharia seis pontos, e Barrichello sexto, tranquilo na frente de Panis. No entanto, na última volta, tudo mudou: o Williams FW17 teve um problema hidráulico e perdeu, primeiro, a sexta marcha, e depois todo o funcionamento do câmbio, o que até nem seria problema; no entanto, o acelerador funciona com o mesmo sistema hidráulico — Hill ficou sem acelerador e arrastou-se até à linha de chegada com o pé na embreagem, perdendo assim o segundo lugar para Herbert. A Barrichello aconteceu o mesmo: a poucas centenas de metros do final, também ficou sem acelerador, entregando um ponto a Panis, o seu primeiro deste ano.
1995

OS TREINOS
De novo, em Barcelona, choveu na noite de 5ª feira, pelo que a pista não estava seca para o primeiro treino. Alesi foi o mais rápido, seguido de Berger, mas perto das 11h a pista começou a secar e Schumacher mostrou que o B195 tinha melhorado muito e era o carro mais estável, fazendo o melhor tempo da sessão apesar de uma rodada. Os Wiliams denotaram logo problemas de estabilidade, ao contrário do que acontecera nas provas anteriores. A tarde, depois do “peixe miúdo ter feito a festa” nos primeiros vinte minutos — Verstappen, Panis, Hakkinen e Herbert —, as coisas sérias começaram com a volta de Alesi aos 27 minutos, fazendo 1min23.129s. melhor que Schumacher de manhã, cujo carro estava “imprevisível — o pior Benetton que jamais guiei”. No entanto, os dois Williams, apesar dos esforços de Couthard estiveram ainda pior (a 1,2s). Ninguém se aproxima de Alesi, que fica com a pole provisória. Sábado foi outro dia: de manhã, os Williams, apesar de seus pilotos ainda se queixarem de comportamento instável, fizeram os dois melhores tempos, seguidos de Schumacher, mesmo sem pneus novos, como os outros. No entanto, à tarde ficou demonstrado o excelente trabalho dos técnicos da Benetton: “Temos dois tipos básicos de regulagem para este carro e começamos os treinos com o errado. Revimos tudo de 6ª para sábado, e melhoramos”. O acerto foi tão bom que o alemão conseguiu baixar em quase 1s tempo de Alesi da véspera logo nos primeiros cinco minutos da qualificação. À 2ª tentativa baixou ainda mais 0,7s deixando a luta apenas para o 2° tempo entre Hill e Alesi, que trocaram de posições duas vezes, terminando o francês por recuperar o lugar na 1ª fila do grid, mas a mais de 0,5s do pole. De realçar: o 6° tempo de Irvine, 0,35s melhor que Barrichello, e Mansell ter ficado apenas com o 10° tempo, 0,09s atrás de Hakkinen, Herbert ficou 2s atrás de seu companheiro.

A CORRIDA
Com a performance das Ferrari nos treinos, a recuperação da estabilidade do Benetton de Schumacher e a posição dos Williams, podia-se prever uma corrida animada e disputada. No entanto, os 50.000 espectadores tiveram que se contentar com o domínio de Schumacher com um carro perfeito sobre os Williams instáveis e as Ferrari ainda sem ritmo de corrida, com motores que perdem rendimento. A semelhança do que já acontecera no passado, o semáforo de largada não acendeu a luz verde. Alguns pilotos programam seus reflexos para quando a vermelha se apaga; outros, como Coulthard e Mansell, para quando a verde acende. Por isso ficaram parados à espera (do quê?...).
Já à 1ª volta Schumacher tinha 1s sobre Alesi, com Hill em 3º, na frente de Berger, Irvine, Hakkinen, Coulthard e Herbert. Nas voltas seguintes a vantagem do líder cresceu de 1,6s, para 2,6, 4,2, 5,1, 6,1, até chegar a 8s. Estava dado o tom da corrida. Ninguém ia conseguir chegar no Benetton. No entanto, Hill aproximava-se de Alesi, com Berger por perto. A pouca emoção era dada apenas pelos esforços de Coulthard em recuperação da péssima largada, e pela troca de posições (14°) entre Panis e Mansell, que conseguiria subir para 12° com a saída de pista de Katayama. Os Williams foram os primeiros a reabastecer, com Hill, à 13ª volta. Schumacher pararia apenas à 21ª, vendo-se logo que, desta vez, a Benetton tinha escolhido parar apenas duas vezes contra as suas habituais três. Nesta pista, em que o desgaste de pneus é crítico, só com um chassis muito bem acertado é possível optar—a este trem de corrida — por apenas duas trocas de pneus. Foi essa a aposta da Benetton. E deu certo. De novo.
1995

Papelão de Mansell
Depois de reabastecer à 15ª volta, Mansell saiu da pista três voltas depois, nos esses, depois de perder uma volta para Schumacher. Voltou aos boxes e decidiu abandonar, incapaz e sem vontade de controlar um carro instável que ora saía de frente ora de traseira. Quem abandonou pouco depois contra sua vontade foi Alesi, à 25ª volta, com motor quebrado. Foi o primeiro abandono da Ferrari este ano. Schumacher ficava 12s na frente de Hill, que começou a recuperar até sua segunda parada. Mas, não havia nada a fazer—o renovado B195 e a estratégia de duas paradas davam nítida vantagem ao alemão. Sua segunda parada foi à 43ª volta: voltou à pista ainda no comando, mas com vantagem de apenas 7s, que começou a diminuir quando Hill aumentou seu ritmo. Para nada, pois teve de parar pela 3ª vez, ficando irremediavelmente a 25s do líder.

Williams abandonam
A 54ª volta, Hakkinen abandona com o motor Mercedes sem potência. Pelo menos esforçou-se. Ao contrário de Mansell. Duas voltas depois Coulthard fica sem sistema hidráulico no câmbio. Brundle, que fez sua primeira prova do ano, perdeu muito tempo no box por problemas com a mangueira de reabastecimento. Com a aproximação do final, tudo parecia definido e satisfatório: Hill salvava pelo menos 6 pontos e Barrichello conseguia seu primeiro ponto do ano. Ambos perderam seus pontos na última volta por problemas de acelerador. Enquanto o inglês foi por motivos hidráulicos, no Jordan foi o sistema eletrônico que pifou, passando a transmitir informações erradas para a injeção, tirando potência ao motor. A Benetton fez sua segunda dobradinha. A Forti, também: Moreno e Diniz abandonaram.
1995

O FIM DE SEMANA
KATAYAMA: 50º GP
Ukyo Ktayama é o 85ª piloto a completar 50 GP e o 3ª japonês: Satoru Nakajima - 74, Aguri Suzuki - 62. Seus melhores resultados: em 1994 - 5º (Brasil e San Marino) e 6ª (Grã-Bretanha).
Hill SUPERA HILL
Damon superou seu pai Graham ao conquistar sua 11ª melhor volta num GP. Coincidência: pai e filho fizerem sua primeira melhor volta em Silverstone, em 60 e 93, respectivamente.
2ª DOBRADINHA BENETTON
Foi o segundo 1-2 da Benetton. O primeiro fora de Piquet-Moreno, no Japão 90.
1º PÓDIO DE HERBERT
Não só este 2ª lugar de Herbert foi seu melhor resultado na F1, como jamais tinha pisado um pódio de GP. Entre as 10 classificações nos pontos, seu melhor havia sido 4ª (na estreia, no Rio, em 89, e mais 4 vezes). A última vez que pisara um pódio não fora sequer quando ganhou as 24 Horas de Le Mans, em 1991, pois foi para o hospital com uma desidratação; foi em Monza, em 1988, na F3000 (3ª).
30º PÓDIO DE SCHUMACHER
Excluindo os dois GP em que foi desclassificado em 94 (GB e Bélgica), esta foi a 30ª vez que o campeão mundial subiu no pódio, e sua 12ª vitória.
LAFFITE NA LIGIER
Depois de longa carreira de piloto - de 74 a 86 -, com 176 GPs, dos quais 144 com a Ligier, o simpático francês volta à equipe em que conquistou 9 vitórias e 206 pontos. Passa a ser seu Relações Públicas, pela mão da Ligier Gitanes a quem a anglização da equipe não agradava. Se Laffite sempre foi um dos pilotos mais populares de F1, no mesmo estilo de Emerson Fittipaldi, Andretti e Berger, nunca deixou de falar o que pensava, o que não está muito de acordo com o cânones de RP da F1 atual...
MANSELL: 3% MAIS A FUNDO QUE MIKA
Uma dos argumentos de defesa de Mansell foi que a telemetria da Mercedes mostrava que ele andou 3% mais tempo de aceleração total do que Hakkinen. No entanto foi sempre mais lento que o jovem finlandês.
BARRICHELLO INSATISFEITO COM JORDAN
Rubinho está francamente pouco contente com os problemas mecânicos enfrentados com seu Jordan. No treino de 6ª feira fez apenas três voltas devido a um problema de motor. À tarde, teve reunião de mais de quatro horas com os dirigentes da equipe e da Peugeot para debater os problemas e manifestar seu desagrado: “Foi uma discussão aberta com todo mundo e acho que valeu a pena”, apontou Rubinho. No entanto, constou também que Geraldo, seu manager, tinha iniciado conversações com várias outras equipes, principalmente a Ferrari.
NOVO INCÊNDIO NOS BOXES - PACIFIC
Felizmente que o Pacific PR02 é o F1 com menor capacidade para combustível, porque senão Gachot poderia ter tido um sério problema, semelhante ao de Verstappen no ano anterior, em Hockenheim. Quando saia do box após seu segundo reabastecimento, deflagrou-se um incêndio no carro já em andamento."Sempre será um risco reabastecer um carro quente", como apontou Keith Wiggins, mas os problemas estão aumentando: McLaren e Ligier queixaram-se de seus equipamentos.

Posts Relacionados

0 comentários :